Para a maioria das pessoas, ter dois ou três automóveis já significa começar a fazer contas ao espaço disponível na garagem. Rodger Dudding levou o problema para outra escala: ao longo de décadas reuniu uma coleção que conta atualmente com cerca de 450 carros, além de várias motos, e está avaliada em aproximadamente 40 milhões de libras — cerca de 46 milhões de euros.
A coleção, apresentada esta terça-feira pela ‘Autocar’, chama-se Studio434 e está distribuída por dois edifícios em Hertfordshire, no Reino Unido. Mais do que pelo valor, impressiona pela diversidade: há automóveis com mais de um século, modelos de luxo, desportivos, carros populares, raridades e veículos que dificilmente apareceriam numa típica coleção multimilionária.
É precisamente essa variedade que distingue a garagem de Dudding. Ao lado de Aston Martin, Bentley ou Rolls-Royce podem surgir modelos muito mais modestos que o proprietário decidiu preservar simplesmente por considerar que mereciam sobreviver.
Tudo começou com um Morris Minor
A paixão nasceu com um automóvel bastante mais humilde. Segundo o próprio Studio434, o pai de Dudding comprou um Morris Minor na década de 1950 e esse carro, juntamente com um Jensen Interceptor FF de 1968, esteve na origem de uma coleção que não parou de crescer.
O dinheiro para alimentar o hobby veio dos negócios. Dudding desenvolveu um sistema de gestão de filas utilizado em espaços comerciais e investiu posteriormente em garagens. Começou por adquirir dez espaços degradados no sul de Londres e acabaria por construir um negócio com cerca de 14 mil garagens no sul e centro de Inglaterra.
Décadas depois, a coleção ocupa dois espaços e cobre mais de 100 anos de história automóvel.
Entre os exemplares mais antigos encontra-se um Vulcan 15.9 hp Tourer de 1911. No extremo oposto surgem automóveis modernos como um Rolls-Royce Wraith de 2017.
24 Aston Martin Lagonda — mas também carros que quase desapareceram
Uma das grandes obsessões de Dudding é a Aston Martin. A coleção inclui 24 versões do controverso Lagonda desenhado por William Towns, além de modelos como Vanquish, DB7 e vários DB9. O Studio434 apresenta-a como a maior coleção privada de Aston Martin.
Mas algumas das escolhas mais curiosas estão no extremo oposto.
Há, por exemplo, um BMW 628 CSi de 1986. Enquanto a maioria dos Série 6 E24 que sobreviveu pertence às versões 635 CSi, mais desejadas, Dudding guardou precisamente o 628 CSi de 2,8 litros, a versão de entrada e hoje bastante mais rara.
Também existem exemplares do Austin A90 Atlantic em carroçaria coupé e descapotável, modelos MG, Lotus e Austin-Healey, além de automóveis muito mais excêntricos e várias motocicletas.
Há até um Jaguar XJR6 de 1995 que foi utilizado como veículo de bombeiros no circuito de Donington.

Uma coleção de 46 milhões que não fica apenas parada
Apesar da dimensão, os automóveis não estão simplesmente fechados numa garagem. Muitos são mantidos em condições de utilização e o Studio434 disponibiliza veículos para aluguer, produções cinematográficas e sessões fotográficas.
Alguns chegaram mesmo ao pequeno ecrã: automóveis da coleção já apareceram em produções como “The Crown” e “Peaky Blinders”.
O espaço funciona também como armazenamento especializado de veículos clássicos e de elevado valor, estúdio e local para eventos.
O resultado é uma coleção que a ‘Autocar’ descreve como verdadeiramente eclética e cujo valor, estimado de forma conservadora, ronda os 40 milhões de libras.
E, depois de centenas de carros acumulados ao longo de décadas, Dudding continua a acrescentar exemplares à garagem. O próprio Studio434 resume a origem de tudo de forma bastante simples: por detrás do projeto está “o amor de um homem por tudo o que tem rodas”.






