Um Renault Mégane RS registado em nome do presidente francês parece o início de uma anedota, mas aconteceu mesmo. Segundo a ‘L’Automobile Magazine’, uma fraude no sistema francês de registo automóvel permitiu que um concessionário atribuísse o desportivo a Emmanuel Macron, expondo as fragilidades de uma plataforma oficial que está agora a ser alvo de um reforço dos controlos.
O caso voltou a ganhar destaque depois de o Tribunal de Contas francês criticar o funcionamento do sistema francês de matriculação de veículo (SIV), considerando que continua vulnerável a manipulações e fraudes praticadas por alguns profissionais do setor.
Tudo começou quando um jovem de 27 anos comprou um Renault Mégane III RS por apenas 8.500 euros. O negócio foi fechado às três da manhã, nos arredores de Paris, um detalhe que mais tarde levantaria suspeitas durante a investigação.
Pouco depois da compra, o novo proprietário percebeu que o carro apresentava vários problemas mecânicos e decidiu não concluir imediatamente o processo de mudança de propriedade, enquanto tentava resolver o litígio com o vendedor.
Foi então que a história tomou um rumo inesperado.
Segundo a ‘L’Automobile Magazine’, irritado por continuar a receber multas associadas ao automóvel, o antigo proprietário decidiu vingar-se de forma insólita: alterou o registo do veículo e colocou-o em nome de Emmanuel Macron, utilizando como morada o Palácio do Eliseu, na Rue du Faubourg Saint-Honoré, em Paris.
O mais surpreendente é que a alteração passou sem qualquer obstáculo pelo sistema oficial de registo automóvel francês.
Entretanto, a situação complicou-se ainda mais quando o Mégane foi sinalizado como veículo roubado. Durante uma operação de fiscalização, a polícia encontrou as chaves do automóvel e o jovem comprador acabou por ser detido, suspeito de recetação.
Foi durante o interrogatório que ouviu uma revelação difícil de acreditar.
“Disseram-me que o carro estava em nome de Emmanuel Macron. Pensei que estavam a gozar comigo”, contou o condutor, citado pela publicação francesa. O jovem garantiu que desconhecia totalmente a situação e admitiu apenas ter cometido o erro de não concluir os procedimentos administrativos logo após a compra.
O tribunal acabou por lhe dar razão quanto à acusação de recetação. Foi absolvido desse crime e recebeu apenas uma multa de 500 euros por conduzir sem seguro, mantendo a posse do automóvel.
O episódio tornou-se um exemplo das fragilidades do SIV, precisamente numa altura em que as autoridades francesas anunciam novas medidas para combater fraudes no registo automóvel.
Segundo a ‘L’Automobile Magazine’, as alterações incluem controlos mais apertados sobre concessionários e oficinas autorizadas a utilizar o sistema, o fim da renovação automática das credenciais de acesso e a exigência de um número mínimo de operações anuais para evitar que empresas-fantasma mantenham acesso à plataforma.
Ainda assim, a associação francesa Mobilians considera que estas medidas podem não ser suficientes e defende novas alterações para impedir que o sistema continue a ser manipulado. Afinal, se um Renault Mégane RS conseguiu aparecer em nome do presidente da República, qualquer fraude parece possível.






