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O detalhe dos carros modernos que pode facilitar roubos — e até atrapalhar resgates

Automonitor

Carros mudaram muito nos últimos anos, e não foi apenas nos motores, nos sistemas de assistência ao condutor ou na tecnologia instalada no habitáculo. Também por fora, os fabricantes alteraram profundamente a forma dos veículos

Os carros mudaram muito nos últimos anos, e não foi apenas nos motores, nos sistemas de assistência ao condutor ou na tecnologia instalada no habitáculo. Também por fora, os fabricantes alteraram profundamente a forma dos veículos, procurando melhorar a aerodinâmica, transmitir uma imagem mais moderna e reforçar a perceção de segurança.

Um dos exemplos mais visíveis está nas maçanetas das portas. Durante décadas, abrir um carro implicava puxar uma pega exterior claramente visível. Hoje, muitos modelos, sobretudo elétricos e premium, usam maçanetas embutidas ou retráteis, integradas na carroçaria, que surgem apenas quando o veículo é destrancado.

À primeira vista, a solução parece fazer sentido. As maçanetas ocultas ajudam a reduzir a resistência aerodinâmica, melhoram a eficiência e dão ao carro uma aparência mais limpa e futurista. Mas, segundo o ‘El Economista’, especialistas começam a alertar para problemas que vão além do design.

Uma das críticas prende-se com o risco de roubo. Quando a maçaneta se projeta para fora, pode indicar visualmente que o automóvel está destrancado. Para um criminoso, esse detalhe pode funcionar como um sinal imediato de que o carro pode ser aberto sem necessidade de forçar a porta.

O problema não é completamente novo. Em modelos mais antigos, os fechos tradicionais que subiam e desciam no interior das portas também permitiam perceber, do lado de fora, se o veículo estava trancado ou destrancado. A diferença é que, nos carros mais recentes, o sinal pode estar integrado no próprio design exterior e ser ainda mais evidente em determinados modelos.

Mas a preocupação maior está nas situações de emergência. As maçanetas retráteis dependem frequentemente de sistemas elétricos e podem falhar após um acidente, uma avaria elétrica ou um incêndio. Se a pega não se projetar corretamente ou não oferecer uma zona firme de preensão, pode dificultar a abertura da porta por ocupantes ou equipas de socorro.

A China decidiu avançar com regras mais apertadas para este tipo de solução. A partir de 1 de janeiro de 2027, os novos veículos vendidos no país terão de contar com mecanismos mecânicos de abertura tanto no exterior como no interior das portas, com um período de transição até 2029 para modelos já aprovados. A medida foi apresentada como resposta a preocupações de segurança, sobretudo em acidentes ou falhas elétricas.

A decisão chinesa tem peso global, porque o país é o maior mercado automóvel do mundo e um dos principais centros de produção e inovação em veículos elétricos. Se os fabricantes forem obrigados a redesenhar maçanetas para cumprir as novas regras na China, é provável que essas alterações acabem por influenciar modelos vendidos noutros mercados.

As novas normas não significam necessariamente o fim de todo o design embutido, mas obrigam a que exista uma forma mecânica, acessível e funcional de abrir as portas em caso de emergência. Em alguns casos, as maçanetas semiocultas poderão continuar a existir, desde que garantam espaço suficiente para a mão e funcionamento independente do sistema elétrico.

O debate mostra como uma solução criada para tornar os carros mais eficientes e modernos pode trazer consequências inesperadas. Num setor cada vez mais dominado por ecrãs, sensores e comandos elétricos, a velha maçaneta mecânica pode afinal continuar a ter uma função essencial: permitir entrar e sair do carro quando tudo o resto falha.