Por Jorge Farromba
Quando há uns anos as marcas resolveram criar um motor que servisse vários modelos e marcas percebeu-se que o mercado iria mudar. Veio com isso, aquilo que em Gestão e mesmo em Marketing afloramos – concentrar parte da mesma indústria num grupo e, com isso retirar dividendos da mesma, seja nas sinergias, mas sobretudo na redução de custos. Ou seja, podemos ter motores, caixas de velocidades, painéis, volantes etc, todos iguais mas posteriormente o design exterior e o ADN da marca marcam presença.
E hoje as marcas fizeram esse caminho.
A Nissan com a Infinity; a Toyota com a Lexus, a Citroën com a DS e agora a SEAT com a CUPRA. Cada uma com um propósito diferente, mas cada uma a conseguir capitalizar para si um novo target. E é meritório olhar para uma marca e pensar no que ela arrisca ao criar uma outra marca, onde não tem (ainda) público e onde os custos para lhe dar visibilidade e tornar rentável são gigantescos.
No particular da SEAT esta criou a Cupra, a divisão desportiva da marca. E, diria que em boa hora, pois todo o marketing com que a idealizou, mas sobretudo os cuidados no posicionamento, nos elementos visuais, na diferenciação, tornaram-na desde o primeiro dia num caso de sucesso. E diria que a aposta no azul e sobretudo no cobre como ícone (que associamos a luxo e irreverência) marcaram pontos.
E o que tem isto que ver com o CUPRA BORN?
Tudo e nada!
A marca resolveu utilizar a base do VW ID.3 e reinterpretar o conceito. Já antes o fazia quando associada à SEAT mas agora pode ir mais longe.
As alterações visuais do Cupra transformam o alemão ID3 num latino Born, mais personalizado, mais irreverente, mais emotivo. E, para tal altera a sua estética frontal e traseira, utiliza cores como o azul e o cobre para o diferenciar, seja no logo da marca ou nas JLL de 20”.
Se exteriormente o Born – o elétrico Cupra – assume-se como mais desportivo, quando comparado com o VW ID3, com quem partilha quase tudo, também no interior a marca assume a postura desportiva, com uns bancos desportivos com encostos de cabeça incorporados e com a possibilidade de aumentar o comprimento do mesmo banco. O painel de instrumentos é, tal como no ID3, solidário com o volante (avança e recua com o volante) numa ergonomia e usabilidade que se saúda e onde incorpora também o comando da caixa – que exige 30 minutos de habituação para assimilarmos. O écran central domina todo o tablier e possui um excelente grafismo e usabilidade (é fácil e intuitivo navegar nele). Já os botões touch obrigam a desviar os olhos da estrada, talvez por não serem retro iluminados e não terem texturas diferentes – e por vezes, não sabemos se estamos a subir o volume ou a mexer no AC.
De resto, é um prazer estar sentado ao volante do Cupra, com estes bancos elétricos, aquecidos e envolventes. Na tentativa de minimizar botões, só temos dois botões para os vidros elétricos, onde clicando em “Rear”, esses mesmos botões servem para os vidros traseiros, numa solução que não se afigura muito prática.
E em estrada?
A primeira perceção que retenho é que no trânsito o mesmo cativa a atenção das pessoas, ou seja, gostam do modelo. Pessoalmente concordo e, ao longo dos vários percursos, encontrei um veículo que se conduz de modo extremamente simples, intuitivo e com um comportamento digno de registo, principalmente quando modificamos o “profile” do ECO ou confort para o Performance ou Individual, onde passamos a ter um “boost” maior, uma maior e mais rápida resposta do acelerador e uma direção mais direta… mas também uma descida da autonomia da bateria.
Este silêncio a bordo do elétrico condiz com a boa insonorização do conjunto, mas onde a emoção ao volante é uma constante e, nos faz esquecer que estamos ao volante de um elétrico com tração traseira.
Em termos de autonomia…
Em termos de preço base este começa nos 40.000€ podendo atingir quase 50.000€ com o nível de equipamento desta versão ensaiada – teto de abrir em vidro, JLL, Bancos, pintura e equipamentos opcionais.
Quase que me remeto à frase da coca cola “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Aos dias de hoje, já convivo bem com os elétricos e os motores a combustão. As marcas têm feito um extraordinário trabalho no desenvolvimento dos elétricos e esquecendo o roncar do motor a combustão, o cheiro do combustível, o elétrico “veio para ficar” (do anúncio criado inicialmente em 1969 pela agência Sonarte, de Artur Agostinho “A Toyota vem para ficar” que depois evoluiu em 1971, para “A Toyota veio para ficar!”
A autonomia em cidade pode chegar perto dos 400 km. Em AE e estrada podemos chegar a valores até 260 km dependendo da capacidade de regeneração das baterias. Em termos de produto a marca lançou um carro de sucesso. Em termos de comportamento e conforto o Born colocou-se num patamar superior. A qualidade dos materiais é de bom nível com muitos plásticos moles, com exceção de alguns nas portas laterais, sem com isso beliscar a boa qualidade de construção e materiais do conjunto.







