Num momento em que a eletrificação automóvel acelera, uma nova tecnologia começa a ganhar destaque e promete baralhar o jogo entre híbridos e elétricos. Trata-se dos veículos elétricos de autonomia estendida (REEV), uma solução intermédia que combina condução 100% elétrica com um “plano B” a combustão — mas sem ligação direta às rodas.
A análise é avançada pelo ‘El Economista’, que explica como esta tecnologia, adotada por marcas como a Leapmotor (do grupo Stellantis), poderá desafiar tanto os híbridos tradicionais como os híbridos plug-in.
Um elétrico… com gerador a combustão
Ao contrário dos híbridos, nos modelos REEV o motor de combustão não serve para mover o carro. A sua única função é gerar eletricidade quando a bateria está a esgotar-se.
Na prática, o veículo é sempre propulsionado por um motor elétrico — o que garante uma condução suave, silenciosa e com resposta imediata — enquanto o motor térmico atua apenas como apoio energético.
“Às vezes nem se ouve o motor”, sublinha Danilo Anesse, evidenciando a principal diferença face aos híbridos plug-in.
Menos complexidade, mais eficiência
Uma das grandes vantagens apontadas é a simplicidade mecânica. Sem caixa de velocidades nem sistemas complexos de transmissão, os REEV prometem maior fiabilidade e menos custos de manutenção.
Além disso, beneficiam da eficiência dos motores elétricos, que podem ultrapassar os 90%, muito acima dos motores de combustão, que raramente excedem os 50% em condições reais.
O problema dos elétricos… ainda por resolver
Apesar do crescimento dos veículos elétricos na Europa, persistem obstáculos relevantes: redes de carregamento desiguais, dificuldade de instalação em prédios e congestionamento nos postos em períodos de maior procura.
É precisamente aqui que os REEV tentam ganhar terreno, oferecendo autonomia adicional sem depender exclusivamente da infraestrutura elétrica.
Híbridos vs plug-in vs REEV: o que muda?
Os híbridos convencionais continuam a depender maioritariamente do motor a combustão, recorrendo a sistemas complexos para gerir a energia. Já os híbridos plug-in permitem condução elétrica limitada, mas mantêm ligação direta do motor térmico às rodas.
Os REEV eliminam essa ligação: são elétricos puros na condução, com um gerador auxiliar. O resultado é uma experiência mais consistente e, teoricamente, mais eficiente.
Quase 1.000 km de autonomia
Um exemplo é o Leapmotor C10 REEV, equipado com uma bateria de 28,4 kWh que permite até 145 km em modo elétrico. Com o apoio do motor a combustão, a autonomia total pode atingir cerca de 970 km.
Os consumos rondam os 6,4 litros por 100 km e as emissões ficam nos 38 g/km de CO₂, posicionando este tipo de veículo como uma solução intermédia entre híbridos plug-in e elétricos puros.
Uma “ponte” para o futuro elétrico
Segundo o ‘El Economista’, a indústria continua a apontar para um futuro totalmente elétrico, mas reconhece que o presente exige soluções de transição.
Nesse cenário, os REEV surgem como uma “ponte” entre tecnologias, oferecendo a experiência elétrica sem as limitações atuais — e podendo conquistar condutores ainda hesitantes na mudança.






