Vinte automóveis clássicos, cerca de 200 quilómetros de estrada, castelos, aldeias históricas, vinhos e algumas das paisagens mais marcantes do interior português. A partir desta sexta-feira e até domingo, o Ribacôa Clássicos está de regresso para uma terceira edição que vai ligar o Sabugal a Vila Nova de Foz Côa, atravessando Almeida, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo.
E desta vez há também um nome conhecido a acompanhar a viagem: o ator e apresentador Rui Unas é o padrinho da edição de 2026.
Sob o mote “Castelos, Vinhas e Sabores Autênticos do Interior”, a proposta vai bastante além de colocar carros antigos numa estrada bonita. O Ribacôa Clássicos cruza património, gastronomia e enoturismo ao longo de um percurso limitado a apenas 20 viaturas.
A paisagem também muda à medida que os quilómetros avançam. Do granito das serras beirãs aos vales profundos do Côa e às encostas do Douro Superior, a caravana vai atravessar alguns dos cenários mais marcantes desta região.
E há lugares onde a combinação entre automóveis clássicos e território promete imagens particularmente difíceis de ignorar.



Sortelha: começar entre muralhas e granito
O primeiro encontro com os clássicos acontece em Sortelha, e dificilmente poderia haver cenário mais apropriado.
Construída sobre um maciço granítico e envolvida pelas muralhas do seu castelo medieval, a aldeia histórica será o ponto de receção da caravana. É também aqui que os participantes terão o primeiro contacto com aquilo que vai definir grande parte dos cerca de 200 quilómetros seguintes: automóveis de outras décadas a atravessar lugares onde a história é muito mais antiga do que qualquer máquina presente.
A passagem pelo Sabugal acrescentará outro castelo à viagem, antes de a caravana seguir para o restante percurso.
Castelo Mendo: uma aldeia medieval no caminho dos clássicos
Castelo Mendo é outra das paragens que promete resultar particularmente bem quando os automóveis entrarem no enquadramento.
A aldeia histórica, erguida num ponto elevado sobre o vale do Côa e marcada pelas suas muralhas, ruas estreitas e construções de pedra, recebe a caravana antes de esta seguir para Almeida.
E é precisamente aí que surge um dos cenários mais reconhecíveis de toda a viagem.
Almeida: clássicos dentro de uma fortaleza em forma de estrela
Vista de cima, Almeida é imediatamente reconhecível.
A praça-forte apresenta uma estrutura abaluartada em forma de estrela, resultado do sistema defensivo desenvolvido sobretudo nos séculos XVII e XVIII junto à fronteira espanhola.
Durante o Ribacôa Clássicos, os automóveis entram no centro histórico, colocando máquinas do século XX dentro de uma estrutura militar com vários séculos de história.
É um dos pontos que mais promete em termos visuais: muralhas, portas monumentais, ruas históricas e uma caravana de apenas 20 carros a atravessá-las.
Castelo Rodrigo: pedra, história e vinhas
Mais a norte, Castelo Rodrigo introduz outra paisagem.
A aldeia histórica ergue-se sobre uma colina e conserva vestígios de muralhas, construções medievais e ruínas do Palácio de Cristóvão de Moura. À volta, começam a ganhar protagonismo as vinhas e uma paisagem que anuncia a aproximação ao Douro Superior.
É também nesta zona que os vinhos entram definitivamente no percurso. O programa inclui provas e uma mostra com produtores locais, numa edição em que a organização quer colocar a gastronomia e o enoturismo ao mesmo nível das estradas e dos automóveis.
Pinhel: os clássicos chegam à “Cidade Falcão”
A viagem passa também pelo centro histórico de Pinhel e pelo seu castelo.
Conhecida como “Cidade Falcão”, Pinhel guarda duas torres medievais que dominam a paisagem e será outro dos pontos onde os participantes deixam momentaneamente a estrada para entrar no património histórico da região.
É também uma das zonas associadas aos vinhos da Beira Interior, outra presença constante numa viagem que procura juntar a condução às características do território atravessado.
Miradouro da Faia: clássicos sobre as escarpas do Côa
Se houver um local capaz de disputar o título de fotografia mais impressionante do Ribacôa Clássicos, o Miradouro da Faia parte com bons argumentos.
Aqui, a estrada aproxima-se das escarpas do vale do Côa e abre-se sobre uma paisagem muito diferente daquela que recebeu os participantes no início da viagem.
O granito, o vale encaixado e a dimensão da paisagem tornam este um dos pontos mais fortes do percurso — e provavelmente um dos lugares onde valerá mais a pena procurar a caravana.
Até Vila Nova de Foz Côa, onde a paisagem já anuncia o Douro
A viagem prossegue depois até Vila Nova de Foz Côa.
É o ponto que aproxima definitivamente a caravana do Douro Superior, depois de um percurso que atravessa diferentes geografias sem abandonar o interior: das terras altas da Beira às encostas marcadas pelo xisto e pela vinha.
Ao fim de cerca de 200 quilómetros, talvez seja precisamente essa transformação da paisagem que melhor explique a escolha do percurso.
Os carros são os mesmos.
O cenário nunca é.
Rui Unas é o padrinho desta terceira edição
Uma das novidades deste ano é a presença de Rui Unas como padrinho do Ribacôa Clássicos.
“Valorizar as raízes portuguesas é preservar aquilo que nos torna únicos e é com muito orgulho que me associo a um evento que celebra o melhor de Portugal”, afirmou o ator e apresentador na apresentação da iniciativa.
Telmo Ramalho, responsável pelo projeto, explica que foi precisamente da vontade de juntar os automóveis ao território que nasceu o encontro. “O Ribacôa Clássicos nasceu com o propósito de valorizar um território extraordinário através da paixão pelos automóveis clássicos”, refere. Já viu a entrevista do responsável à ‘Automonitor’? Pode ler aqui.
A dimensão da caravana é deliberadamente pequena: apenas 20 viaturas. Durante cerca de 200 quilómetros, serão elas o fio condutor entre castelos, aldeias, vinhas, gastronomia e paisagens que vão mudando à medida que a estrada avança.
A partir desta sexta-feira, os clássicos deixam de ser apenas aquilo que se vai ver.
São a maneira escolhida para chegar lá.




















