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Moto Guzzi quer conquistar uma nova geração: The Trip recupera o prazer das motos simples

Moto Guzzi quer conquistar uma nova geração: The Trip recupera o prazer das motos simples
Francisco Laranjeira

Apresentada no âmbito do Salão de Milão, a EICMA 2026, a The Trip inaugura uma nova geração de modelos da Moto Guzzi

Num mercado em que a potência, a eletrónica e as prestações parecem estar numa corrida permanente, a Moto Guzzi decidiu seguir um caminho diferente. A nova The Trip 500 é uma roadster de quase 48 cv, compatível com a carta A2, que aposta no baixo peso, na facilidade de condução e no prazer de andar de moto. E representa uma mudança importante na história da marca italiana.

Apresentada no âmbito do Salão de Milão, a EICMA 2026, a The Trip inaugura uma nova geração de modelos da Moto Guzzi. Segundo a marca, a ideia foi desenvolver uma moto capaz de agradar tanto a quem está a começar como a motociclistas experientes que procuram uma máquina menos exigente para utilizar todos os dias.

A filosofia é simples: uma moto não precisa de potência excessiva ou de uma lista interminável de equipamentos para proporcionar uma boa experiência de condução.

Mas há uma novidade mecânica que merece especial atenção.

Uma Moto Guzzi com um motor diferente

A Moto Guzzi construiu grande parte da sua identidade em torno dos motores bicilíndricos em V, com os cilindros dispostos transversalmente, uma arquitetura que se tornou uma das imagens de marca do fabricante de Mandello del Lario.

Na The Trip 500, porém, encontramos um bicilíndrico em linha, com refrigeração líquida e cambota a 270 graus.

O motor desenvolve quase 48 cv e um binário máximo de 43,5 Nm às 6.500 rpm. Mais interessante para a utilização quotidiana é o facto de 82% desse binário estar disponível logo às 3.000 rpm.

Na prática, a Moto Guzzi pretende oferecer uma resposta consistente a baixas rotações, sem obrigar o condutor a recorrer constantemente à caixa de velocidades.

A configuração do motor procura ainda reduzir as vibrações e proporcionar uma entrega de potência progressiva, adequada tanto ao trânsito urbano como às estradas sinuosas.

Apenas 180 kg e uma posição de condução acessível

Outro dos argumentos da The Trip 500 é o peso anunciado de 180 kg em ordem de marcha, incluindo o depósito de combustível cheio.

A altura do assento é de 790 mm, existindo opções de 770 e 820 mm, para adaptar a moto a diferentes estaturas.

O depósito metálico tem capacidade para 15 litros e integra-se num desenho deliberadamente simples, com superfícies limpas e poucos elementos decorativos.

A estrutura utiliza um quadro em treliça de tubos de aço, enquanto a suspensão dianteira recorre a uma forquilha de 41 mm e a traseira a um monoamortecedor montado lateralmente.

Ambas permitem ajustar a pré-carga da mola.

Na travagem, encontramos um disco dianteiro de 320 mm, com pinça de montagem radial, e um disco traseiro de 220 mm, complementados por ABS de dois canais.

O objetivo é oferecer uma moto intuitiva nas manobras, confortável nas deslocações diárias e suficientemente ágil para proporcionar diversão quando a estrada começa a ter curvas.

Simples, mas não despida de tecnologia

Apesar da filosofia de simplicidade, a Moto Guzzi não dispensou os principais equipamentos eletrónicos.

A The Trip 500 dispõe de acelerador eletrónico Ride-by-Wire, controlo de tração e três modos de condução: Road, Sport e Rain.

Cada um altera a resposta do motor e a intervenção dos sistemas eletrónicos, permitindo adaptar o comportamento da moto às condições da estrada.

A instrumentação utiliza um ecrã TFT circular de 3,6 polegadas, com conectividade para smartphone.

A iluminação é integralmente LED e os comandos do guiador são retroiluminados.

Entre os acessórios disponíveis encontram-se um sistema de navegação por pictogramas e um quickshifter, que permite efetuar mudanças de velocidade sem recorrer à embraiagem nas condições previstas pelo sistema.

Uma nova porta de entrada para o universo Moto Guzzi

A marca italiana pretende chegar a um público mais jovem, mas também recuperar motociclistas que se afastaram das duas rodas ou que procuram uma alternativa mais prática às motos de maior cilindrada.

A The Trip 500 estará disponível em três cores: Black Metropolis, Green Grove e Red Beat.

Está igualmente prevista uma edição especial de lançamento, denominada The Opening.

A chegada aos concessionários está apontada para o início de 2027, embora ainda não tenha sido anunciado um preço para Portugal.

Mais do que acrescentar uma 500 à gama, a Moto Guzzi está a experimentar uma abordagem diferente à sua própria identidade.

O tradicional motor em V deixa de ser obrigatório, mas a marca procura preservar aquilo que considera essencial: uma moto com personalidade, fácil de conduzir e capaz de transformar uma deslocação quotidiana numa boa desculpa para escolher o caminho mais longo.

A Moto Guzzi está a preparar uma nova geração de motos, mas sem esquecer as suas origens. A Automonitor contou recentemente como a marca investiu 50 milhões de euros para modernizar a histórica fábrica de Mandello del Lario, onde produz motos desde 1921. E, para quem acompanha as novidades do Salão de Milão, vale a pena conhecer também as estreias da Honda na EICMA 2026, incluindo uma nova moto de 900 cc e uma Fireblade ainda mais radical.