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Um elétrico pode ter a bateria cheia e mesmo assim não arrancar. A Leapmotor quer acabar com o culpado

Automonitor

Tecnologia foi apresentada durante o Leapmotor Tech Day 2026 e deverá começar a chegar aos veículos da marca em 2027, segundo o ‘L’Automobile Magazine’

Um carro elétrico pode ter centenas de quilómetros de autonomia disponíveis na bateria principal e, ainda assim, ficar completamente imobilizado por causa de uma bateria muito mais pequena que os automóveis utilizam há décadas.

É a bateria de 12 volts.

E a Leapmotor, marca chinesa que tem na Stellantis a sua principal parceira para a Europa, quer simplesmente eliminá-la dos seus futuros automóveis.

A tecnologia foi apresentada durante o Leapmotor Tech Day 2026 e deverá começar a chegar aos veículos da marca em 2027, segundo o ‘L’Automobile Magazine’.

A ideia passa por integrar as funções atualmente asseguradas pela bateria auxiliar de 12 V no próprio sistema energético de alta tensão do automóvel.

Porque precisa um elétrico de uma bateria de 12 V?

Pode parecer estranho. Um automóvel elétrico já transporta uma enorme bateria de alta tensão debaixo do piso, mas continua a precisar de uma pequena bateria auxiliar semelhante à utilizada nos automóveis a gasolina e gasóleo.

As duas desempenham funções diferentes.

A bateria principal armazena a energia necessária para mover o automóvel. Já o circuito de baixa tensão alimenta uma grande quantidade de sistemas: iluminação, ecrãs, unidades de controlo, sistemas de segurança e outros equipamentos elétricos.

Mais importante ainda, a bateria de 12 V participa no processo que permite ativar o sistema de alta tensão.

Por isso, pode acontecer uma situação aparentemente absurda: a bateria principal tem carga suficiente para percorrer centenas de quilómetros, mas uma bateria de 12 V descarregada impede o automóvel de ficar operacional.

E não se trata de um problema raro.

Segundo a estatística de avarias de 2026 do clube automóvel alemão ADAC, a bateria de 12 V continua a ser a causa mais frequente de assistência rodoviária. Nos automóveis elétricos, representa aproximadamente metade das ocorrências registadas.

Os elétricos continuam, ainda assim, a revelar menor propensão para avarias do que modelos equivalentes com motores de combustão.

A Leapmotor quer eliminar uma bateria inteira

Em vez de tentar tornar a bateria auxiliar mais resistente, a Leapmotor decidiu seguir outro caminho: deixar de precisar dela.

A nova arquitetura anunciada pela fabricante pretende fazer com que os sistemas de alta e baixa tensão utilizem as mesmas células e módulos, partilhando também a gestão térmica e a distribuição de energia.

Na prática, as funções atualmente dependentes da bateria auxiliar passam a ser asseguradas a partir do sistema energético principal do automóvel através da eletrónica necessária para alimentar os circuitos de baixa tensão.

Isso permitiria retirar dos futuros modelos a tradicional bateria de chumbo-ácido de 12 V.

A Leapmotor fala numa reformulação profunda da arquitetura elétrica do veículo e pretende introduzir a solução numa nova geração de modelos a partir de 2027.

O que ganha o condutor?

Em teoria, há várias vantagens.

Desaparece uma peça que envelhece, pode descarregar inesperadamente e necessita eventualmente de substituição. Menos componentes podem significar também menos manutenção, menor peso e uma arquitetura elétrica mais integrada.

Existe ainda a componente ambiental.

As baterias convencionais de 12 V utilizam habitualmente chumbo-ácido e, apesar de serem altamente recicláveis quando entram nos circuitos adequados, continuam a exigir matérias-primas, produção, transporte e posterior tratamento.

Eliminar milhões destas baterias poderia, por isso, reduzir a quantidade de componentes produzidos ao longo da vida dos automóveis.

Mas há uma pergunta que só o tempo poderá responder

Retirar a bateria de 12 V resolve um ponto conhecido de vulnerabilidade, mas também altera profundamente a forma como os diferentes sistemas elétricos do automóvel estão separados.

A Leapmotor ainda não revelou todos os detalhes técnicos da solução, pelo que será necessário perceber como funcionará a redundância do sistema e o que acontece perante uma falha da bateria principal ou da eletrónica responsável por fornecer baixa tensão.

E, sobretudo, será necessário esperar pelos automóveis nas estradas.

Uma arquitetura que funciona em laboratório e durante os primeiros anos de utilização terá de provar que continua fiável depois de centenas de milhares de quilómetros, diferentes temperaturas e milhares de ciclos de utilização.

Se funcionar como anunciado, porém, os futuros proprietários de um Leapmotor poderão deixar de viver uma das situações mais frustrantes de um automóvel elétrico.

Ter uma enorme bateria carregada debaixo do carro — e não conseguir arrancar porque a pequena bateria de 12 volts decidiu ficar sem energia.