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Moeve prepara terreno para a Galp: nova gigante pode juntar 3.500 postos em Portugal e Espanha

Automonitor

A nova organização deverá entrar em vigor, de forma geral, a 1 de janeiro de 2027, depois de um período de transição

A Moeve, antiga Cepsa, vai reorganizar a sua estrutura de gestão numa altura em que acelera a transformação do grupo e prosseguem as negociações para uma possível integração de parte dos seus negócios com a Galp. O comité de gestão será reduzido de dez para oito membros e serão criadas duas grandes áreas: Operações e Comercial.

A nova organização deverá entrar em vigor, de forma geral, a 1 de janeiro de 2027, depois de um período de transição, anunciou a empresa. A Moeve justifica as alterações com a necessidade de acelerar a tomada de decisões e integrar melhor as diferentes áreas do grupo.

A reorganização acontece, porém, num momento particularmente relevante. Moeve e Galp estão a negociar a combinação dos respetivos negócios downstream, operação que poderá dar origem a duas grandes plataformas ibéricas, uma industrial e outra dedicada à mobilidade.

Uma rede que poderá chegar aos 3.500 postos

Se a operação avançar, a vertente de mobilidade juntará as redes de postos de abastecimento das duas empresas, criando uma estrutura com aproximadamente 3.500 localizações, sobretudo em Portugal e Espanha.

O projeto prevê ainda acelerar o investimento em carregamento de veículos elétricos e em novos serviços de mobilidade.

A outra plataforma deverá reunir atividades como refinação, trading, química, biocombustíveis e hidrogénio.

A operação ainda não está fechada. Moeve e Galp anunciaram em janeiro um acordo não vinculativo para avançarem com as negociações e têm indicado que pretendem alcançar um acordo definitivo durante o segundo semestre de 2026. Qualquer integração continuará dependente das condições finais negociadas e das necessárias aprovações empresariais e regulatórias.

Nova estrutura terá duas grandes áreas

É neste contexto que a Moeve decidiu alterar a organização interna.

A nova área de Operações ficará nas mãos de Robin Mooldijk, que chega da Shell e assume funções a partir de 1 de outubro. Com mais de 30 anos de experiência na indústria energética, ficará responsável pela operação dos ativos industriais e pela execução dos novos projetos.

José María Solana, até agora responsável pela divisão de Química, assumirá a liderança da nova área Comercial, que concentrará as relações com clientes, atividade comercial, inovação, desenvolvimento de estratégia e criação de valor nos negócios empresariais.

A empresa pretende, desta forma, aproximar operações industriais e atividade comercial e tirar maior partido da escala do grupo.

Alice Acuña continuará responsável por Trading e Otimização, área que liga as diferentes cadeias de valor através do aprovisionamento e comercialização de energia e produtos químicos, planeamento da produção e logística integrada.

Pierre-Yves Sachet mantém-se à frente da Mobilidade.

Comité de gestão passa de dez para oito membros

A reorganização reduz o comité de gestão de dez para oito elementos.

Além do CEO, Maarten Wetselaar, Robin Mooldijk, José María Solana, Alice Acuña e Pierre-Yves Sachet, permanecerão na estrutura Carmen de Pablo, responsável financeira, Bettina Karsch, responsável pelos recursos humanos, e Virginia Beltramini, diretora jurídica e secretária do conselho.

Carlos Barrasa, Antonio Joyanes e José Manuel Martínez deixam o comité de gestão. Juan Llobell, responsável pelos assuntos corporativos, continuará a reportar diretamente ao CEO.

Da antiga Cepsa à mobilidade elétrica e ao hidrogénio

A mudança acompanha a estratégia Positive Motion, através da qual a antiga Cepsa procura transformar progressivamente o seu modelo de negócio.

A Moeve está a investir em áreas como biocombustíveis de segunda geração, hidrogénio renovável e mobilidade elétrica, ao mesmo tempo que transforma a sua tradicional rede de postos de abastecimento em espaços multienergéticos.

Entre os grandes projetos em execução encontra-se a primeira fase do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, com 300 MW de capacidade de eletrólise, cuja construção arrancou este mês.

A eventual integração com a Galp poderá acrescentar uma nova dimensão a essa transformação. Na mobilidade, as duas empresas ambicionam criar uma rede verdadeiramente ibérica com cerca de 3.500 postos e maior capacidade para investir em carregamento elétrico e novos serviços.

Até existir um acordo definitivo, contudo, Moeve e Galp continuam a operar como empresas independentes.