Estão na dianteira de milhões de automóveis e são reconhecidos em todo o mundo. Mas os três diamantes da Mitsubishi escondem uma história que começou há mais de 150 anos, quando a marca ainda não fabricava carros. E há um detalhe particularmente curioso: foi o símbolo que deu origem ao nome Mitsubishi, e não o contrário.
Há símbolos automóveis que parecem ter existido desde sempre. O da Mitsubishi é um deles. Três losangos vermelhos, unidos num desenho tão simples que dificilmente passa despercebido.
Mas porque foram escolhidos três diamantes? E o que representam?
Para encontrar a resposta, temos de viajar até ao Japão de 1870, numa época em que os automóveis ainda estavam longe de fazer parte do quotidiano.
Nessa altura, uma empresa chamada Tsukumo Shokai assumiu as atividades de navegação do clã Tosa. Yataro Iwasaki, que viria a tornar-se o fundador do grupo Mitsubishi, estava ligado à gestão do negócio.
E foi nas bandeiras dos navios dessa companhia que apareceu o emblema que hoje conhecemos.
O segredo está em dois brasões familiares
Os três diamantes não foram desenhados ao acaso. Resultaram da combinação de dois símbolos tradicionais japoneses.
O primeiro era o brasão da família Iwasaki, formado por três losangos sobrepostos. O segundo pertencia à família Yamauchi, que governava o clã Tosa, e apresentava três folhas de carvalho.
Yataro Iwasaki inspirou-se nos dois desenhos para criar um emblema que reunia elementos de ambos.
O resultado foi uma figura composta por três losangos, que começou por identificar os navios da empresa e acabaria por acompanhar a expansão de um dos maiores grupos industriais japoneses.
Mas a história tem outra surpresa.
Afinal, foi o símbolo que deu nome à Mitsubishi
O próprio nome Mitsubishi descreve os três diamantes.
Segundo a explicação oficial do grupo, “mitsu” significa três, enquanto “hishi” é uma palavra japonesa associada à castanha-de-água e utilizada também para designar uma forma de losango.
Quando as duas palavras são combinadas, a pronúncia transforma “hishi” em “bishi”. Nasce assim a palavra “Mitsubishi”.
Por outras palavras, o nome que hoje associamos a automóveis, motores e tecnologia nasceu de um desenho utilizado nas bandeiras de uma empresa de navegação.
Em 1873, a companhia passou a chamar-se Mitsubishi Shokai, consolidando uma identidade que atravessaria gerações.
Dos navios aos automóveis
Ao longo das décadas seguintes, os três diamantes acompanharam a expansão da Mitsubishi para novas áreas de atividade.
O desenho ganhou a configuração atual em 1910 e foi registado como marca comercial em 1914.
Só depois chegariam os automóveis.
O desenvolvimento do Mitsubishi Model A começou em 1917, tendo o primeiro exemplar ficado concluído em 1918. Considerado o primeiro automóvel de passageiros japonês produzido em série, o modelo já apresentava os três diamantes na grelha dianteira.
A produção foi muito limitada: até 1921, foram construídos apenas 22 exemplares, incluindo protótipos.
Mais de um século depois, o símbolo mantém-se praticamente inconfundível.
E da próxima vez que vir um Mitsubishi na estrada, talvez olhe de outra forma para aqueles três diamantes: antes de chegarem aos automóveis, já navegavam pelos mares do Japão.






