O mercado automóvel europeu está a mudar de forma acelerada. Nos primeiros nove meses de 2026, os carros 100% elétricos ultrapassaram os modelos a gasolina e conquistaram o segundo lugar entre as motorizações mais vendidas. Mas os números de setembro revelam outra transformação: enquanto a Volkswagen mantém a liderança, a Tesla recupera terreno e os fabricantes chineses continuam a crescer.
Os automóveis elétricos já representam quase um quarto das novas matrículas na Europa. É uma das principais conclusões dos dados divulgados pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), relativos aos primeiros nove meses de 2026.
Segundo o ‘Motor1’, entre janeiro e setembro foram matriculados 10.555.351 automóveis novos na União Europeia, nos países da Associação Europeia de Comércio Livre e no Reino Unido, um crescimento de 6,3% face ao mesmo período do ano passado.
Só em setembro, o mercado registou 1.363.210 matrículas, mais 10,2% do que no mesmo mês de 2025.
Mas é na distribuição das motorizações que se encontra uma das mudanças mais significativas.
Os elétricos já ultrapassaram a gasolina
Nos primeiros nove meses do ano, foram matriculados 2.549.810 automóveis 100% elétricos na Europa, um crescimento de 41,9% face ao período homólogo.
Este resultado corresponde a uma quota de mercado de 24,1%, suficiente para ultrapassar os automóveis a gasolina, que representam agora 20,9%.
A diferença já é expressiva: foram matriculados cerca de 341 mil elétricos a mais do que veículos exclusivamente a gasolina.
A liderança, contudo, continua a pertencer aos híbridos convencionais e mild hybrid, que somaram 3.794.062 matrículas e representam cerca de 35,9% do mercado.
É importante distinguir estas tecnologias: os híbridos convencionais combinam motores de combustão e elétricos, mas não necessitam de carregamento externo. Já os elétricos a bateria funcionam exclusivamente com eletricidade.
Gasolina e gasóleo continuam a perder terreno
O crescimento da eletrificação contrasta com o recuo dos motores tradicionais.
Entre janeiro e setembro, as matrículas de automóveis a gasolina caíram 18%, para 2.208.849 unidades.
A descida foi ainda mais acentuada nos veículos a gasóleo, que perderam 19,7% face ao mesmo período de 2025.
Com 643.224 matrículas, os diesel representam apenas 6,1% do mercado europeu considerado.
Em sentido contrário, os híbridos plug-in, que podem ser carregados externamente, cresceram 22,4%, atingindo 1.128.875 matrículas e uma quota de 10,7%.
Os números mostram que a transição não está a acontecer exclusivamente através dos automóveis 100% elétricos: diferentes formas de eletrificação estão a conquistar espaço.
Volkswagen lidera, mas há mudanças entre os fabricantes
No ranking dos grupos automóveis, a Volkswagen mantém uma vantagem confortável.
Em setembro, o grupo alemão registou 308.474 matrículas, apesar de uma descida de 2,9% face ao mesmo mês do ano anterior.
A Stellantis ocupou o segundo lugar, com 172.977 automóveis e um crescimento de 4,5%.
O grupo Renault fechou o pódio, com 114.726 unidades, embora tenha registado uma ligeira quebra de 0,7%.
Nos primeiros nove meses do ano, a Volkswagen mantém também a liderança acumulada, com 25,3% do mercado, seguida da Stellantis, com 14,5%, e do grupo Renault, com 9,2%.
Tesla cresce mais de 70% em setembro
Um dos resultados mais expressivos pertence à Tesla.
A fabricante registou 68.776 matrículas em setembro, mais 72,5% do que no mesmo mês de 2025.
Esta recuperação destaca-se num mercado em que vários fabricantes tradicionais apresentaram resultados mais modestos.
O crescimento da Tesla deve, contudo, ser interpretado no contexto de um único mês, já que as matrículas podem variar significativamente devido aos calendários de entregas.
Ainda assim, o resultado mostra a capacidade da marca para recuperar volume num mercado elétrico cada vez mais competitivo.
As marcas chinesas continuam a ganhar terreno
O outro grande destaque chega da China.
A BYD registou 49.953 matrículas em setembro, um crescimento de 98,7% face ao mesmo mês do ano passado.
A Chery apresentou uma subida ainda mais expressiva, de 185,5%, com 52.801 unidades.
A Geely, por sua vez, alcançou 54.778 matrículas, mais 33,3%.
Mas o crescimento percentual mais impressionante entre os fabricantes destacados pelo Motor1 pertence à Leapmotor.
A marca registou 14.594 matrículas, um aumento de 323,9% em apenas um ano.
Embora estes resultados partam de bases de comparação diferentes, mostram que os fabricantes chineses estão a aumentar a sua presença na Europa.
E alguns já ultrapassam grupos tradicionais em volume mensal de matrículas.
O que revelam estes números sobre o futuro do automóvel?
Os dados mostram um mercado europeu em crescimento, mas também em transformação.
Os automóveis a gasolina e a gasóleo continuam a representar uma parte relevante das vendas, embora estejam a perder quota para as motorizações eletrificadas.
Os híbridos mantêm a liderança, enquanto os elétricos a bateria consolidam o segundo lugar.
Ao mesmo tempo, a concorrência intensifica-se: os grandes grupos europeus continuam a dominar os volumes totais, mas a Tesla e vários fabricantes chineses registam crescimentos expressivos.
Há, contudo, uma distinção importante: estes números dizem respeito às matrículas de automóveis novos, não ao conjunto dos veículos que circulam nas estradas europeias.
Por isso, não significam que os elétricos já sejam mais numerosos do que os automóveis a gasolina no parque automóvel.
O que revelam é a direção das novas compras.
E, nos primeiros nove meses de 2026, essa direção tornou-se mais clara: a eletrificação está a ganhar terreno, enquanto o mercado europeu se torna cada vez mais competitivo.






