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Já se perguntou porque se chama buzina? A história é mais antiga do que o automóvel e há uma surpresa na lei portuguesa

Já se perguntou porque se chama buzina? A história é mais antiga do que o automóvel e há uma surpresa na lei portuguesa
Francisco Laranjeira

É um dos dispositivos mais familiares de qualquer automóvel. Basta pressionar o centro do volante, ou um dos comandos destinados a esse efeito, para produzir um som reconhecido por praticamente toda a gente

Há quem a utilize para avisar de um perigo, quem lhe toque para protestar contra outro condutor e quem não resista a buzinar quando o semáforo fica verde. Mas a buzina tem uma história surpreendente, que começou muito antes dos automóveis. E, em Portugal, a sua utilização está sujeita a regras que muitos condutores desconhecem.

É um dos dispositivos mais familiares de qualquer automóvel. Basta pressionar o centro do volante, ou um dos comandos destinados a esse efeito, para produzir um som reconhecido por praticamente toda a gente.

Mas de onde veio a buzina? E porque é que, em alguns países, é conhecida por “cláxon”?

Dos sinos à invenção que mudou o trânsito

Quando os primeiros automóveis começaram a circular, no final do século XIX, as ruas eram partilhadas com peões, bicicletas, cavalos e carruagens. Avisar os restantes utilizadores da aproximação de um veículo era essencial, mas os sistemas disponíveis estavam longe dos atuais.

Alguns automóveis utilizavam sinos ou apitos. Outros recorriam a pequenas cornetas acionadas através de uma pera de borracha, que o condutor apertava com a mão.

À medida que os automóveis se tornaram mais numerosos e as cidades mais movimentadas, estes dispositivos começaram a revelar limitações. Era necessário encontrar uma solução mais potente e simples de utilizar.

Segundo o ‘El País’, um dos avanços mais importantes surgiu no início do século XX, com o desenvolvimento de uma buzina associada ao inventor Miller Reese Hutchison, posteriormente comercializada pela Lovell-McConnell Manufacturing Company.

O dispositivo ficou conhecido como Klaxon, uma designação inspirada no grego e associada à ideia de produzir um som forte.

Ao contrário das pequenas cornetas manuais, o novo sistema recorria a um mecanismo capaz de fazer vibrar um diafragma metálico, produzindo um ruído intenso e característico.

A tecnologia evoluiu, mas o nome comercial tornou-se tão conhecido que acabou por entrar na linguagem corrente.

Afinal, porque lhe chamamos buzina?

Aqui existe uma curiosidade linguística.

Embora a palavra “cláxon” tenha origem na marca Klaxon, a palavra portuguesa “buzina” é muito mais antiga. Deriva do latim bucina, designação associada a uma corneta utilizada para produzir sinais sonoros.

Ou seja, os portugueses não começaram a dizer “buzina” por causa dos automóveis. A palavra já existia muito antes de alguém pensar em instalar um dispositivo sonoro num veículo.

Com a evolução da indústria, as antigas cornetas foram substituídas por sistemas elétricos, mais compactos e fiáveis. Mas a função essencial manteve-se: avisar os outros utilizadores da estrada.

E é precisamente aqui que começa uma questão importante para os condutores portugueses.

Quando é permitido buzinar em Portugal?

O artigo 22.º do Código da Estrada estabelece que os sinais sonoros devem ser breves e só podem ser utilizados em situações específicas.

A primeira é a existência de perigo iminente. Se outro veículo estiver prestes a provocar um acidente, por exemplo, a buzina pode servir para alertar o condutor.

A segunda aplica-se fora das localidades, quando é necessário avisar outro condutor da intenção de o ultrapassar. A lei também permite sinais sonoros, fora das localidades, em curvas, cruzamentos, entroncamentos e lombas com visibilidade reduzida.

Isto significa que buzinar para demonstrar impaciência num engarrafamento, pressionar um condutor mais lento ou protestar contra uma manobra não constitui, por si só, uma utilização permitida.

Existe ainda uma regra que merece atenção: dentro das localidades, durante a noite, os sinais sonoros devem ser substituídos pelos sinais luminosos, nas condições previstas no artigo 23.º do Código da Estrada.

A legislação prevê exceções para veículos policiais e para veículos em prestação de socorro ou serviço urgente de interesse público. O simples facto de um condutor particular transportar alguém que necessita de assistência médica não lhe confere automaticamente essas prerrogativas.

E quanto pode custar uma buzinadela?

Em Portugal, o incumprimento das regras relativas à duração e à utilização dos sinais sonoros, previstas nos números 1 e 2 do artigo 22.º, é punido com uma coima de 60 a 300 euros.

Também a violação da obrigação de substituir os sinais sonoros por luminosos durante a noite, dentro das localidades, pode dar origem a uma coima de 60 a 300 euros.

As consequências podem ser mais graves quando estão em causa dispositivos sonoros especiais. A instalação ou utilização indevida de avisadores reservados, nomeadamente, a veículos policiais e de socorro, ou a emissão de sinais que possam ser confundidos com os desses equipamentos, pode resultar numa coima de 500 a 2.500 euros e na perda dos objetos.

Assim, da próxima vez que um condutor estiver tentado a buzinar porque o carro da frente demorou alguns segundos a arrancar, talvez valha a pena recordar a história deste pequeno dispositivo.

A buzina foi criada para tornar a circulação mais segura, não para servir de resposta a todos os momentos de impaciência ao volante.