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O Fiat Topolino passou pelas mãos de Giugiaro… e nasceram duas pequenas loucuras

Automonitor

Projetos nasceram de uma colaboração entre Fabrizio Giugiaro e Lapo Elkann, neto de Gianni Agnelli e irmão de John Elkann, presidente da Stellantis

O Fiat Topolino dificilmente poderia ser confundido com um automóvel de competição. Tem dimensões minúsculas, apenas dois lugares e uma velocidade máxima que ronda os 45 km/h na configuração europeia.

Mas coloque-o nas mãos de Giorgetto Giugiaro e do filho Fabrizio e até um pequeno quadriciclo elétrico pode acabar com aparência de barchetta pronta para uma pista.

Foi isso que aconteceu com o Top. L e o Top. J, dois conceitos apresentados pela GFG Style no Salone Auto Torino e que reinterpretam o Fiat Topolino de duas maneiras bastante diferentes.

Segundo a ‘Road & Track’, os projetos nasceram de uma colaboração entre Fabrizio Giugiaro e Lapo Elkann, neto de Gianni Agnelli e irmão de John Elkann, presidente da Stellantis. Por trás da GFG Style está ainda um dos nomes mais importantes da história do design automóvel: Giorgetto Giugiaro, hoje com 88 anos.

E basta olhar para o primeiro dos dois pequenos Fiat para perceber que ninguém quis fazer apenas uma troca de cores.

O Top. L — a letra significa “Love” — é provavelmente o mais inesperado.

A GFG Style partiu do Topolino Dolcevita, que já dispensa as portas convencionais, e levou a ideia muito mais longe. O tejadilho desapareceu completamente e o para-brisas foi reduzido a uma pequena proteção diante do condutor.

O resultado faz lembrar uma barchetta, designação historicamente associada a automóveis desportivos abertos e minimalistas e que, nos últimos anos, regressou a modelos muito mais exóticos, como Ferrari Monza SP1 e SP2 ou McLaren Elva.

Só há uma diferença considerável: o Topolino não tem propriamente as prestações de um Ferrari ou de um McLaren.

Apesar das fotografias divulgadas pela GFG Style mostrarem o pequeno Top. L em pista numa pose surpreendentemente agressiva, a ‘Road & Track’ recorda que estamos perante uma máquina concebida para velocidades muito modestas. Na Europa, o Topolino está limitado a 45 km/h; nos EUA, onde passou recentemente a ser comercializado com adaptações para cumprir as regras aplicáveis aos Low Speed Vehicles, a velocidade fica pelos 40 km/h.

Portanto, a imagem pode dizer “carro de corrida”. O velocímetro diz outra coisa.

Por dentro, a GFG Style escolheu couro em tom água-marinha combinado com aplicações em Alcantara, mantendo a atmosfera descontraída que caracteriza o Topolino original.

Se o Top. L procura transformar o pequeno Fiat numa espécie de brinquedo de pista, o Top. J — de “Joy” — segue noutra direção.

Aqui, o destino imaginado parece ser a praia.

O conceito mantém um tejadilho, embora o elemento rígido original tenha dado lugar a uma cobertura em tecido destinada a proteger os ocupantes do sol e da chuva. E há uma alteração ainda mais curiosa na traseira.

Em vez dos dois lugares habituais, a GFG Style acrescentou dois assentos voltados para trás.

O pequeno Topolino passa, assim, a poder transportar quatro pessoas — embora os dois passageiros instalados atrás fiquem bastante mais expostos aos elementos.

No habitáculo, o Top. J mistura tecido atoalhado e couro em diferentes tons de azul e verde. E até aqui existe uma história familiar escondida.

Segundo a ‘Road & Track’, a combinação cromática foi inspirada num Ferrari 166 MM pertencente ao avô de Lapo Elkann, Gianni Agnelli, histórico líder da Fiat.

Os dois projetos acabam, por isso, por juntar várias gerações da história automóvel italiana: um Fiat reinterpretado pela empresa fundada por Giorgetto e Fabrizio Giugiaro, com participação de um descendente da família Agnelli.

Por enquanto, porém, não vale a pena procurar preços ou datas de entrega.

A GFG Style não anunciou planos de produção nem confirmou que o Top. L ou o Top. J venham a ser vendidos. Segundo a Road & Track, devem ser encarados, pelo menos nesta fase, como exercícios de design.

Talvez seja precisamente por isso que puderam ir tão longe.

Um deles transformou um quadriciclo elétrico numa minúscula barchetta sem tejadilho e praticamente sem para-brisas. O outro encontrou maneira de colocar quatro pessoas num Topolino e ainda foi buscar as cores a um Ferrari com mais de sete décadas.

Nenhum deles precisa de passar dos 45 km/h para chamar a atenção.