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Explicador: O carro elétrico ficou sem bateria e parou. E agora? Saiba o que deve fazer

Automonitor

Num carro a gasolina ou gasóleo, a solução parece evidente: encontrar combustível, colocar alguns litros no depósito e continuar viagem. Num elétrico, recuperar de uma bateria de tração sem energia exige outra abordagem.–

O aviso apareceu, a autonomia foi diminuindo, o carro começou a limitar algumas funções e, desta vez, não conseguiu chegar ao carregador.

O automóvel elétrico parou mesmo.

Num carro a gasolina ou gasóleo, a solução parece evidente: encontrar combustível, colocar alguns litros no depósito e continuar viagem. Num elétrico, recuperar de uma bateria de tração sem energia exige outra abordagem.

É preciso chamar um reboque? Pode aparecer alguém e carregar a bateria no local? O automóvel pode ser simplesmente puxado até ao posto de carregamento mais próximo? E há risco de estragar alguma coisa ao rebocá-lo?

Primeiro: retire o carro da estrada, se ainda conseguir

Se o automóvel ainda estiver em movimento quando surgirem os últimos avisos de bateria, a prioridade não deve ser tentar ganhar mais algumas centenas de metros.

Deve procurar imediatamente um local seguro para parar.

Quando a energia disponível chega a níveis extremamente baixos, muitos elétricos começam a limitar progressivamente a potência. É a última oportunidade para abandonar a faixa de rodagem, sempre que seja possível fazê-lo em segurança.

Depois de imobilizado, o procedimento é semelhante ao de qualquer outra avaria: sinalizar a presença do veículo, colocar os ocupantes num local seguro e contactar a assistência em viagem.

O que acontece a seguir já pode ser bastante diferente.

Alguém pode aparecer e carregar o carro ali mesmo?

Pode. Mas não conte que isso esteja sempre disponível.

Existem serviços de assistência equipados com sistemas móveis capazes de fornecer energia suficiente a um automóvel elétrico para este recuperar alguns quilómetros de autonomia.

A lógica é semelhante à de levar alguns litros de combustível a um carro que ficou com o depósito vazio: não se pretende carregar completamente a bateria, apenas fornecer energia suficiente para que o veículo consiga chegar pelos próprios meios a um carregador.

A disponibilidade deste tipo de assistência depende, contudo, do operador, da localização e do equipamento existente. Por isso, quando contactar a assistência, deve indicar desde logo que se trata de um automóvel elétrico que ficou imobilizado por falta de carga.

Se não houver possibilidade de carregar no local, entra em cena a solução mais convencional: transportar o automóvel.

Pode ser rebocado como qualquer outro carro?

Aqui está uma das partes mais importantes.

Não deve assumir que sim.

Um elétrico não deve ser simplesmente preso a outro veículo e arrastado vários quilómetros sem primeiro consultar as instruções específicas do fabricante.

Dependendo da arquitetura do automóvel, deixar as rodas motrizes a rodar durante o transporte pode fazer girar componentes do sistema de propulsão e provocar danos.

Há fabricantes que determinam que o veículo seja transportado numa plataforma, mantendo as quatro rodas fora do chão. Outros admitem métodos alternativos, mas apenas cumprindo condições específicas.

Alguns automóveis dispõem ainda de um modo próprio de transporte ou reboque, destinado a libertar o travão de estacionamento e permitir que o veículo seja deslocado lentamente para cima da plataforma.

A regra mais segura é, portanto, simples: não improvisar.

O manual do automóvel deve indicar exatamente como aquele modelo pode ser transportado.

Mas se a bateria está a 0%, como é que o carro entra no reboque?

Porque a bateria que move o automóvel não é necessariamente a única bateria existente.

Tal como acontece nos carros a combustão, os elétricos têm um sistema elétrico de baixa tensão — atualmente de 12 volts ou, em alguns modelos, com outras tensões — responsável por alimentar vários sistemas auxiliares.

É este circuito que permite, entre outras funções, operar eletrónica, fechos e diferentes sistemas necessários ao funcionamento do automóvel.

Assim, um veículo pode já não ter energia suficiente na bateria de tração para se deslocar e continuar a ter alimentação de baixa tensão para ativar o modo de transporte.

Se também essa bateria estiver descarregada, a operação pode tornar-se mais complicada.

