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Porque é que o lendário Mercedes 190E Evolution II tinha duas baterias? A resposta está nas pistas

Porque é que o lendário Mercedes 190E Evolution II tinha duas baterias? A resposta está nas pistas
Francisco Laranjeira

O Mercedes 190E Evolution II nasceu para conquistar as pistas do DTM e escondia uma curiosidade invulgar: tinha duas baterias, mas uma podia ser retirada. Descubra porquê.

Muito antes de os automóveis elétricos se tornarem protagonistas da indústria, já havia um Mercedes equipado com duas baterias. Mas, no caso do lendário 190 E 2.5-16 Evolution II, apresentado em 1990, a explicação não tinha qualquer relação com a eletrificação. A curiosidade estava ligada às exigências da competição e à necessidade de reduzir cada quilograma quando chegava a hora de entrar em pista.

Segundo o ‘Motor1’, a configuração do modelo permitia retirar uma das baterias na preparação para utilização em circuito, reduzindo o peso e privilegiando o desempenho.

A solução fazia parte da filosofia de um automóvel muito especial, desenvolvido com um objetivo concreto: permitir à Mercedes-Benz competir no Campeonato Alemão de Turismos, o célebre DTM.

Um Mercedes de estrada criado a pensar nas corridas

Apresentado no Salão Automóvel de Genebra de 1990, o Mercedes-Benz 190 E 2.5-16 Evolution II estava longe de ser apenas uma versão mais desportiva do conhecido 190.

Tratava-se de um modelo de homologação, concebido para cumprir os regulamentos que exigiam a produção de um determinado número de automóveis de estrada antes de a correspondente versão de competição poder participar no campeonato.

A Mercedes-Benz fabricou apenas 502 exemplares, dois acima das 500 unidades exigidas.

Esta exclusividade ajudou a transformar o Evolution II num dos Mercedes mais desejados pelos colecionadores, mas a sua verdadeira razão de existir estava nas pistas.

Duas baterias, mas uma podia ficar de fora

Entre as particularidades técnicas do Evolution II encontrava-se a presença de duas baterias, uma característica pouco habitual num automóvel desportivo daquela época.

A explicação, segundo o Motor1 Espanha, estava relacionada com a preparação para competição: uma das baterias podia ser retirada, permitindo reduzir o peso do automóvel quando o desempenho se tornava prioritário.

Num carro concebido para servir de base a uma máquina de corridas, cada quilograma tinha importância.

Esta possibilidade permitia adaptar a configuração às necessidades de utilização, privilegiando a versatilidade na estrada e a redução de peso em circuito.

É importante, contudo, não confundir esta solução com os sistemas de dupla bateria utilizados atualmente em alguns veículos para alimentar equipamentos auxiliares. A particularidade destacada no Evolution II era a possibilidade de retirar uma das unidades na preparação para pista.

Um motor Cosworth e uma aerodinâmica impossível de ignorar

Debaixo do capô encontrava-se um motor atmosférico de quatro cilindros, com 2,5 litros e 16 válvulas, desenvolvido com a colaboração da Cosworth.

Na versão de estrada, debitava 235 cv às 7.200 rpm e 245 Nm de binário, associados a uma caixa manual de cinco velocidades e tração traseira.

O Evolution II anunciava uma velocidade máxima de 250 km/h e cumpria a aceleração dos 0 aos 100 km/h em aproximadamente 7,1 segundos.

Mas era a carroçaria que mais facilmente denunciava as suas ambições.

Os guarda-lamas alargados, as jantes de 17 polegadas, os para-choques específicos e, sobretudo, o enorme aileron traseiro transformavam o discreto Mercedes 190 numa máquina de aparência radical.

E não se tratava apenas de estética. As modificações aerodinâmicas tinham sido desenvolvidas para melhorar a estabilidade e o comportamento a velocidades elevadas, características essenciais num automóvel destinado a competir.

A recompensa chegou em 1992

A aposta da Mercedes-Benz acabou por dar frutos.

Em 1992, Klaus Ludwig conquistou o título de pilotos do DTM ao volante do Mercedes 190 E Evolution II, consolidando o lugar do modelo na história do automobilismo.

Mais de três décadas depois, o Evolution II continua a ser admirado pelo seu desenho, pela ligação às corridas e pela produção extremamente limitada.

E a história das duas baterias é mais um exemplo de como algumas das suas soluções técnicas nasceram de uma prioridade muito diferente daquela que hoje associamos à palavra eletrificação.

Naquele Mercedes, a questão não era ter mais energia disponível para mover o carro. Era saber quanto peso se podia deixar para trás antes de entrar em pista.

O Mercedes 190E Evolution II continua a despertar paixões, mesmo mais de três décadas depois. Prova disso é o projeto da Wahnsinn Wagens, que o reinventou com 700 cv e uma produção limitada a 25 exemplares. Na Automonitor, falámos com o homem por detrás desta extraordinária reinterpretação do clássico alemão.

Duas baterias em 1990? Não, o Mercedes 190E Evolution II não estava à frente do seu tempo na eletrificação. Estava era preocupado em deixar peso nas boxes! Mais histórias destas no LinkedIn e no Instagram da Automonitor.