Os sensores de pressão dos pneus, presentes na maioria dos automóveis modernos, foram concebidos para aumentar a segurança na estrada. Monitorizam em tempo real o estado dos pneus e avisam o condutor em caso de perda de pressão. Mas a mesma tecnologia pode estar a abrir uma porta inesperada à vigilância de veículos.
Uma investigação do Instituto IMDEA Networks, divulgada pelo ’20 Minutos’, concluiu que estes sistemas — conhecidos como TPMS — transmitem um identificador único através de sinais de rádio abertos e sem qualquer tipo de encriptação. Na prática, qualquer pessoa com um simples recetor pode captar essas emissões e reconhecer um carro específico.
O risco não se limita à identificação pontual. Como os sinais conseguem atravessar paredes e outros obstáculos, o veículo pode ser detetado mesmo fora da linha de visão. Além disso, como cada sensor emite sempre a mesma identidade, é possível seguir um automóvel sem recorrer à matrícula ou a qualquer elemento visual.
A investigação foi realizada ao longo de dez semanas e analisou sinais de mais de 200.000 veículos. Os resultados mostram que, com uma rede de recetores de baixo custo, é possível mapear padrões de movimento e acompanhar trajetos com um nível de detalhe significativo.
Mais adiante, o ’20 Minutos’ destaca que os investigadores conseguiram ainda associar os sinais das quatro rodas ao mesmo carro, o que aumenta a precisão da identificação e permite rastrear veículos a distâncias superiores a 50 metros.
Perante estes dados, o Instituto IMDEA Networks defende a necessidade urgente de reforçar a segurança destes sistemas. Entre as soluções propostas estão a introdução de mecanismos de encriptação e autenticação, de forma a evitar que os sensores se tornem uma ferramenta de vigilância não autorizada.
Num contexto em que os automóveis estão cada vez mais conectados, este caso mostra como até tecnologias aparentemente inofensivas podem representar riscos relevantes para a privacidade dos condutores.