Nalguns modelos é necessário fornecer temporariamente alimentação externa de baixa tensão para conseguir aceder a determinadas funções e preparar o automóvel para ser colocado na plataforma.

Mais uma vez, o procedimento varia de fabricante para fabricante.

Não tente “dar um empurrão” para o motor pegar

Num automóvel antigo com caixa manual, gerações de condutores aprenderam um truque para uma bateria de 12 volts descarregada: empurrar o carro, engrenar uma mudança e tentar colocar o motor a trabalhar.

Num elétrico isso não funciona.

Não existe um motor de combustão para colocar em funcionamento dessa maneira e fazer as rodas girarem não vai devolver à bateria de tração a energia necessária para retomar a viagem.

Mesmo num elétrico com travagem regenerativa, empurrá-lo não constitui uma forma prática de recarregar uma bateria descarregada.

Além de inútil para esse objetivo, movimentar um elétrico de forma não prevista pelo fabricante pode causar problemas.

E ser rebocado para “regenerar” a bateria?

Também não é uma boa ideia.

Há experiências em que um elétrico é puxado por outro veículo enquanto utiliza a regeneração para recuperar energia. Tecnicamente, determinados automóveis conseguem efetivamente converter parte desse movimento em eletricidade.

Isso não transforma, porém, a prática num método de carregamento recomendado.

O sistema de regeneração foi concebido para recuperar energia durante a condução, sobretudo em desacelerações e descidas, e não para transformar o automóvel numa espécie de gerador enquanto é puxado durante quilómetros.

Além das questões de segurança, o procedimento pode contrariar diretamente as instruções de transporte do fabricante.

Ficar sem bateria não é altura para experimentar.

O reboque leva o carro para onde?

Idealmente, para um local onde possa carregar.

Dependendo da situação, poderá ser um posto público próximo, uma oficina, um concessionário ou outro local indicado pela assistência.

E há um detalhe importante: um automóvel que ficou completamente imobilizado pode não começar imediatamente a carregar da mesma forma que um carro que chegou ao posto com alguns quilómetros de autonomia.

O próprio sistema de gestão da bateria mantém margens de proteção precisamente para evitar uma descarga física total das células. O “0%” mostrado ao condutor não significa, em regra, que a bateria tenha literalmente zero energia armazenada.

Ainda assim, deixar a bateria num estado de carga extremamente baixo durante muito tempo não é recomendável.

Depois de chegar a um carregador, deve iniciar a carga assim que possível.

Ficar sem bateria estraga o carro?

Uma ocorrência isolada não significa automaticamente que a bateria tenha ficado danificada.

Os fabricantes estabelecem margens e sistemas de proteção destinados a impedir que o condutor leve as células até uma descarga elétrica verdadeiramente total.

Mas isso não significa que seja saudável transformar os 0% num hábito.

As baterias de iões de lítio não beneficiam de permanecer durante períodos prolongados em estados de carga extremamente baixos. É precisamente por isso que os próprios automóveis multiplicam os avisos muito antes da imobilização.

E há ainda uma consequência bastante mais imediata.

Ficar sem energia num elétrico pode transformar aquilo que seria uma paragem de alguns minutos para carregar numa chamada para a assistência, espera pelo reboque, transporte até um carregador e só depois o início da carga.

Então, o que devo fazer se acontecer?

Se ainda estiver em andamento, procure um local seguro para imobilizar o automóvel em vez de tentar espremer os últimos metros de autonomia.

Depois, contacte a assistência em viagem e explique claramente que o veículo é elétrico e ficou sem energia na bateria de tração.

Não permita que seja rebocado com rodas no chão sem confirmar que esse procedimento é autorizado pelo fabricante e não tente recuperar energia fazendo o automóvel rodar enquanto é puxado.

Se existir assistência móvel de carregamento, alguns minutos ligados a uma unidade portátil poderão ser suficientes para chegar a um posto.

Caso contrário, a plataforma será provavelmente a solução.

Porque chegar aos 0% pode não significar que exista literalmente zero energia dentro da bateria.

Mas quando o carro decide que acabou a viagem, é melhor acreditar nele.

Este Explicador começa precisamente onde terminou o anterior. A Automonitor já explicou o que acontece realmente quando um carro elétrico chega aos 0% de bateria — e porque pode ainda percorrer alguns quilómetros antes de se imobilizar.