Com a chegada da chuva, há um problema que pode começar com um simples cheiro desagradável dentro do carro e acabar em tapetes encharcados, bolor ou avarias elétricas. Muitas vezes, a origem está numa acumulação de folhas ou num pequeno escoamento entupido. O Manual Automonitor explica como identificar os primeiros sinais e o que pode fazer antes que os danos se agravem.
O outono reúne duas condições particularmente favoráveis ao aparecimento de humidade nos automóveis: chuva frequente e folhas que se acumulam em zonas por onde a água deveria escoar.
Segundo a organização alemã de inspeção técnica TÜV SÜD, que publicou recomendações sobre este problema em outubro, os escoamentos obstruídos estão entre as causas mais importantes de infiltrações nesta altura do ano. E nem sempre é necessário existir uma falha grave para a água acabar dentro do habitáculo.
1. Comece pelos tapetes, mas não fique pela superfície
Retire os tapetes e passe a mão pelo revestimento do chão, sobretudo junto às portas e debaixo dos bancos.
Se encontrar humidade, tente perceber se está concentrada num local ou distribuída por várias zonas. Um tapete molhado pode resultar simplesmente de sapatos encharcados, mas um revestimento persistentemente húmido, mesmo depois de vários dias sem chuva, merece atenção.
Verifique também se existe água acumulada na zona dos pés do condutor ou do passageiro.
Tenha presente que os materiais de isolamento por baixo da alcatifa podem reter bastante água, mesmo quando a superfície parece praticamente seca.
2. Abra o capô e procure folhas junto ao para-brisas
Este é um dos pontos mais importantes da verificação.
Na zona entre o capô e a base do para-brisas existem, em muitos automóveis, canais destinados a encaminhar a água da chuva para o exterior.
Durante o outono, folhas, pequenos ramos e sujidade podem acumular-se nesses locais e bloquear os escoamentos.
Quando isso acontece, a água pode ficar retida e, dependendo da construção do veículo, acabar por entrar através da zona de admissão de ar da ventilação ou de outros pontos vulneráveis.
Com o carro estacionado e o motor desligado, retire cuidadosamente as folhas que estejam à vista e sejam facilmente acessíveis.
Não desmonte proteções nem introduza ferramentas nos orifícios de drenagem. Se suspeitar de uma obstrução interna, peça uma limpeza numa oficina.
3. Examine os vedantes das portas e da bagageira
Abra as portas e observe as borrachas que fazem a vedação entre a carroçaria e o habitáculo.
Procure cortes, deformações, zonas descoladas ou acumulações de sujidade que possam impedir o contacto correto.
Passe um pano macio pelos vedantes e retire folhas ou resíduos presos nas zonas de contacto.
Faça a mesma verificação na tampa da bagageira.
Se encontrar borrachas danificadas ou água a entrar junto a uma porta, não tente resolver o problema com silicone de construção ou outros produtos improvisados. A reparação pode exigir a substituição do vedante ou a identificação de uma falha de montagem.
4. Verifique a bagageira e o compartimento da roda suplente
Uma infiltração nem sempre se manifesta junto dos bancos.
Levante o revestimento da bagageira e, se existir, a cobertura do compartimento da roda suplente.
Procure vestígios de água, manchas, cheiro a mofo ou sinais de corrosão.
A humidade nesta zona pode estar relacionada com vedantes da tampa da bagageira, juntas dos farolins traseiros ou outros pontos de entrada de água.
Se encontrar água acumulada, retire os objetos molhados e procure assistência para identificar a origem. Secar a bagageira sem corrigir a infiltração apenas adia o problema.
5. Se o carro tiver teto de abrir, confirme os escoamentos
Os tetos de abrir e panorâmicos podem ter canais e tubos próprios para encaminhar a água para o exterior.
Quando ficam obstruídos, a água pode infiltrar-se pelo forro do teto, pelos pilares ou chegar ao chão do habitáculo.
Observe se existem manchas junto ao teto, humidade nos pilares ou pingos depois de chover.
Se o manual do fabricante permitir uma verificação simples, siga exclusivamente esse procedimento. Caso contrário, deixe a limpeza dos canais e tubos a uma oficina.
Uma intervenção inadequada pode deslocar os tubos de drenagem ou provocar uma infiltração ainda maior.
6. Elimine a humidade, mas só depois de procurar a causa
Se a humidade resultar de sapatos, roupa ou tapetes molhados, retire esses elementos e deixe-os secar fora do automóvel.
Quando as condições o permitirem, areje o habitáculo e utilize a ventilação com entrada de ar exterior. A climatização pode ajudar a reduzir a humidade, embora a função de desumidificação possa ficar limitada quando a temperatura exterior é muito baixa.
Nos casos de infiltração, porém, secar o interior não chega.
A água retida debaixo das alcatifas pode favorecer o aparecimento de bolor, corrosão e problemas em componentes elétricos.
Se encontrar o chão encharcado, água acumulada ou sinais de humidade persistente, procure uma oficina para localizar a entrada de água e verificar os materiais afetados.
O que nunca deve fazer
Nunca ignore um cheiro persistente a humidade, sobretudo quando regressa depois de cada período de chuva.
Não tente desentupir canais de drenagem com ar comprimido de elevada pressão, arames ou ferramentas pontiagudas. Pode danificar os tubos, deslocar ligações ou agravar a infiltração.
Evite também utilizar produtos perfumados para disfarçar o cheiro. Não eliminam a origem da humidade e podem atrasar a identificação do problema.
E não continue a utilizar normalmente um automóvel com água acumulada junto de componentes elétricos, avisos de avaria ou sinais de danos provocados por inundação sem uma avaliação técnica.
Uma verificação de cinco minutos pode evitar uma reparação dispendiosa
Antes de deixar o carro estacionado durante vários dias de chuva, vale a pena retirar as folhas acumuladas junto ao para-brisas, verificar os vedantes e confirmar que os tapetes e a bagageira estão secos.
São cuidados simples, que não exigem conhecimentos de mecânica e podem ajudar a identificar um problema enquanto ainda é pequeno.
Porque, quando o carro começa a cheirar a humidade, a pergunta mais importante não é como eliminar o cheiro. É perceber de onde vem a água.
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