A Peugeot prepara uma das maiores ofensivas de produto da sua história recente. A marca francesa deverá lançar sete novos modelos até 2030, no âmbito do plano estratégico FaSTLAne 2030 da Stellantis, que coloca a Peugeot no centro da próxima fase industrial do grupo, avança o ‘El Economista’.
A ofensiva inclui modelos urbanos, SUV compactos, propostas de posicionamento mais elevado e a estreia de uma nova plataforma técnica, denominada STLA One. Esta arquitetura será usada em veículos elétricos, híbridos e com motor de combustão interna, com o objetivo de reduzir a complexidade industrial, acelerar o desenvolvimento de novos automóveis e baixar custos de produção.
A Peugeot foi elevada pela Stellantis ao estatuto de marca global, ao lado de Jeep, Ram e Fiat. A designação é reservada às marcas consideradas com maior potencial de crescimento e rentabilidade dentro do grupo. A Stellantis prevê investir 60 mil milhões de euros nos próximos cinco anos, destinando 60% desse valor ao desenvolvimento de marcas e produtos. O restante será canalizado para novas plataformas, motorizações e tecnologias digitais.
Na Europa, o grupo planeia lançar 50 modelos até 2030, dos quais 25 serão totalmente novos. A Peugeot terá um papel relevante nessa estratégia, com sete novidades previstas até ao final da década.
A nova plataforma STLA One será uma das peças centrais desta transformação. A Peugeot será a primeira marca do grupo a utilizá-la, numa arquitetura modular pensada para modelos dos segmentos B, C e D. Segundo a Stellantis, esta base permitirá reduzir a complexidade industrial e os custos de produção em cerca de 20%.
A plataforma será compatível com diferentes tipos de baterias e sistemas de propulsão. Também integrará tecnologias como o sistema STLA Brain, o ambiente digital STLA SmartCockpit e a direção eletrónica ‘steer-by-wire’, que elimina a ligação mecânica entre o volante e as rodas.
O primeiro modelo a estrear esta tecnologia será a próxima geração do Peugeot e-208. O utilitário elétrico deverá ser lançado oficialmente em 2027 e será o primeiro veículo da Stellantis equipado com direção eletrónica. Neste sistema, os comandos do volante são transmitidos às rodas através de sinais elétricos, substituindo a coluna de direção tradicional. A tecnologia será fornecida pela JTEKT, empresa japonesa ligada ao grupo Toyota.
O futuro e-208 já foi antecipado pelo protótipo Polygon, apresentado no final de 2025. A estreia pública poderá acontecer no Salão Automóvel de Paris, antes do início da produção em Saragoça, previsto para junho de 2027.
A mesma arquitetura deverá ser usada também no próximo Peugeot 2008. O SUV urbano será proposto exclusivamente com motorizações elétricas e não deverá chegar antes do final de 2029.
A renovação da gama passará ainda por um novo SUV compacto do segmento C, posicionado ao lado do atual Peugeot 3008. A Stellantis ainda não revelou o nome nem as especificações técnicas, mas indicou que o modelo terá uma oferta multienergia.
Também o Peugeot 308 deverá adotar a plataforma STLA One na próxima geração. O compacto francês, incluindo a variante SW, deverá receber uma nova evolução em 2028.
A ofensiva não se ficará pelos segmentos de maior volume. A Peugeot prepara também o regresso a propostas de posicionamento mais elevado, com um novo modelo do segmento D desenvolvido em parceria com a Dongfeng, fabricante estatal chinesa com a qual a Stellantis deverá reforçar a colaboração industrial na Europa.
Este futuro modelo deverá assumir o formato de uma shooting brake e terá produção na fábrica francesa de Rennes-La Janais, no âmbito de uma joint venture em que a Stellantis terá uma participação maioritária de 51%. A proposta foi antecipada pelo Concept 6, apresentado no Salão Automóvel de Pequim de 2026, com uma silhueta desportiva e aerodinâmica inspirada no Peugeot Instinct de 2017.
A eletrificação será outra dimensão central da estratégia. A plataforma STLA One será compatível com arquiteturas de 800 volts, permitindo carregamentos mais rápidos e maior eficiência energética. A Stellantis pretende ainda alargar a utilização de baterias LFP, de fosfato de ferro-lítio, mais baratas e menos dependentes de matérias-primas críticas.
Outra novidade prevista é a integração estrutural da bateria na carroçaria do veículo, uma solução pensada para reduzir peso, simplificar a produção e aumentar a autonomia.
Antes desta nova vaga de modelos, a Peugeot ainda tem novidades previstas para 2026. Depois dos novos 308, nas versões de cinco portas e SW, e do 408, a marca prepara para o segundo semestre a chegada do e-208 GTi, que recupera uma sigla histórica da Peugeot, agora associada à eletrificação.
O novo Peugeot e-208 GTi será produzido em Saragoça e deverá chegar aos concessionários entre setembro e outubro. Terá 280 cv, chassis desenvolvido pela Peugeot Sport, diferencial autoblocante e travões de alto desempenho, prometendo uma interpretação elétrica e desportiva do segmento B.
Com sete novos modelos, uma nova plataforma global, tecnologias de direção eletrónica, baterias mais acessíveis e um projeto de gama alta com a Dongfeng, a Peugeot entra numa fase decisiva. A marca francesa quer reforçar a presença internacional e assumir-se como um dos pilares tecnológicos e comerciais da Stellantis até 2030.






