O novo Ferrari Luce não quer marcar a história da marca apenas por ser o primeiro carro 100% elétrico de Maranello. O interior também foi pensado para funcionar como montra tecnológica, combinando materiais de luxo, comandos físicos, ecrãs avançados e soluções pouco comuns num modelo que é igualmente o primeiro Ferrari de cinco lugares.
De acordo com o ‘Motor1’, um dos elementos centrais do habitáculo é o volante de três raios, produzido em alumínio reciclado e maquinado a partir de um bloco sólido. A peça integra vários comandos analógicos dedicados à dinâmica do veículo e funciona quase como um projeto autónomo dentro do carro.
A Ferrari optou por uma solução pouco habitual: o painel de instrumentos está integrado no próprio volante e move-se com ele, para manter a visibilidade da informação de condução em todas as circunstâncias. A ideia é garantir que o condutor nunca perde a leitura dos dados essenciais, mesmo quando ajusta a posição do volante.
Outra novidade é o e-Manettino, um comando rotativo criado para gerir a entrega de potência e a recuperação de energia. Ao lado do seletor clássico dos modos de condução, surgem ainda borboletas específicas para o controlo manual do binário do motor, numa tentativa de aproximar a experiência elétrica da sensação mecânica associada aos desportivos tradicionais da marca.
A digitalização do habitáculo também ganha protagonismo. O Ferrari Luce conta com quatro ecrãs OLED, desenvolvidos em parceria com a Samsung Display. O painel de instrumentos combina dois painéis sobrepostos, criando um efeito de profundidade visual que, segundo a marca, pretende facilitar a leitura das informações e manter uma sensação mais analógica, apesar da forte presença tecnológica.
No centro da consola, a Ferrari manteve uma solução híbrida entre comandos físicos e interface digital. Há botões para o ar condicionado e funções principais, mas também um ecrã tátil dedicado à navegação e ao sistema multimédia. A opção parece responder a uma crítica frequente aos interiores demasiado digitalizados: nem tudo deve depender de menus num ecrã.
O sistema de som é outro dos pontos de destaque. Desenvolvido especificamente para o Luce, utiliza 21 altifalantes e uma potência de amplificação de 3.000 watts, com vários modos sonoros adaptados às condições de condução e à posição dos passageiros no interior.
O habitáculo combina couro italiano, Alcantara e detalhes em alumínio anodizado. Os bancos têm regulação elétrica e podem receber função de massagem opcional. Atrás, os passageiros contam com um painel próprio, que apresenta informações de condução em tempo real e inclui comandos para o ar condicionado traseiro.
Há ainda vários detalhes pensados para reforçar a ideia de objeto tecnológico de luxo. A consola central é revestida em couro italiano premium, os compartimentos de arrumação são forrados a Alcantara e as portas traseiras podem fechar através de um botão colocado na coluna B, sistema que fica desativado quando o carro está em movimento.
Até a chave recebeu uma solução própria. É feita em Corning Gorilla Glass e utiliza tecnologia E Ink, que só consome energia quando a imagem no ecrã muda. Quando é colocada no encaixe de ignição, o amarelo tradicional da Ferrari ilumina a chave e a interface do automóvel. Esse gesto liga o carro e desbloqueia o seletor de marcha, deixando o Luce pronto a arrancar.
Depois da polémica em torno do design exterior, o interior mostra que a Ferrari tentou criar algo mais complexo do que um simples elétrico de luxo. O Luce procura preservar alguns rituais da marca, como a importância do volante, da chave e dos comandos de condução, mas adapta-os a uma era em que software, ecrãs, eletrificação e experiência sensorial passam a ter tanto peso como o motor.












