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Plymouth tentou ressuscitar o Barracuda em segredo: construiu apenas dois e um desapareceu

Plymouth tentou ressuscitar o Barracuda em segredo: construiu apenas dois e um desapareceu
Automonitor

Tudo começou em janeiro de 1985, na fábrica da Chrysler em Belvidere, no estado de Illinois, nos EUA

O Plymouth Barracuda desapareceu dos concessionários em 1974, mas a sua história não terminou aí. Onze anos depois, oito engenheiros da Chrysler construíram dois exemplares de um sucessor inesperado, com motor turbo e caixa manual. O projeto foi rejeitado, um dos automóveis desapareceu e o outro sobreviveu praticamente desconhecido durante décadas.

Tudo começou em janeiro de 1985, na fábrica da Chrysler em Belvidere, no estado de Illinois, nos EUA. Segundo o ‘MoparInsiders’, uma equipa de oito engenheiros recebeu a missão de desenvolver um automóvel desportivo para a Plymouth, utilizando componentes já existentes no grupo.

A ideia era criar uma alternativa aos Dodge Charger e Shelby Charger da época, recuperando um nome que tinha marcado a história dos automóveis desportivos dos EUA.

O regresso improvável de uma lenda

Lançado em 1964, o Plymouth Barracuda tornou-se um dos modelos mais emblemáticos da marca, sobretudo na terceira geração, produzida entre 1970 e 1974.

Nessa altura, o Barracuda podia receber motores V8 de elevada cilindrada, incluindo o lendário HEMI de 426 polegadas cúbicas, aproximadamente sete litros.

Mas os anos 80 eram muito diferentes. A Chrysler tinha abandonado grande parte das antigas fórmulas de desempenho e apostava em modelos mais compactos, económicos e com motores de quatro cilindros.

Foi neste contexto que os engenheiros decidiram recuperar a designação Barracuda, utilizando como ponto de partida o Plymouth Turismo e componentes do Dodge Shelby Charger.

Havia, contudo, uma condição: só podiam utilizar peças já existentes nos modelos da Chrysler ou no catálogo de acessórios Mopar.

Dois exemplares, um motor turbo e muita imaginação

O resultado foram dois protótipos, um vermelho e outro branco, com uma interpretação muito particular da identidade do Barracuda.

Ambos receberam um motor de quatro cilindros, com 2,2 litros e turbocompressor, associado a uma caixa manual de cinco velocidades.

A carroçaria ganhou elementos destinados a recordar os modelos desportivos da Plymouth, incluindo grafismos inspirados no AAR ‘Cuda de 1970.

O spoiler traseiro foi adaptado do Dodge Daytona, enquanto as grelhas sobre o vidro traseiro vieram do catálogo Mopar. Os faróis de nevoeiro foram aproveitados do Dodge Omni GLH.

O protótipo vermelho tinha interior cinzento, enquanto o branco recebeu um habitáculo vermelho e teto de abrir.

Os automóveis foram preparados na linha de montagem de Belvidere e posteriormente personalizados, numa operação que demonstrava como seria possível criar um novo modelo sem desenvolver uma plataforma de raiz.

A Chrysler não ficou convencida

Em abril de 1985, a equipa levou os dois protótipos à sede da Chrysler, então localizada em Highland Park, no Michigan.

A receção não foi a esperada.

Os responsáveis da empresa rejeitaram a proposta, considerando que a aposta em motores turbo de alto desempenho deveria continuar associada à Dodge, e não à Plymouth.

Ao longo dos anos, surgiram versões segundo as quais Carroll Shelby, envolvido no desenvolvimento de vários modelos desportivos da Chrysler, teria contribuído para travar o projeto.

Mas Mike Wolterman, um dos engenheiros responsáveis pelos protótipos, apresentou uma explicação diferente num testemunho preservado pelo arquivo histórico Hamtramck.

Segundo o engenheiro, a equipa foi rejeitada pelos responsáveis da Chrysler devido ao posicionamento das marcas. Wolterman afirmou não ter conhecimento de que Shelby tivesse sido a razão do cancelamento.

O projeto terminou ali, sem qualquer hipótese de chegar à produção.

Um desapareceu. O outro resistiu ao tempo

Depois do cancelamento, os dois automóveis seguiram destinos diferentes.

O exemplar vermelho terá sido enviado para uma escola técnica no Ohio. O seu paradeiro posterior permanece incerto e existem relatos contraditórios sobre a possibilidade de ter sido destruído.

Já o Barracuda branco sobreviveu.

O automóvel acabou nas mãos de um proprietário da região de Chicago, onde permaneceu durante muitos anos, conservando grande parte da sua configuração original.

A história ganhou nova atenção quando Ryan Brutt, responsável pelo projeto Auto Archaeology, conseguiu localizar o exemplar depois de uma investigação que se prolongou por cerca de duas décadas.

O carro apresentava aproximadamente 60 mil quilómetros e mantinha o motor turbo, a caixa manual, os grafismos exteriores e o característico interior vermelho.

O estado de conservação surpreendeu os entusiastas, sobretudo tendo em conta a raridade do modelo e a ausência de uma produção em série.

O Barracuda que a história quase esqueceu

A Plymouth desapareceu definitivamente em 2001, encerrando uma história iniciada em 1928.

O Barracuda de 1985 ficou como uma das últimas tentativas de recuperar a vertente desportiva da marca, embora nunca tenha ultrapassado a fase de protótipo.

É também um exemplo curioso de como, dentro de um grande construtor automóvel, uma pequena equipa pode desenvolver um projeto completo recorrendo quase exclusivamente a componentes existentes.

Dos dois automóveis construídos, apenas um tem sobrevivência documentada.

E talvez seja essa a maior curiosidade desta história: durante décadas, quase ninguém soube que o Plymouth Barracuda tinha regressado em 1985. Não com um enorme V8, como os seus antecessores mais célebres, mas com um pequeno motor turbo e uma ideia que a Chrysler decidiu deixar pelo caminho.