A indústria chinesa de motos habituou o mercado europeu a propostas competitivas sobretudo nos segmentos de pequena e média cilindrada. A CFMoto quer provar que essa fase ficou para trás. E está a fazê-lo com uma superbike V4 capaz de entrar num território que, até há pouco tempo, parecia reservado às grandes fabricantes europeias e japonesas.
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A V4 SR-RR continua oficialmente a ser um protótipo, mas deixou há muito de ser apenas uma moto criada para chamar a atenção num salão. Nos últimos dias regressou à pista e, desta vez, a CFMoto colocou-a nas mãos de três pilotos ligados ao Mundial: David Alonso, Dani Holgado e Máximo Quiles.
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Segundo o ‘Motorcycles.News’, o teste foi realizado em conjunto com a Aspar Team, estrutura com a qual a CFMoto mantém uma relação próxima na competição, e representa uma nova etapa no desenvolvimento daquela que deverá tornar-se a moto mais sofisticada alguma vez produzida pela marca chinesa.
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O momento também está a alimentar outra possibilidade: esta poderá ser a máquina que abrirá à CFMoto as portas do Mundial de Superbike. Pode ver o vídeo aqui.
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Um V4 criado de raiz
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No centro da V4 SR-RR está um motor V4 a 90 graus desenvolvido pela própria CFMoto. Mais do que os números — que colocamos na ficha técnica no final deste artigo — interessa uma das soluções escolhidas pela fabricante: a cambota contrarrotante, tecnologia utilizada também no MotoGP.
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Ao rodar no sentido contrário ao das rodas, ajuda a contrariar parcialmente os efeitos giroscópicos e procura tornar a moto mais ágil nas mudanças de direção.
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Segundo a publicação especializada, a CFMoto afirma possuir mais de 40 patentes relacionadas com este motor.
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A ambição também se percebe na procura por uma relação peso/potência capaz de colocar a V4 SR-RR no mesmo território de máquinas como a Ducati Panigale V4, BMW M 1000 RR, Honda CBR1000RR-R Fireblade ou Kawasaki Ninja ZX-10RR.
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Ou seja, a CFMoto não está simplesmente a construir a moto mais potente da sua história. Está a tentar entrar num dos segmentos mais exigentes e prestigiados da indústria.

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As asas mexem-se
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A fabricante chinesa também não se limitou a procurar potência.
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Um dos elementos mais invulgares da V4 SR-RR está na frente da moto. As asas aerodinâmicas são ativas e conseguem alterar eletronicamente a sua posição de acordo com as condições de condução.
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O objetivo é aparentemente contraditório: reduzir a resistência ao ar quando é preciso acelerar e aumentar a pressão sobre a dianteira quando a velocidade exige maior estabilidade.
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Parte desse trabalho foi realizado em Itália. A aerodinâmica da superbike passou pelo túnel de vento da Pininfarina, enquanto a afinação das suspensões está a ser desenvolvida em colaboração com a Öhlins.
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A eletrónica acompanha a ambição mecânica, com vários sistemas de assistência apoiados por uma plataforma inercial.
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Já ultrapassou os 315 km/h
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Há, contudo, um número que merece permanecer fora da ficha técnica porque ajuda a explicar a importância deste projeto.
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A 15 de junho, um protótipo de pré-produção atingiu 315,82 km/h numa pista de testes em Shangrao, na província chinesa de Jiangxi.
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Segundo o ‘Motorcycles.News’, a velocidade foi medida por GPS e o teste foi acompanhado por um centro estatal de ensaios de Chongqing e por um cartório de Hangzhou. A CFMoto sustenta que não se tratava de uma moto de competição especialmente modificada para alcançar aquele resultado.
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A marca apresenta o registo como um recorde para uma moto chinesa com motor de combustão.
