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Carros usados em Portugal: fraude na quilometragem aumenta 45% e quatro em cada dez têm registos de danos

Carros usados em Portugal: fraude na quilometragem aumenta 45% e quatro em cada dez têm registos de danos
Automonitor

Os dados constam do Índice de Transparência 2026, divulgado pela carVertical, empresa especializada em relatórios de histórico automóvel, que analisou 23 mercados europeus para avaliar os riscos associados à compra de veículos usados

Comprar um automóvel usado em Portugal exige cada vez mais atenção ao conta-quilómetros. A percentagem de veículos analisados com quilometragem adulterada passou de 3,8% para 5,5% no espaço de um ano, o que representa um aumento relativo de quase 45%. E os problemas não ficam por aqui: quatro em cada dez automóveis verificados apresentam registos de danos.

Os dados constam do Índice de Transparência 2026, divulgado pela carVertical, empresa especializada em relatórios de histórico automóvel, que analisou 23 mercados europeus para avaliar os riscos associados à compra de veículos usados.

Portugal ocupa a 15ª posição da classificação, uma melhoria de um lugar relativamente ao ano anterior. Espanha surge imediatamente acima, no 14º posto, enquanto a Alemanha ocupa a segunda posição e a França a quinta.

Carros usados em Portugal: fraude na quilometragem aumenta 45% e quatro em cada dez têm registos de danos

Mais carros com quilómetros adulterados, mas fraudes de menor dimensão

O estudo revela uma evolução contraditória no mercado português.

Embora a proporção de automóveis com quilometragem adulterada tenha aumentado, a dimensão média das alterações diminuiu.

Em 2025, os veículos identificados com este tipo de fraude apresentavam, em média, 92.928 quilómetros retirados do conta-quilómetros. Em 2026, esse valor desceu para 82.131 quilómetros, uma redução de 11,6%.

Ainda assim, trata-se de uma diferença suficientemente elevada para influenciar o valor comercial de um automóvel e a avaliação do seu desgaste.

“Os condutores ainda não contam com informação suficiente sobre o custo real da fraude na quilometragem. Um conta-quilómetros adulterado, para além de enganar o comprador, inflaciona diretamente o preço pago pelo carro, que vale menos do que é anunciado”, explica Ramūnas Pletkus, especialista de dados da carVertical.

A manipulação da quilometragem pode também dificultar a avaliação das necessidades de manutenção, uma vez que determinados componentes podem apresentar um desgaste superior ao esperado.

Quatro em cada dez carros analisados apresentam registos de danos

Os problemas relacionados com o histórico de acidentes também continuam a ter expressão significativa em Portugal.

Segundo a carVertical, 40,7% dos veículos verificados apresentavam registos de danos, uma percentagem ligeiramente superior aos 40,3% registados no ano anterior.

O valor médio desses danos diminuiu de 3.957 para 3.685 euros.

A existência de um registo de danos não significa necessariamente que o automóvel esteja inseguro ou que a reparação tenha sido mal executada. No entanto, conhecer a natureza e a dimensão das ocorrências é importante para avaliar o estado do veículo antes da compra.

“Aceder a estes dados não é apenas uma questão financeira, mas também uma questão de segurança física para as pessoas que conduzem esses veículos diariamente”, sublinha Ramūnas Pletkus.

Portugal importa menos carros usados do estrangeiro

Outra tendência identificada no estudo é a redução da presença de veículos importados entre os automóveis analisados.

Em 2025, os carros provenientes do estrangeiro representavam 61,5% dos veículos verificados pela carVertical em Portugal. Este ano, a proporção caiu para 53%.

Em contrapartida, a idade média dos automóveis analisados aumentou de 10 para 10,5 anos.

A empresa destaca que os veículos importados podem apresentar desafios adicionais na consulta do seu histórico, sobretudo quando a informação sobre acidentes, quilometragem e anteriores proprietários não é facilmente partilhada entre países.

Quais são os mercados europeus mais seguros para comprar usados?

O Reino Unido lidera novamente o Índice de Transparência, seguido pela Alemanha e pela Suíça. A Finlândia ocupa a quarta posição e a França fecha os cinco primeiros lugares.

No mercado britânico, apenas 2,4% dos veículos analisados tinham origem no estrangeiro, enquanto 4% apresentavam quilometragem adulterada.

Segundo a carVertical, os países mais bem classificados tendem a combinar uma menor dependência de importações com um acesso mais eficaz à informação sobre o histórico dos automóveis.

No extremo oposto da classificação surgem a Ucrânia, a Bulgária e a Letónia.

Na Ucrânia, 76,3% dos veículos analisados eram importados. Na Bulgária, 10,4% apresentavam quilometragem adulterada e 42,8% tinham registos de danos.

Já na Letónia, 58,5% dos automóveis verificados apresentavam registos de danos, enquanto os veículos importados representavam 69,8% do total.

O que deve verificar antes de comprar um carro usado?

Os resultados reforçam a importância de conhecer o histórico de um automóvel antes de concluir a compra.

Além de confirmar a quilometragem anunciada, importa consultar os registos de inspeções, verificar eventuais acidentes e analisar a documentação de manutenção.

Uma inspeção independente por um profissional qualificado pode também ajudar a identificar reparações deficientes, desgaste anormal ou problemas mecânicos que não sejam evidentes numa primeira observação.

O Índice de Transparência 2026 da carVertical foi elaborado com base nos relatórios de histórico automóvel adquiridos pelos clientes da empresa entre setembro de 2025 e agosto de 2026.

A classificação considera seis indicadores: percentagem de veículos com quilometragem adulterada, dimensão média dessa adulteração, proporção de automóveis com registos de danos, valor médio dos danos, percentagem de veículos importados e idade média dos automóveis.

Os resultados refletem, por isso, os veículos consultados através da plataforma e não devem ser interpretados como uma medição exaustiva de todos os automóveis usados vendidos em Portugal.

Ainda assim, o alerta é claro: um conta-quilómetros aparentemente normal e uma carroçaria em bom estado não contam necessariamente toda a história de um carro usado.