A Volkswagen tem cerca de 630 robôs numa das suas fábricas na Polónia, utiliza veículos autónomos na logística e recorre à inteligência artificial para controlar a qualidade da produção. Mas, quando chegou a altura de cuidar da relva de uma enorme instalação solar, a solução escolhida foi bastante menos tecnológica: um rebanho de aproximadamente 100 ovelhas.
A história passa-se em Września, na Polónia, onde a Volkswagen produz os veículos comerciais Crafter e MAN TGE. E mostra que, por vezes, uma solução tradicional pode encontrar um lugar inesperado numa das indústrias mais automatizadas do mundo.
Segundo a revista francesa ‘L’Automobile Magazine’, as ovelhas têm uma missão muito concreta: manter a vegetação controlada debaixo de mais de 31 mil painéis solares que ajudam a fornecer eletricidade à fábrica.
31 mil painéis solares e 100 ovelhas
A instalação fotovoltaica ocupa cerca de 27 hectares e tem uma potência de 18,3 megawatts.
Nos dias de maior exposição solar, consegue satisfazer a totalidade das necessidades de eletricidade da unidade industrial. Considerando o ano inteiro, assegura aproximadamente 25% do consumo elétrico da fábrica.
Mas uma instalação desta dimensão exige manutenção regular, incluindo o controlo da vegetação que cresce debaixo e entre os painéis.
É aqui que entram as ovelhas.
Em vez de depender exclusivamente de máquinas para cortar a relva, a Volkswagen recorre a cerca de 100 animais da raça Wielkopolska, originária daquela região da Polónia.
As ovelhas circulam entre as estruturas dos painéis e alimentam-se da vegetação, ajudando a manter o terreno em condições adequadas.
O sistema é conhecido como pastoreio agrivoltaico: uma forma de combinar a produção de energia solar com uma atividade agrícola no mesmo espaço.
E as ovelhas parecem gostar do novo emprego
A iniciativa não se limita à manutenção do terreno.
Em colaboração com a Universidade de Ciências da Vida de Poznań, os responsáveis estão também a estudar os efeitos da instalação solar no comportamento e bem-estar dos animais, na vegetação, no solo e no microclima.
Uma das questões em análise é perceber se a sombra proporcionada pelos painéis pode ajudar a reduzir o stress térmico das ovelhas nos dias mais quentes.
As primeiras observações são encorajadoras.
Segundo a responsável pelo rebanho, os animais adaptaram-se bem ao ambiente e passaram a distribuir-se naturalmente por pequenos grupos, pastando tranquilamente em diferentes zonas da instalação.
O rebanho permanece sob acompanhamento de criadores experientes, pelo que não se trata simplesmente de deixar os animais num terreno e esperar que façam todo o trabalho.
A solução também reduz a necessidade de recorrer regularmente a equipamentos mecânicos para cortar a vegetação, embora não tenham sido divulgados valores concretos sobre eventuais poupanças financeiras.
Uma fábrica que também está a preparar o futuro elétrico
A curiosidade surge numa altura em que a fábrica de Września assinala dez anos de atividade.
Inaugurada em outubro de 2016, é a única unidade industrial do mundo onde são produzidos o Volkswagen Crafter e o MAN TGE.
Em junho de 2026, atingiu a marca de 600 mil veículos fabricados.
Atualmente, sai um veículo das linhas de montagem aproximadamente a cada 163 segundos, numa unidade que emprega mais de três mil pessoas e utiliza centenas de robôs industriais.
A Volkswagen está também a construir dois novos edifícios, com uma área total de cerca de 60 mil metros quadrados, para preparar a produção da próxima geração elétrica do Crafter.
Um dos espaços será destinado ao fabrico da parte inferior da carroçaria, enquanto o outro ficará reservado ao armazenamento de baterias e às operações logísticas associadas.
A conclusão das novas instalações está prevista para o segundo semestre de 2027.
Até lá, a fábrica continuará a combinar automação industrial, energia solar e uma equipa de manutenção bastante invulgar.
Porque, no meio de centenas de robôs, veículos autónomos e sistemas de inteligência artificial, há uma tarefa para a qual a Volkswagen encontrou uma solução com quatro patas.
E que, ao contrário dos corta-relvas, ainda aproveita a pausa para almoçar.






