Durante anos, Smart foi praticamente sinónimo de automóvel minúsculo. O Fortwo media pouco mais de 2,5 metros e tinha sido pensado para caber onde quase nenhum outro carro conseguia estacionar. Agora olhe para isto: um Smart com quase 4,70 metros, cerca de 2,4 toneladas, 646 cv e aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,8 segundos. Chama-se #5 BRABUS e mostra até que ponto a marca mudou.
O ‘Top Gear’ recebeu um Smart #5 BRABUS para um teste de longa duração e começou precisamente pela pergunta inevitável: o que resta da ideia original da Smart num grande SUV elétrico?
A resposta começa pelas dimensões.
O #5 mede 4,695 metros de comprimento, 1,92 metros de largura e 1,705 metros de altura, com 2,90 metros entre eixos. A bagageira oferece 630 litros e há ainda um compartimento dianteiro de 47 litros na versão BRABUS.
Ou seja, este já não é definitivamente um automóvel concebido em torno da ideia de ocupar o mínimo de espaço possível na cidade.
De pequeno citadino a SUV de 646 cv
O contraste torna-se ainda maior quando chegamos à mecânica.
O #5 BRABUS utiliza dois motores elétricos e tração integral, com uma potência máxima de 475 kW, equivalentes a 646 cv, e 710 Nm de binário.
O resultado é uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 3,8 segundos e uma velocidade máxima de 210 km/h.
Tudo isto num automóvel cuja tara indicada pela Smart é de 2.378 quilos.
É difícil imaginar números mais distantes daquilo que durante décadas associámos ao nome Smart.
Mas esta transformação não aconteceu por acaso.
A atual Smart resulta da parceria entre a Mercedes-Benz e o grupo chinês Geely. A marca abandonou progressivamente a fórmula dos pequenos citadinos que a tornou conhecida e construiu uma nova gama exclusivamente elétrica, começando pelo #1 e pelo #3 e chegando agora ao #5.
Este último é o maior Smart de sempre.
Bateria de 100 kWh e 540 km de autonomia
A dimensão também permitiu instalar uma bateria muito maior.
O #5 BRABUS utiliza uma bateria NCM com 100 kWh de capacidade bruta e 94 kWh úteis, suficiente para uma autonomia homologada de até 540 quilómetros no ciclo WLTP.
O consumo combinado anunciado é de 19,9 kWh/100 km.
Mas talvez o número mais interessante esteja no carregamento.
A arquitetura elétrica de 800 volts permite atingir uma potência máxima de 400 kW em corrente contínua. Num posto capaz de fornecer essa potência e em condições ideais, a Smart anuncia uma passagem dos 10 aos 80% da bateria em 18 minutos.
Em corrente alternada, aceita até 22 kW.
Dois grandes ecrãs e tecnologia por todo o lado
Se o exterior já está longe dos antigos Smart, o interior segue a mesma direção.
O habitáculo aposta fortemente na digitalização, com dois ecrãs de 13 polegadas no tablier, aos quais se junta o painel de instrumentos diante do condutor.
Na versão BRABUS há ainda um sistema de som Sennheiser com configuração 20+6 e Dolby Atmos, além de modos de condução específicos.
O ‘Top Gear’ admite que a quantidade de funcionalidades exige habituação — outra diferença curiosa face aos Smart originais, cuja simplicidade fazia parte da própria proposta.
Afinal, ainda é um Smart?
Talvez esta seja a pergunta que melhor resume o #5.
A Smart nasceu para responder a um problema urbano com automóveis extremamente pequenos. Hoje, apresenta-se como uma marca de elétricos premium e o #5 coloca-a diretamente no concorrido segmento dos SUV elétricos de tamanho médio.
O BRABUS leva essa transformação ao extremo.
Tem cinco lugares, uma bagageira de 630 litros, pode rebocar até 1.600 quilos, oferece 540 quilómetros de autonomia e acelera como um verdadeiro desportivo.
A própria Smart parece perfeitamente consciente da distância percorrida.
Depois do #1, #3 e agora #5, prepara para 2027 precisamente o movimento inverso: o #2, um novo elétrico urbano de dois lugares que deverá recuperar parte do espírito do antigo Fortwo.
Até lá, o #5 BRABUS representa o outro extremo da nova Smart.
A marca que ensinou uma geração a pensar pequeno constrói agora um SUV elétrico de 646 cv e quase 4,70 metros.
Há ainda um detalhe que acho ótimo termos acrescentado: o #2 está oficialmente anunciado para 2027. Ou seja, o fecho ganha uma espécie de círculo completo — a Smart tornou-se enorme com o #5, mas já prepara o regresso ao pequeno citadino de dois lugares que está na origem da marca.






