Um radar de velocidade instalado junto a uma estrada francesa acabou por fazer uma viagem bastante invulgar. Foi retirado do local, colocado no reboque de um trator e transportado durante uma manifestação de agricultores, antes de ser abandonado numa rotunda. O protesto aconteceu há cerca de um ano, mas a história só agora teve um desfecho judicial: o responsável foi condenado a pagar mais de 4.000 euros.
O caso aconteceu em Mende, no departamento francês de Lozère, e envolveu um agricultor que participava num protesto contra as medidas adotadas pelas autoridades para combater uma doença que afetava o gado bovino.
Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, o tribunal decidiu condená-lo pelo furto do equipamento, mas não considerou provado o crime de danificação que também lhe era imputado.
Um radar no reboque de um trator
Tudo aconteceu a 24 de outubro de 2025, durante uma manifestação agrícola organizada em Mende.
Na altura, os agricultores franceses contestavam as medidas impostas para combater a dermatose nodular contagiosa, uma doença viral que afeta bovinos e que tinha levado as autoridades a determinar o abate de animais e, em determinadas situações, de explorações inteiras.
A decisão provocou uma forte contestação entre os produtores, que consideravam as medidas excessivas e prejudiciais para a sua atividade.
Foi neste contexto que um dos manifestantes decidiu realizar um protesto pouco convencional.
O agricultor retirou um radar de velocidade instalado junto à estrada nacional RN88, nas proximidades de Can de la Roche, cobriu-o com plástico e prendeu-o ao reboque do seu trator.
Depois, juntou-se ao cortejo de protesto e transportou o equipamento durante vários quilómetros.
O radar acabaria por ser deixado numa rotunda.
A intenção, segundo o relato da publicação francesa, era realizar uma ação simbólica de contestação às autoridades.
O radar voltou ao serviço, mas o caso chegou a tribunal
Embora o equipamento tenha necessitado de reparações antes de voltar a funcionar, o tribunal não considerou demonstrada a responsabilidade criminal do agricultor pela sua danificação.
O desfecho foi diferente relativamente ao furto.
Na decisão proferida a 15 de outubro, o tribunal de Mende considerou o agricultor culpado de ter retirado e transportado indevidamente um equipamento público.
A condenação incluiu uma multa e o pagamento de uma indemnização à administração francesa.
A organização agrícola Coordination rurale, que apoiou o protesto, defendeu publicamente o caráter pacífico e legítimo da ação, enquadrando-a na contestação às medidas sanitárias impostas pelo Estado e pela União Europeia.
Quanto vai custar a viagem do radar?
A decisão judicial traduziu-se numa conta bastante concreta.
O agricultor terá de pagar uma multa de 500 euros, uma indemnização de 3.598 euros à prefeitura e 254 euros de despesas processuais.
No total, são 4.352 euros.
Além disso, terá de frequentar uma ação de formação para a cidadania.
O valor poderia ter sido acompanhado de consequências penais mais graves se tivesse sido condenado pela destruição do radar, uma infração que, em França, pode implicar penas de prisão e multas elevadas, dependendo das circunstâncias.
Neste caso, porém, a condenação ficou limitada ao furto, às obrigações financeiras e à formação determinada pelo tribunal.
A história deixa uma conclusão curiosa: o radar não registou a velocidade do trator, mas a sua viagem acabou por ficar bastante cara ao condutor.
Os tratores também podem protagonizar histórias surpreendentes longe dos campos. A Automonitor contou recentemente como um trator agrícola de 245 cv entrou numa pista de Fórmula 1 e surpreendeu até os engenheiros. Desta vez, não havia radares nem multas, mas o resultado também foi inesperado.
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