<br><br><div align="center"><!-- Revive Adserver Asynchronous JS Tag - Generated with Revive Adserver v5.5.0 -->
<ins data-revive-zoneid="25" data-revive-id="6815d0835407c893664ca86cfa7b90d8"></ins>
<script async src="//com.multipublicacoes.pt/ads/www/delivery/asyncjs.php"></script></div>
Partilhar

Semáforos, engarrafamentos e dinheiro: o novo jogo que transforma ‘caos’ nas estradas em lucro

Transito
Automonitor com Lusa

Plataforma de jogos com criptomoedas lançou um formato que permite apostar no número de veículos que passam diante de uma câmara de vigilância em menos de um minuto

Apostar em resultados desportivos ou decisões políticas tornou-se prática comum nas plataformas digitais. Mas transformar o trânsito urbano em objeto de apostas em tempo real eleva o conceito a um novo patamar. Segundo o site especializado ‘L’Automobile Magazine’, uma plataforma de jogos com criptomoedas lançou um formato que permite apostar no número de veículos que passam diante de uma câmara de vigilância em menos de um minuto.

O jogo chama-se ‘Rush Hour’ e está disponível em casinos online que operam com criptomoedas, como a Roobet. O princípio é simples: prever quantos veículos atravessam uma zona específica filmada por uma câmara urbana durante 55 segundos. As transmissões utilizam imagens de grandes cidades mundiais, incluindo Tóquio, Londres, Nova Iorque, Banguecoque e Paris.

A contagem é feita com recurso a inteligência artificial, que identifica em tempo real automóveis, camiões, autocarros, scooters, bicicletas e até peões a partir das imagens captadas por câmaras públicas ou fornecedores licenciados de CCTV. No final da contagem decrescente, o número registado determina o resultado da aposta.

Os jogadores podem escolher um número exato, um intervalo ou apostar se o total ficará acima ou abaixo de determinado limite. O pagamento máximo anunciado pode atingir 18 vezes o valor apostado. A taxa de retorno ao jogador (RTP) situa-se entre 91,5% e 93,5%, o que significa que, por cada 100 euros apostados, cerca de 92 euros (aproximadamente 92%) são teoricamente devolvidos aos jogadores a longo prazo. A diferença face aos jogos tradicionais está no mecanismo: não é um gerador de números aleatórios que define o resultado, mas o fluxo real do trânsito.

A proposta enquadra-se numa tendência mais ampla de monetização de dados do mundo real. O tráfego urbano já é analisado por municípios para otimizar semáforos, planear infraestruturas ou gerir zonas de baixas emissões. Neste caso, o mesmo fluxo transforma-se em ativo especulativo. Cada sinal verde, cada autocarro que abranda ou cada onda de trotinetas elétricas pode alterar o resultado financeiro da aposta.

A empresa descreve o conceito como a transformação do “caos do mundo real” em conteúdo jogável, inaugurando uma nova categoria designada “CCTV.Game”, que poderá vir a integrar outros tipos de transmissões ao vivo.

A reflexão levanta inevitavelmente questões sobre até onde pode ir este modelo. Poderá no futuro apostar-se na dimensão de um engarrafamento ou no tempo que uma fila demora a avançar alguns metros? Cidades como Lyon — apontada como a mais congestionada de França em 2025, com um índice de congestionamento de 47% e cerca de 121 horas anuais perdidas em hora de ponta — ou Paris, onde a velocidade média ronda os 20 km/h, ilustram um cenário onde o congestionamento faz parte do quotidiano.

Num contexto em que milhões de condutores passam horas no trânsito todos os dias, o conceito transforma uma realidade muitas vezes frustrante num espetáculo digital com potencial financeiro. O trânsito deixa de ser apenas um problema urbano para se tornar, também, um evento apostável em tempo real.