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Condução autónoma até 2,7 vezes mais rápida? XPENG lança novo acelerador de IA

Automonitor

Solução foi concebida para responder a um dos grandes desafios da próxima geração de condução inteligente: treinar e validar modelos de IA em ambientes virtuais cada vez mais realistas

A XPENG revelou o X-Cache, um novo acelerador de inteligência artificial desenvolvido para aumentar a eficiência dos sistemas de condução autónoma e reduzir os custos computacionais associados à simulação de alta-fidelidade.

A solução foi concebida para responder a um dos grandes desafios da próxima geração de condução inteligente: treinar e validar modelos de IA em ambientes virtuais cada vez mais realistas, sem que a exigência computacional se torne um travão à evolução tecnológica.

Segundo a marca, o X-Cache permite acelerar a inferência entre 2,6 e 2,7 vezes, através de uma abordagem assente na reutilização inteligente de informação visual entre fotogramas consecutivos. Na prática, o sistema identifica elementos do cenário que praticamente não mudam de imagem para imagem — como pavimento, árvores, edifícios distantes ou outros elementos estáveis — e reaproveita cálculos já realizados, evitando processamento redundante.

Esta lógica permite atingir uma taxa de omissão de blocos de 71%, reduzindo significativamente o consumo de recursos e tornando a simulação em larga escala mais eficiente.

Inteligência ‘plug-and-play’ para reduzir custos e acelerar desenvolvimento

Um dos principais argumentos do X-Cache está na sua arquitetura ‘plug-and-play’. Ao contrário de outras soluções que exigem novo treino intensivo dos modelos principais, a tecnologia da XPENG pode ser aplicada diretamente aos modelos existentes, sem necessidade de um processo adicional complexo.

Esta característica permite uma implementação mais leve e rápida, reforçando a capacidade da marca para acelerar ciclos de desenvolvimento, validação e evolução dos seus sistemas de condução autónoma.

A XPENG sublinha que o X-Cache parte de um princípio simples do mundo físico: os cenários visuais evoluem de forma contínua. Ao dividir os vídeos em segmentos temporalmente próximos, o sistema consegue identificar regiões reutilizáveis entre imagens adjacentes e decidir quando é seguro reaproveitar resultados computacionais previamente calculados.

Mais eficiência, mas com mecanismos de segurança integrados

Para evitar que a eficiência comprometa a fiabilidade, a XPENG integrou no X-Cache um mecanismo de segurança baseado numa espécie de ‘impressão digital’ da condução. Este sistema combina ações do veículo, como mudanças bruscas de direção, com informação estrutural da cena analisada, avaliando se a reutilização de dados continua a ser segura.

Em situações críticas — como curvas, mudanças de faixa, cruzamentos ou alterações de semáforos — o X-Cache pode desativar automaticamente a reutilização de dados e regressar ao cálculo completo. O objetivo é prevenir a acumulação de erros e garantir qualidade visual e robustez em cenários complexos.

A marca afirma que a implementação do X-Cache no seu modelo X-World demonstrou estabilidade em ambientes urbanos e de autoestrada, validando a tecnologia para aplicações de escala industrial.

Uma peça no ecossistema de IA da XPENG

O X-Cache passa a integrar a infraestrutura tecnológica da XPENG ao lado de dois outros pilares da marca: o VLA 2.0 e o X-World.

O XPENG VLA 2.0 é responsável pela perceção e tomada de decisão em tempo real. O X-World funciona como motor de simulação, criando ambientes virtuais inferíveis e interativos para treino e validação. O X-Cache assume agora o papel de motor de aceleração, tornando essas simulações mais rápidas, eficientes e economicamente viáveis.

Com esta arquitetura integrada, a XPENG pretende reforçar a evolução contínua dos seus sistemas de condução inteligente, treinando-os de forma intensiva no mundo digital para melhorar a robustez e estabilidade no mundo real.

Da condução autónoma à robótica

Embora o foco imediato esteja na condução autónoma, a XPENG antecipa que o X-Cache possa ter aplicações além do automóvel. A tecnologia poderá ser usada em IA incorporada, robótica e outros sistemas físicos inteligentes, sempre que seja necessário simular interações com o mundo real de forma rápida, eficiente e com custos controláveis.

A empresa considera este avanço mais um passo na sua estratégia de desenvolvimento de IA física, área em que os sistemas digitais não se limitam a interpretar dados, mas passam a aprender, simular e atuar em ambientes físicos complexos.

Com o X-Cache, a XPENG procura assim reforçar a sua posição entre as marcas que estão a transformar o automóvel num sistema inteligente em evolução permanente, onde a condução autónoma depende tanto da estrada como da capacidade de simular milhões de cenários antes de chegar ao mundo real.