Elon Musk prepara mais uma aposta fora da caixa: uma megafábrica de chips de inteligência artificial capaz de produzir até 200 mil milhões de unidades por ano para alimentar carros autónomos e robôs humanoides. O projeto, designado Terafab, representa um investimento de cerca de 25 mil milhões de dólares (aproximadamente 23 mil milhões de euros) e reflete a ambição da Tesla de controlar toda a cadeia tecnológica, da conceção à produção, avança o ‘L’Automobile Magazine’.
Terafab Project launches in 7 days
— Elon Musk (@elonmusk) March 14, 2026
A iniciativa surge num momento em que a Tesla enfrenta dificuldades no acesso a semicondutores, num mercado dominado por gigantes asiáticos como a TSMC e a Samsung. Com a explosão da procura ligada à inteligência artificial, os prazos de produção dispararam e empresas como Apple, NVIDIA ou AMD absorvem grande parte da capacidade disponível, deixando a Tesla em desvantagem.
Perante este cenário, Musk decidiu ir mais longe: deixar de depender dos fornecedores e produzir os seus próprios chips em larga escala. No centro desta estratégia está o novo processador AI5, concebido para suportar a próxima geração de condução autónoma e aplicações avançadas de inteligência artificial. O objetivo é multiplicar por quatro ou cinco a capacidade de computação atual, atingindo níveis entre 2.000 e 2.500 TOPS.
A exigência tecnológica é enorme. Sistemas de condução autónoma requerem processamento em tempo real de imagens, sensores e decisões críticas, com margem mínima para erro. Para isso, a Tesla aposta numa arquitetura de 2 nanómetros, considerada essencial para equilibrar desempenho e eficiência energética.
Mas é na forma de produzir que Musk volta a desafiar as regras da indústria. Em vez de recorrer às tradicionais salas limpas — ambientes ultracontrolados e extremamente caros — o empresário propõe um modelo mais flexível, onde apenas os contentores de wafers de silício seriam totalmente isolados. O restante processo poderia ocorrer em condições muito menos restritivas.
A ideia, que o próprio Musk descreveu de forma descontraída ao sugerir que os trabalhadores poderiam circular com roupa normal ou até comer dentro da fábrica, está a gerar ceticismo entre especialistas. Uma única falha de contaminação pode comprometer lotes inteiros de produção, avaliados em milhões de euros.
Perante os riscos, alguns analistas consideram mais plausível um modelo híbrido, no qual a Tesla concentraria a integração e o encapsulamento dos chips, deixando a produção mais sensível para parceiros como a TSMC ou a Intel. Essa abordagem permitiria garantir escala sem assumir totalmente a complexidade do fabrico.
Apesar da ambição, a Tesla não deverá cortar relações com os atuais fornecedores no imediato. O desenvolvimento da Terafab levará anos, obrigando a marca a manter acordos com fabricantes asiáticos para evitar ruturas no fornecimento.
Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, o projeto insere-se numa estratégia mais ampla de Musk: transformar a Tesla numa empresa de inteligência artificial, capaz de controlar os dados, o software e o hardware que sustentam os seus produtos. A aposta tem também uma dimensão geopolítica, numa altura em que os Estados Unidos procuram reduzir a dependência de chips produzidos na Ásia.
Se cumprir as promessas, a Terafab poderá tornar a Tesla a primeira construtora automóvel a controlar integralmente a produção dos seus próprios “cérebros digitais”. Mas os desafios são enormes — desde a complexidade técnica até ao risco de dispersão de recursos — num momento em que a empresa já investe simultaneamente em veículos elétricos, robotáxis, robôs humanoides e centros de dados.






