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Preço dos combustíveis está a empurrar portugueses para os elétricos? Procura sobe 23% no Standvirtual

Automonitor

Os números foram divulgados pelo Standvirtual e têm por base os contactos gerados pelos anúncios publicados na plataforma

A subida dos preços dos combustíveis poderá estar a mudar aquilo que os portugueses procuram quando chega o momento de escolher um automóvel. Nas primeiras semanas de setembro, o interesse por veículos elétricos aumentou 23% no Standvirtual face ao mesmo período de 2025, enquanto a procura conjunta por carros a gasolina e a gasóleo caiu 25%.

Os números foram divulgados pelo Standvirtual e têm por base os contactos gerados pelos anúncios publicados na plataforma. Não representam, portanto, vendas efetivamente realizadas, mas permitem observar a evolução do interesse dos utilizadores num período marcado por fortes oscilações nos preços dos combustíveis.

Atualmente, os automóveis elétricos representam 18,5% do total de contactos gerados pelos anúncios no Standvirtual. Quando são consideradas as restantes motorizações, a procura registou uma quebra de 18% face às primeiras semanas de setembro do ano passado.

A tendência torna-se ainda mais evidente quando se analisam as visualizações. Na primeira quinzena deste mês, os elétricos concentraram 18,9% das visualizações registadas na plataforma, contra 10,66% no período equivalente de 2025 — uma subida de aproximadamente 8,2 pontos percentuais.

Em termos homólogos, as visualizações dos anúncios de automóveis elétricos aumentaram 26%. No sentido contrário, os veículos a gasóleo perderam 41% e os automóveis a gasolina recuaram 35%, segundo os dados divulgados pelo Standvirtual.

A mudança não começou em setembro. A plataforma identifica uma aceleração do interesse pelos elétricos desde fevereiro, coincidindo com o início do conflito entre os EUA e o Irão e com a pressão que a situação internacional exerceu sobre os mercados energéticos e os preços dos combustíveis.

Comparando o período decorrido desde o início do conflito com o intervalo equivalente de 2025, os contactos realizados em anúncios de automóveis elétricos aumentaram 25% e as visualizações cresceram 33%. Nos veículos a combustão aconteceu o contrário: as visualizações dos carros a gasóleo diminuíram 22% e as dos modelos a gasolina recuaram 13%.

Os números de agosto já antecipavam o movimento. Nesse mês, os contactos relativos a automóveis elétricos tinham aumentado 15% face a agosto de 2025 e 27% comparativamente a julho deste ano. As visualizações cresceram 37% em termos homólogos e 10% de julho para agosto.

O crescimento também surge num mercado em que a oferta de elétricos usados tem vindo a aumentar. No primeiro semestre de 2026, o Standvirtual indicava que a oferta de veículos elétricos na plataforma tinha crescido 28,5%, alcançando uma quota recorde de 10,27% do stock disponível. Atualmente, uma pesquisa pela categoria de elétricos no portal devolve perto de cinco mil anúncios, embora este número varie permanentemente à medida que entram e saem veículos da plataforma.

Para Pedro Soares, Head of Sales do Standvirtual, os dados mostram “um claro reforço do interesse em veículos elétricos” numa altura em que os custos de utilização voltaram a ganhar peso nas decisões dos consumidores. O responsável ressalva, contudo, que a escolha de um automóvel depende também do preço de aquisição, autonomia disponível e possibilidades de carregamento.

A relação direta entre combustíveis mais caros e maior procura por elétricos deve, por isso, ser interpretada com cautela. Os dados mostram que os dois fenómenos estão a ocorrer simultaneamente, mas não permitem concluir que cada utilizador que deixou de procurar um automóvel a gasolina ou gasóleo tenha passado diretamente para um elétrico.

Ainda assim, a evolução dentro da plataforma é difícil de ignorar: nas primeiras semanas de setembro, enquanto a procura por gasolina e gasóleo perdeu terreno, os elétricos seguiram precisamente na direção oposta.

E a distância entre os dois movimentos já é considerável: elétricos a crescer 23%; gasolina e gasóleo, em conjunto, a recuar 25%.