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Xiaomi faz história no Nürburgring: SUV elétrico bate recorde sem ninguém ao volante. Veja o vídeo

Automonitor

No traçado alemão, conhecido pela sua dificuldade técnica e pela extensão superior a 20 quilómetros, o modelo completou uma volta em 10 minutos, 29 segundos e 483 milésimos

A Xiaomi levou a condução autónoma a um dos palcos mais exigentes do mundo automóvel. Segundo o Motor1, o construtor chinês registou o primeiro tempo oficial no Nürburgring Nordschleife com um veículo em condução totalmente autónoma, sem intervenção humana ao volante.

O protagonista foi o Xiaomi YU7 GT, versão de alto desempenho do SUV elétrico da marca. No traçado alemão, conhecido pela sua dificuldade técnica e pela extensão superior a 20 quilómetros, o modelo completou uma volta em 10 minutos, 29 segundos e 483 milésimos.

O resultado representa uma etapa simbólica para os automóveis elétricos autónomos, mas também mostra que a tecnologia ainda está longe do ritmo de um condutor humano em contexto de pista. O mesmo SUV, conduzido por uma pessoa, já tinha completado o Nürburgring em 7 minutos, 22 segundos e 755 milésimos.

A diferença é expressiva: mais de três minutos separam a volta autónoma da volta com piloto. O desfasamento ajuda a explicar uma das limitações atuais da condução autónoma de alto desempenho: os algoritmos tendem a conservar margens de segurança muito mais prudentes do que um condutor experiente.

No caso de um circuito como o Nürburgring, essa prudência pesa no cronómetro. Travagens antecipadas, trajetórias menos agressivas e menor exploração dos limites de aderência podem tornar a condução autónoma mais segura, mas também bastante mais lenta.

Ainda assim, o feito tem valor tecnológico. A condução sem intervenção humana num circuito tão complexo exige leitura permanente da pista, gestão de aceleração e travagem, interpretação de curvas rápidas e lentas, e capacidade de manter o veículo dentro de uma margem controlada ao longo de uma volta completa.

O YU7 GT tem argumentos técnicos de peso. O SUV elétrico assenta numa arquitetura de 897 volts, usa uma bateria de 101,7 kWh e conta com uma motorização capaz de desenvolver até 1.003 cv.

As prestações colocam o modelo em território de supercarro: acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,92 segundos e atinge uma velocidade máxima de 300 km/h. De acordo com a Xiaomi, a arquitetura elétrica permite também carregamentos ultrarrápidos, com recuperação de 570 quilómetros de autonomia em 15 minutos.

No mercado chinês, o SUV está disponível a partir de 389.900 yuan, cerca de 47.000 euros ao câmbio atual. As entregas atingiram 8.736 unidades logo em maio de 2026, sinal da ambição da Xiaomi em transformar o YU7 GT numa das suas referências tecnológicas.

O Motor1 sublinha que a demonstração no Nürburgring não deve ser lida apenas como uma corrida contra o cronómetro. O tempo autónomo é claramente mais lento do que o obtido por um piloto, mas mostra que a Xiaomi quer colocar a condução autónoma no centro da sua imagem tecnológica.

A grande pergunta é menos se a máquina já consegue bater o humano e mais quando começará a aproximar-se dele. Por agora, o YU7 GT mostrou que consegue dar uma volta sozinho ao “Inferno Verde”. Falta-lhe ainda a coragem, ou o risco, que um piloto aceita assumir quando procura o limite.