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É oficial: o lendário Citroën 2CV regressa em 2028 como carro elétrico para todos os bolsos

Automonitor

O 2CV original nasceu depois da II Guerra Mundial para responder a uma necessidade muito concreta: colocar famílias, trabalhadores e pequenos agricultores sobre rodas a um custo reduzido

A Citroën vai recuperar um dos nomes mais emblemáticos da sua história. O 2CV, modelo que durante décadas simbolizou a mobilidade simples, económica e acessível na Europa, deverá regressar às estradas em 2028, agora em versão elétrica e com uma missão adaptada aos novos tempos: tornar a mobilidade elétrica mais barata e mais próxima do uso quotidiano. O ‘El Economista’ escreve que a marca francesa quer trazer para o presente a filosofia que tornou o modelo original um fenómeno global: simplicidade, baixo custo, praticidade e uma personalidade muito própria.

A confirmação surge num momento em que várias marcas europeias procuram recuperar nomes históricos para acelerar a transição elétrica e, ao mesmo tempo, responder a uma crítica recorrente dos consumidores: muitos veículos elétricos continuam a ser demasiado caros, pesados e complexos para as necessidades reais de quem procura apenas um carro urbano, simples e funcional.

O novo 2CV deverá seguir precisamente o caminho oposto. A Citroën quer apostar num elétrico pequeno, leve e acessível, com menos sofisticação desnecessária e uma lógica mais próxima do automóvel popular do pós-guerra do que dos elétricos premium que dominaram a primeira fase do mercado. Segundo a imprensa especializada, o modelo deverá integrar uma nova família de pequenos elétricos europeus da Stellantis e terá como objetivo ficar abaixo dos 15 mil euros.

O 2CV original nasceu depois da II Guerra Mundial para responder a uma necessidade muito concreta: colocar famílias, trabalhadores e pequenos agricultores sobre rodas a um custo reduzido. O resultado foi um automóvel simples, robusto, confortável em maus pisos e barato de manter, que acabou por se tornar um símbolo cultural francês e um dos modelos mais reconhecíveis da história automóvel europeia.

Agora, quase quatro décadas depois do fim da produção, a Citroën quer repetir parte dessa fórmula no contexto da eletrificação. A ideia não passa por fazer uma cópia nostálgica do passado, mas por recuperar o propósito original do modelo: oferecer mobilidade acessível numa altura em que as cidades apertam as restrições ambientais e em que o preço dos automóveis novos afastou muitos consumidores.

Xavier Chardon, CEO da Citroën, defendeu que o desafio está em reinventar o espírito do 2CV sem ficar preso ao desenho antigo. A lógica, segundo a marca, é lançar um veículo elétrico “essencial, acessível e humano”, capaz de recuperar a ligação emocional do original sem se limitar a um exercício retro.

A apresentação de mais detalhes está prevista para o Salão Automóvel de Paris, em outubro de 2026. Para já, a Citroën ainda não revelou especificações técnicas definitivas, como autonomia, potência, dimensões ou capacidade da bateria. A marca mostrou apenas um primeiro avanço visual, suficiente para indicar que o novo modelo deverá manter alguns elementos de inspiração no 2CV clássico, mas adaptados a uma linguagem de design moderna.

O projeto surge integrado no plano FaSTLAne 2030 da Stellantis, grupo a que pertence a Citroën. A estratégia pretende acelerar a eletrificação, reduzir custos e criar modelos mais competitivos para diferentes mercados. A Stellantis apresentou o plano esta semana, com foco em crescimento, rentabilidade e simplificação industrial até ao final da década.

Até à chegada do novo 2CV, a Citroën continuará a apoiar-se no ë-C3 como uma das suas principais propostas no segmento dos elétricos acessíveis. Mas o regresso do 2CV tem outra carga simbólica: não é apenas mais um urbano elétrico, é a tentativa de transformar um nome histórico numa resposta moderna ao problema do preço dos carros elétricos.

A grande dúvida será perceber se o novo modelo conseguirá repetir, no século XXI, o impacto social e cultural do original. O mercado é hoje mais regulado, mais competitivo e mais exigente, mas a promessa é clara: recuperar a ideia de um carro simples, barato e útil, agora com motor elétrico e pensado para uma Europa onde a mobilidade urbana está a mudar rapidamente.