Os automóveis usados com histórico de danos têm maior probabilidade de apresentar quilometragem adulterada. A conclusão é de um estudo da carVertical, empresa de dados automóveis, que analisou os veículos verificados em Portugal durante o ano de 2025.
De acordo com os dados divulgados, os carros danificados têm 1,7 vezes mais probabilidade de apresentar quilometragem manipulada quando comparados com veículos sem registo de danos. Em Portugal, 5,9% dos automóveis com histórico de danos apresentam adulteração da quilometragem, contra 3,5% entre os veículos sem danos.
O estudo revela uma ligação entre dois dos principais riscos no mercado de carros usados: danos anteriores e manipulação dos quilómetros. Segundo a carVertical, os vendedores desonestos podem recorrer a peças baratas e não originais nas reparações, aumentando o risco de avarias no futuro, e manipular a quilometragem para tornar o veículo mais apelativo e aumentar artificialmente o seu valor.
Quilometragem baixa pode esconder problemas
A maioria dos compradores tende a valorizar carros com menos quilómetros, assumindo que estão em melhor estado. No entanto, a manipulação da quilometragem continua a ser uma das práticas mais comuns para inflacionar o preço de um automóvel usado e acelerar a venda.
“Os vendedores de carros procuram maximizar o valor de um veículo, tornando-o o mais atraente possível para os compradores. Durante a reparação de um carro, a quilometragem pode ser adulterada para potenciar a atratividade do veículo e aumentar artificialmente a margem de lucro. Esta prática é particularmente comum em veículos importados”, afirma Matas Buzelis, especialista de mercado automóvel da carVertical.
O estudo mostra ainda que os carros com quilometragem adulterada apresentam maior probabilidade de terem sofrido danos no passado. Em Portugal, 55,7% dos veículos com quilometragem manipulada têm registos de danos, contra 41,9% entre os carros com quilometragem real. A diferença é de 13,8 pontos percentuais.
Risco acrescido para compradores de usados
A carVertical alerta que estas tendências tornam os compradores de veículos usados especialmente vulneráveis. Dois modelos idênticos podem ter valores muito diferentes se um deles tiver sofrido danos relevantes no passado ou se a quilometragem tiver sido manipulada.
Um histórico aparentemente limpo e uma quilometragem baixa tornam um carro mais atrativo, mas podem esconder problemas mecânicos, reparações deficientes ou custos futuros elevados.
“Vender um carro previamente danificado com quilometragem baixa permite inflacionar o preço, criando a impressão de que o veículo está menos usado do que realmente está. No entanto, isto costuma deixar o novo proprietário com muitos problemas em mãos. Um carro com quilometragem falsificada dificulta o planeamento da manutenção, as peças usadas falham antes e as reparações feitas com peças baratas podem acarretar custos adicionais”, explica Matas Buzelis.
Tendência repete-se na Europa
A associação entre danos anteriores e adulteração da quilometragem não se verifica apenas em Portugal. Segundo a carVertical, nos 18 países analisados, 61% dos automóveis com quilometragem manipulada apresentavam registos de danos. Entre os veículos com quilometragem real, essa percentagem descia para 47,8%, uma diferença de 13,2 pontos percentuais.
O estudo da carVertical analisou relatórios históricos de veículos adquiridos pelos utilizadores da empresa entre janeiro e dezembro de 2025. Os registos de adulteração de quilometragem e de danos foram agrupados por país, convertidos em percentagem e comparados.
A carVertical é uma empresa especializada em relatórios históricos de veículos e opera em 37 países da Europa, bem como nos Estados Unidos, México e Austrália. A empresa recolhe dados de mais de 1000 registos e bases de dados em todo o mundo para fornecer relatórios destinados a apoiar consumidores na compra de veículos usados.






