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Nem decoração nem obras: descubra porque há estradas vermelhas na Índia

Automonitor

Os atropelamentos de animais selvagens continuam a representar um problema frequente em muitas estradas que atravessam áreas naturais, colocando em risco não só a sobrevivência da fauna, mas também a segurança dos condutores.

Os atropelamentos de animais selvagens continuam a representar um problema frequente em muitas estradas que atravessam áreas naturais, colocando em risco não só a sobrevivência da fauna, mas também a segurança dos condutores. Para tentar reduzir este tipo de acidentes, a Índia começou a aplicar uma solução pouco comum: pintar de vermelho alguns troços de estrada localizados em zonas de maior risco.

A medida está a ser implementada num troço rodoviário que atravessa a reserva de Veerangana Durgavati, no estado de Madhya Pradesh, uma área onde vivem numerosas espécies selvagens, incluindo tigres-de-bengala, leopardos, antílopes, répteis e diversas aves. Por se tratar de um importante corredor natural utilizado pelos animais nas suas deslocações, as autoridades procuraram adotar soluções capazes de aumentar a segurança tanto da fauna como dos utilizadores da estrada.

O projeto, promovido pelo Ministério dos Transportes e das Estradas da Índia, vai muito além da simples alteração da cor do pavimento. Entre as principais intervenções encontra-se também a construção de 25 passagens subterrâneas para animais nos locais onde os estudos identificaram maior circulação de fauna selvagem.

Estas estruturas foram concebidas com sistemas de drenagem que permitem preservar a vegetação envolvente, favorecendo a utilização das passagens pelos animais sem que estes tenham de abandonar o seu habitat natural. O objetivo passa por criar corredores seguros que reduzam a necessidade de atravessar diretamente a via.

Nos segmentos considerados mais críticos foi aplicado um revestimento termoplástico vermelho, distribuído em grandes quadrados ao longo da faixa de rodagem. A escolha desta cor não foi feita por motivos estéticos, mas sim por razões ligadas ao comportamento dos condutores.

Segundo o projeto, o vermelho é uma cor normalmente associada ao perigo, levando muitos automobilistas a reduzir instintivamente a velocidade e a aumentar os níveis de atenção ao volante quando entram nestas zonas de maior risco.

Além do forte impacto visual, o revestimento apresenta ainda uma ligeira elevação de apenas alguns milímetros. Embora não funcione como uma lomba tradicional, essa pequena irregularidade produz uma vibração e um ruído percetível quando os pneus passam sobre a superfície.

Esse efeito pretende servir como um aviso adicional aos condutores, recordando-os de que estão a circular numa área onde os animais podem surgir inesperadamente na estrada e obrigando-os a conduzir com maior prudência.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de proteção da fauna selvagem e de prevenção de acidentes rodoviários, procurando conciliar a circulação automóvel com a preservação dos corredores naturais utilizados pelos animais.

Medidas semelhantes existem noutros países, embora recorram a soluções diferentes. Em França, por exemplo, têm sido desenvolvidos ecodutos, passagens aéreas e túneis exclusivos para a travessia segura da fauna, permitindo reduzir o número de atropelamentos em zonas ambientalmente sensíveis.

Já a utilização de revestimentos vermelhos diretamente sobre a estrada como forma de induzir uma condução mais cautelosa continua a ser uma abordagem invulgar, distinguindo-se das restantes estratégias adotadas internacionalmente para minimizar os conflitos entre o tráfego rodoviário e a vida selvagem.