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Esta Ducati acelera mais depressa do que muitos supercarros. E nem precisa de sair da primeira mudança

Esta Ducati acelera mais depressa do que muitos supercarros. E nem precisa de sair da primeira mudança
Automonitor

A marca italiana criou uma das motos de estrada mais impressionantes da sua história, combinando um motor inspirado na competição com soluções técnicas destinadas a aproveitar cada fração de segundo na aceleração

Há automóveis desportivos que precisam de centenas de milhares de euros e de motores extraordinariamente potentes para acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de três segundos. A Ducati Diavel V4 RS consegue fazê-lo em apenas 2,52 segundos, com 182 cv e um detalhe particularmente curioso: a primeira mudança é suficiente para atingir essa velocidade.

A marca italiana criou uma das motos de estrada mais impressionantes da sua história, combinando um motor inspirado na competição com soluções técnicas destinadas a aproveitar cada fração de segundo na aceleração.

Mas esta Ducati também ajuda a explicar uma questão interessante: se as motos têm uma relação peso/potência tão favorável, porque não conseguem continuar a acelerar cada vez mais depressa?

Duas rodas, 182 cv e uma primeira mudança que vale por muitas. Não desligue o motor por aqui! Siga a Automonitor no LinkedIn e no Instagram.

O segredo está na primeira mudança

A Diavel V4 RS, frisou o site ‘Supercar Blondie’, utiliza o motor Desmosedici Stradale V4 de 1.103 cc, capaz de desenvolver 182 cv e 120 Nm de binário.

É uma mecânica derivada da experiência da Ducati na competição, acompanhada por uma caixa de seis velocidades e um conjunto de sistemas eletrónicos que ajudam a controlar a potência transmitida à roda traseira.

Um dos detalhes mais interessantes está no regime máximo do motor. Enquanto nas restantes mudanças o limitador atua às 13.500 rotações por minuto, em primeira só entra em funcionamento às 14.000 rpm.

Esta diferença permite à Diavel atingir aproximadamente 100 km/h sem passar para segunda, evitando a interrupção momentânea da transmissão de potência que ocorre durante uma mudança de velocidade.

O resultado é uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,52 segundos, valor alcançado pelo piloto Marc Márquez durante os testes da marca.

A Ducati apresenta-a como a moto de produção com a aceleração mais rápida da sua gama.

Porque não aceleram as motos ainda mais depressa?

A explicação está na física.

Uma moto de elevada potência pode ter uma relação peso/potência superior à de muitos automóveis desportivos. Mas isso não significa que consiga transformar toda essa vantagem em aceleração.

Quando o motociclista acelera violentamente, o peso transfere-se para a traseira. Se a força aplicada for demasiado elevada, a roda dianteira pode levantar-se do chão, provocando um cavalinho involuntário.

É aqui que entra um dos grandes desafios dos engenheiros: encontrar o equilíbrio entre aproveitar a potência disponível, manter a roda dianteira controlada e garantir aderência suficiente na roda traseira.

Nos automóveis, a maior distância entre os eixos, a distribuição de massas e a presença de quatro rodas permitem gerir a aceleração de outra forma. Nas motos, o risco de levantamento da frente pode tornar-se um fator limitador antes mesmo de se esgotar a capacidade do motor.

Por isso, mais cavalos nem sempre significam uma aceleração proporcionalmente superior.

E porque não apostar simplesmente num motor elétrico?

Os motores elétricos conseguem disponibilizar binário praticamente desde o arranque, uma característica especialmente interessante para acelerar rapidamente.

No entanto, numa moto muito potente, essa resposta imediata também exige um controlo rigoroso da entrega de força à roda traseira.

Isso não significa que uma moto elétrica seja necessariamente mais difícil de conduzir ou menos segura. A eletrónica pode gerir o binário e a tração, tal como acontece nas motos de combustão de elevado desempenho.

A questão é que a aceleração continua sujeita aos mesmos limites físicos: aderência, transferência de peso e tendência para levantar a roda dianteira.

Existe ainda outro fator que ajuda a explicar a preferência de muitos entusiastas pelas motos de combustão: a experiência de condução.

O som do motor, a subida de rotações e a passagem das mudanças continuam a fazer parte do prazer procurado por muitos motociclistas, sobretudo nos modelos mais desportivos.

A Diavel V4 RS explora precisamente essa dimensão emocional, com uma embraiagem a seco e um motor V4 que sobe até regimes elevados.

No fundo, a Ducati demonstra que não é necessário ter quatro rodas para alcançar números dignos de um supercarro. Mas também recorda que, numa moto, o verdadeiro desafio não é apenas produzir potência: é conseguir utilizá-la sem perder o controlo.