Chega a uma estação de carregamento rápido, encontra um posto de 300 kW, liga o automóvel e espera recuperar a bateria em poucos minutos. Mas o ecrã mostra apenas 70 ou 90 kW. O carregador está avariado? Não necessariamente. Há várias razões para esta diferença e algumas podem ser evitadas.
A potência anunciada numa estação representa o máximo que o equipamento pode disponibilizar, não a velocidade garantida para todos os automóveis.
Segundo o clube automóvel alemão ADAC e a rede de carregamento IONITY, a potência efetiva depende sobretudo do veículo, da temperatura da bateria, da percentagem de carga e, em determinadas estações, do número de automóveis ligados.
O seu carro pode ser o primeiro limite
Imagine que conduz um elétrico capaz de carregar, no máximo, a 100 kW. Mesmo que o ligue a um posto de 300 kW, nunca conseguirá aproveitar toda a potência anunciada pela estação.
É o próprio automóvel que estabelece o limite.
Mas há outro pormenor: os 100 kW anunciados pelo fabricante também representam um valor máximo, que normalmente só é atingido durante uma parte do carregamento.
À medida que a bateria fica mais cheia, o sistema de gestão reduz progressivamente a potência para proteger as células.
É a chamada curva de carregamento. Por isso, carregar dos 80% aos 100% pode demorar muito mais do que o condutor imagina.
Bateria fria ou outro carro ligado? A velocidade pode cair
A temperatura também tem um papel decisivo. Se a bateria estiver demasiado fria ou quente, o automóvel limita a potência para evitar danos.
Alguns modelos conseguem preparar antecipadamente a bateria para um carregamento rápido, aquecendo-a ou arrefecendo-a até uma temperatura mais favorável.
Em determinados veículos, basta selecionar uma estação de carregamento rápido no sistema de navegação para ativar essa preparação.
Há ainda um fator menos conhecido: a partilha de potência.
O ADAC alerta que algumas estações dividem a potência disponível quando dois automóveis carregam simultaneamente. Num equipamento de 300 kW, por exemplo, isso pode significar um limite de 150 kW para cada veículo.
Não acontece em todos os postos, porque depende da arquitetura e da capacidade da instalação.
Como conseguir carregar mais depressa?
Há alguns cuidados simples que podem ajudar.
Antes de iniciar uma viagem longa, confirme a potência máxima de carregamento DC do seu automóvel. Não vale a pena escolher um posto exclusivamente pelo número mais elevado se o veículo não conseguir aproveitá-lo.
Se o automóvel permitir o pré-condicionamento da bateria, utilize essa função antes de chegar ao carregador.
Sempre que possível, planeie as paragens para aproveitar a faixa de carregamento mais rápida, frequentemente situada entre cerca de 10% e 80%, embora varie de modelo para modelo.
E, se encontrar vários postos disponíveis, verifique se a potência é partilhada entre tomadas ou equipamentos.
O mais importante é perceber que os 300 kW escritos no carregador não são uma promessa de velocidade constante. São apenas o limite máximo da estação.
Na prática, o tempo de espera depende muito mais da potência que o automóvel consegue manter ao longo do carregamento do que do número anunciado no posto.






