O roubo do Bugatti Chiron de Mate Rimac, noticiado no fim de semana, ganhou novos contornos depois de o empresário revelar um hábito inesperado: costuma deixar as chaves dentro dos seus automóveis. Foi precisamente essa facilidade que permitiu a um desconhecido sair do estacionamento da empresa ao volante do hipercarro. Mas a história ainda teve uma perseguição num Porsche 911 e uma reação surpreendente do proprietário perante o ladrão.
Num vídeo publicado nas redes sociais, o presidente da Bugatti-Rimac explicou como um homem de 36 anos conseguiu levar o seu Chiron do campus da empresa, nos arredores de Zagreb, na Croácia.
Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, o estacionamento exterior das instalações não possui uma vedação que impeça o acesso do público. Embora a entrada nos edifícios exija um cartão de identificação, a zona onde estavam estacionados os automóveis é acessível.
Rimac explicou que, por confiar na segurança do local e para facilitar o trabalho dos funcionários que movimentam frequentemente os veículos, se habituou a deixar as chaves no interior dos carros.
O Bugatti Chiron, avaliado em cerca de 2,5 milhões de euros, não era exceção.
Foi à procura de emprego e saiu ao volante de um Bugatti
Tudo aconteceu na passada quarta-feira, quando um homem de 36 anos entrou nas instalações da empresa.
De acordo com o relato do empresário, o desconhecido terá inicialmente afirmado que procurava emprego.
As câmaras de videovigilância registaram os seus movimentos junto ao Bugatti. O homem aparece a fumar um cigarro, enquanto observa o interior do automóvel.
Ao perceber que as chaves estavam disponíveis, abriu a porta e hesitou durante alguns momentos. Depois, entrou, colocou o motor em funcionamento e abandonou o estacionamento.
A saída do Chiron não despertou imediatamente suspeitas. Na fábrica, é habitual que diferentes funcionários conduzam os automóveis para testes ou outras operações.
O alerta surgiu quando um colaborador reparou que não reconhecia o homem ao volante.
Uma troca de mensagens entre funcionários confirmou que ninguém tinha autorização para utilizar o Bugatti.
O GPS denunciou o destino. Rimac foi atrás dele num Porsche 911
Quando percebeu o que tinha acontecido, Mate Rimac recorreu aos sistemas de telemetria e geolocalização do Chiron.
Os dados mostravam que o automóvel seguia em direção à Eslovénia, afastando-se rapidamente da Croácia.
As autoridades croatas contactaram as polícias eslovena e austríaca, dando início a uma operação coordenada para intercetar o veículo.
Mas Rimac decidiu também participar na busca.
Entrou num Porsche 911 e seguiu em direção ao local onde o Bugatti estava a ser localizado.
O suspeito atravessou a Eslovénia e entrou na Áustria, antes de ser intercetado numa área de serviço da autoestrada A9, perto de Graz.
A detenção aconteceu pouco depois das 19h, sem resistência.
Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, o homem terá explicado às autoridades que agiu por impulso e que pretendia conduzir até à Alemanha.
A reação que ninguém esperava: queria ajudar o ladrão
A história poderia ter terminado com a recuperação do automóvel, mas a atitude de Mate Rimac acrescentou um episódio inesperado.
Ao encontrar o suspeito, o empresário afirmou ter sentido empatia pelo homem, que descreveu como alguém aparentemente perturbado e com um percurso de vida difícil.
Em vez de procurar apenas recuperar o Chiron e regressar a casa, chegou a considerar levar o suspeito de volta para junto da família.
A ideia, contudo, esbarrou nos procedimentos legais. As autoridades austríacas tiveram de recolher os elementos necessários à investigação e determinaram que o Bugatti fosse rebocado para as verificações administrativas.
Rimac acabou por passar parte da noite numa esquadra, a tratar das formalidades.
Apesar de ter decidido não apresentar queixa pessoal contra o suspeito, o Ministério Público austríaco avançou com o procedimento criminal por iniciativa própria.
O homem acabou por ser libertado sem ficar em prisão preventiva.
O Bugatti regressou, mas as chaves vão deixar de ficar lá dentro
O Chiron sofreu pequenos danos nos para-choques durante a fuga e terá de passar pela oficina.
Mate Rimac elogiou a rapidez da operação e o profissionalismo das autoridades austríacas, destacando a cooperação entre as polícias dos três países.
O empresário conseguiu recuperar um automóvel de vários milhões de euros e, pelo caminho, protagonizou uma história tão invulgar quanto reveladora.
Porque, por mais exclusivo que seja um Bugatti Chiron, há uma regra que continua a aplicar-se a qualquer automóvel: deixar as chaves lá dentro pode transformar uma distração numa viagem inesperada.
E, neste caso, uma viagem que atravessou três países.
O caso já tinha sido notícia na Automonitor. Recorde como Mate Rimac ficou sem o seu Bugatti Chiron e partiu atrás do ladrão ao volante de um Porsche 911, numa perseguição que atravessou três países.






