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Vale cerca de 27 milhões de euros e só existem quatro no mundo: o Rolls-Royce mais caro foi visto tranquilamente nas ruas de Londres

Francisco Laranjeira

Londres está habituada a automóveis extraordinários. Ferrari, Lamborghini, Bentley, Rolls-Royce e outros supercarros fazem regularmente parte da paisagem das zonas mais luxuosas da capital britânica… mas este está noutro patamar

É um automóvel que dificilmente se espera encontrar estacionado numa rua. O Rolls-Royce La Rose Noire Droptail, uma criação única cujo valor é estimado em cerca de 32 milhões de dólares — aproximadamente 27 milhões de euros —, voltou a ser visto em Londres. Segundo a ‘Supercar Blondie’, o automóvel foi fotografado junto a alguns dos hotéis mais luxuosos da capital britânica e chegou mesmo a atrair a atenção de um agente de fiscalização de estacionamento.

Londres está habituada a automóveis extraordinários. Ferrari, Lamborghini, Bentley, Rolls-Royce e outros supercarros fazem regularmente parte da paisagem das zonas mais luxuosas da capital britânica.

Mas este está noutro patamar.

O La Rose Noire é a primeira de apenas quatro criações Droptail que a Rolls-Royce decidiu construir para clientes específicos. Não existem dois exemplares iguais: cada um resulta de um processo de encomenda e desenvolvimento individual entre a marca e o respetivo proprietário.

E há um pormenor particularmente curioso: nas imagens, um agente de fiscalização parece mesmo deixar uma notificação no para-brisas daquele que é frequentemente apresentado como o Rolls-Royce mais caro do mundo.

32 milhões de dólares? Há uma ressalva importante

O valor normalmente atribuído ao La Rose Noire ronda os 32 milhões de dólares, cerca de 27 milhões de euros à conversão atual.

É daí que nasce a comparação feita pela Supercar Blondie: seria dinheiro suficiente para comprar mais de 30 Ferrari novos, dependendo naturalmente dos modelos escolhidos.

Mas há uma ressalva importante.

A Rolls-Royce nunca revelou oficialmente quanto o cliente pagou pelo La Rose Noire.

Os 32 milhões de dólares são uma estimativa amplamente divulgada e não um preço confirmado pela fabricante.

Até porque não existe propriamente uma tabela de preços para um automóvel destes.

O programa Coachbuild da Rolls-Royce permite que clientes selecionados trabalhem diretamente com designers e artesãos da marca na criação de automóveis praticamente irrepetíveis.

O La Rose Noire demorou quatro anos a ser desenvolvido.

1.603 pedaços de madeira no interior

Se o preço estimado impressiona, perceber como o carro foi construído ajuda a explicar parte do valor.

A inspiração veio da Black Baccara, uma rosa francesa conhecida pela tonalidade extremamente escura, particularmente apreciada pela matriarca da família que encomendou o automóvel.

A carroçaria utiliza uma cor denominada True Love, desenvolvida especificamente para reproduzir as diferentes tonalidades da flor consoante a luz.

Chegar à pintura final exigiu 150 tentativas.

Mas é no habitáculo que a Rolls-Royce levou o trabalho artesanal a outro nível.

O painel, as portas e outras superfícies recebem um mosaico formado por 1.603 pequenos elementos triangulares de madeira Black Sycamore, destinados a representar pétalas de rosa.

São 1.070 elementos simétricos que formam o fundo e outros 533, em vermelho, distribuídos assimetricamente como pétalas.

Segundo a própria Rolls-Royce, foi o trabalho de marchetaria mais complexo alguma vez realizado pela marca.

O desenvolvimento demorou quase dois anos e a montagem propriamente dita exigiu mais de nove meses.

O artesão responsável trabalhava em sessões de apenas uma hora, num máximo de cinco horas por dia, e chegou a trabalhar em absoluto silêncio numa sala isolada acusticamente para evitar distrações.

E há um relógio que pode sair do carro

Como seria de esperar, os excessos não terminam na madeira.

Integrado no painel encontra-se um Audemars Piguet Royal Oak Concept especialmente encomendado para o La Rose Noire.

O relógio pode ser retirado do automóvel e colocado numa bracelete para ser usado pelo proprietário.

A família pediu ainda à Rolls-Royce um baú de champanhe específico para acompanhar o carro, decorado com o mesmo padrão de pétalas utilizado no habitáculo e equipado com copos de cristal feitos à mão.

O próprio tejadilho é amovível.

Sem ele, o La Rose Noire é um roadster de dois lugares. Instalado, transforma-se num coupé.

Só haverá quatro Droptail

O La Rose Noire foi apresentado em 2023 e inaugurou a família Droptail.

Depois surgiram o Amethyst Droptail e o Arcadia Droptail. No total, a Rolls-Royce estabeleceu que seriam construídas apenas quatro interpretações deste projeto, cada uma concebida especificamente para o cliente que a encomendou.

Não se trata, portanto, de uma edição limitada convencional.

A Rolls-Royce não construiu quatro La Rose Noire. Construiu — e está a construir — quatro Droptail diferentes.

Isso significa que o automóvel visto em Londres é efetivamente único naquela configuração.

Tem 5,3 metros de comprimento, dois metros de largura e apenas dois lugares, recuperando a tradição dos grandes roadsters da marca.

E estava simplesmente nas ruas de Londres

Talvez seja precisamente isso que torna as imagens tão invulgares.

O La Rose Noire poderia passar a vida numa coleção privada climatizada, aparecendo apenas em concursos de elegância e eventos exclusivos.

Em vez disso, o proprietário utiliza-o.

Segundo a ‘Supercar Blondie’, não é sequer a primeira vez que este exemplar aparece nas ruas da capital britânica.

Desta vez, bastou estacioná-lo para que rapidamente surgissem fotógrafos e curiosos à sua volta.

É compreensível.

Há muitos Rolls-Royce em Londres.

Mas encontrar na rua um automóvel único, construído durante quatro anos, com 1.603 peças de madeira aplicadas à mão no habitáculo e avaliado em cerca de 27 milhões de euros é uma experiência bastante diferente.

Sobretudo quando parece haver uma multa de estacionamento à espera no para-brisas.