A Volkswagen está a preparar um dos maiores planos de restruturação da sua história, que poderá resultar num corte de até 100 mi postos de trabalho e o encerramento de quatro fábricas na Alemanha. as medidas representam uma aceleração significativa da estratégia de redução de custos do maior fabricante automóvel da Europa, numa altura em que o grupo enfrenta crescente pressão competitiva por pate dos construtores chineses.
A informação surge também numa fase em que a empresa, com sede em Wolfsburgo, procura adaptar-se `s profundas transformações do setor automóvel, e ao mesmo tempo reforçar a sua posição financeira. O plano, cuja dimensão foi inicialmente avançada pela publicação alemã Manager Magazin, deverá ser apresentado ao conselho de supervisão da Volkswagen na reunião agendada para 9 de julho.
A Volkswagen já tinha anunciado anteriormente a intenção de eliminar cerca de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até ao final de 2030, bem como reduzir a capacidade de produção automóvel no país em aproximadamente 500 mil veículos por ano. No entanto, o novo plano poderá duplicar esse número, acrescentando mais 50 mil despedimentos aos cortes já previstos.
Caso avance nos termos atualmente em análise, a reestruturação poderá conduzir ao despedimento de um total de até 100 mil trabalhadores e ao encerramento de quatro unidades fabris na Alemanha, numa tentativa de reduzir significativamente os custos operacionais do grupo.
Venda de ativos reforça estratégia financeira
A nova fase de reestruturação surge poucos dias depois da conclusão da venda da unidade de motores marítimos Everllence ao fundo norte-americano Bain Capital. A operação deverá gerar encaixes financeiros de cerca de 7,4 mil milhões de euros para o grupo alemão.
Sob a liderança do presidente executivo, Oliver Blume, a Volkswagen tem vindo a implementar uma estratégia de simplificação da estrutura empresarial, concentrando recursos na atividade principal de fabrico de automóveis. De acordo com a informação disponível, o grupo poderá alienar outros ativos nos próximos meses com o objetivo de reforçar a sua posição financeira e gerar liquidez.
Concorrência chinesa acelera necessidade de mudança
A crescente presença dos fabricantes chineses no mercado europeu é apontada como uma das principais razões para o reforço das medidas de contenção de custos.
Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as marcas chinesas representaram quase um em cada dez veículos novos vendidos na Europa durante os primeiros cinco meses deste ano, um crescimento que tem aumentado a pressão sobre os construtores tradicionais europeus.
Perante este cenário, a Volkswagen procura adaptar a sua estrutura industrial a uma realidade de maior concorrência, ao mesmo tempo que enfrenta os elevados custos associados à transição para a mobilidade elétrica.
Contactada sobre o alegado plano de reestruturação, a Volkswagen recusou comentar as informações divulgadas.
Num breve comunicado, a empresa limitou-se a afirmar que “os assuntos subjacentes são discutidos e aprovados pelos órgãos competentes de governação” e acrescentou que não irá antecipar esse processo antes da reunião do conselho de supervisão marcada para 9 de julho.