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E é precisamente aqui que a V4 SR-RR começa a assumir uma importância que ultrapassa a ficha técnica. A questão já não é apenas saber se uma fabricante chinesa consegue produzir uma superbike capaz de apresentar números comparáveis aos das referências do segmento. É perceber até onde pretende levá-la.
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Três pilotos do Mundial já a experimentaram
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Os testes mais recentes ajudam a responder.
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David Alonso, Dani Holgado e Máximo Quiles experimentaram o protótipo, ainda coberto por uma decoração camuflada destinada a esconder alguns dos detalhes da versão em desenvolvimento.
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A escolha dos pilotos não é casual. Todos estão ligados à estrutura da Aspar Team, parceira da CFMoto no Mundial, permitindo à fabricante aproximar o desenvolvimento da sua superbike de estrada da experiência adquirida na competição.
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O GPOne acrescenta que Matteo Ferrari também tem realizado testes com a moto ao longo do último ano.
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É aqui que aparece uma hipótese cada vez mais discutida no paddock.

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Próxima paragem: Mundial de Superbike?
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A CFMoto ainda não anunciou oficialmente um programa para entrar no WorldSBK. Mas várias publicações internacionais apontam a V4 SR-RR como a base natural para essa eventual estreia.
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O GPOne avança mesmo 2028 como horizonte provável para uma entrada no Mundial de Superbike, depois da chegada da versão de produção ao mercado, que a publicação aponta para 2027. A fabricante, contudo, ainda não confirmou oficialmente esse calendário para a competição.
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Existem igualmente questões por resolver, entre elas a estrutura que poderia representar a CFMoto no campeonato.
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A possibilidade faz sentido por outra razão. O Mundial de Superbike é disputado com motos derivadas de modelos de produção, tornando uma V4 de estrada com estas características numa plataforma potencial para um projeto de competição.
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E o movimento não está a acontecer isoladamente. O GPOne destaca que outros fabricantes chineses estão a investir em projetos de altas prestações, incluindo a ZXMoto, que trabalha numa futura desportiva com motor V5.
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A estratégia recorda a fórmula que durante décadas ajudou fabricantes japoneses como Honda, Yamaha, Kawasaki e Suzuki a construir reputação mundial: utilizar as corridas como montra tecnológica para valorizar toda a gama.
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A CFMoto ainda tem de transformar a V4 SR-RR numa moto de produção e provar aquilo que consegue fazer perante as superbikes estabelecidas. Mas uma barreira já caiu: uma fabricante chinesa tem agora um V4 próprio, uma superbike desenvolvida com especialistas europeus e um protótipo que já ultrapassou os 315 km/h.
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E isso seria difícil de imaginar há poucos anos.
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Ficha técnica | CFMoto V4 SR-RR
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Motor: V4 a 90 graus, quatro tempos, refrigeração líquida
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Cilindrada: 997 cc
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Potência: mais de 210 cv
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Regime máximo: 15.000 rpm
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Cambota: contrarrotante
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Peso: cerca de 180 kg a seco; objetivo inferior a 200 kg em ordem de marcha na versão de produção
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Velocidade máxima já registada: 315,82 km/h em protótipo de pré-produção
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Aerodinâmica: asas dianteiras ativas; redução anunciada de 12% da resistência aerodinâmica em aceleração e aumento de 45% da carga aerodinâmica sobre a roda dianteira a alta velocidade
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Desenvolvimento aerodinâmico: túnel de vento da Pininfarina
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Suspensões: desenvolvimento em colaboração com a Öhlins
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Eletrónica: plataforma inercial de seis eixos, ABS em curva, controlo de tração, quickshifter bidirecional, assistência ao arranque em subida e cruise control
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Estado do projeto: protótipo em desenvolvimento; versão de produção ainda não apresentada
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Possível chegada ao mercado: 2027, segundo o GPOne; ainda sem confirmação oficial da CFMoto
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Possível estreia no WorldSBK: 2028, segundo o GPOne; ainda sem confirmação oficial da marca






