A escalada da crise energética mundial, com a subida muito acentuada dos preços dos combustíveis, impulsionada pelo conflito entre os EUA, Israel e o Irão, está a obrigar governos de vários continentes a adotar medidas excecionais para mitigar o aumento dos preços e garantir o abastecimento. entre as decisões mais marcantes está o exemplo do Sri Lanka, que decretou feriado às quartas-feiras nas instituições públicas como forma de reduzir o consumo de combustíveis.
A medida foi anunciada no âmbito de um pacote de austeridade mais amplo, numa altura em que o país enfrenta escassez energética agravada pelo Estreito de Ormuz. O presidente Anura Kumara Dissanayake afirmou, numa reunião de emergência, que “devemos preparar-nos para o pior, mas esperar pelo melhor”, sublinhando que o país se está a preparar para um cenário prolongado de instabilidade.
No caso do Sri Lanka, as medidas vão além do feriado semanal: o Governo reduziu a semana de trabalho para quatro dias, incluindo nas escolas e universidades e introduziu um Passe Nacional de Combustível, que limita a quantidade de combustível disponível para cada cidadão. As quotas máximas, que são de 15 litros para automóveis e de 5 para motociclos, têm gerado contestação e revolta entre a população, que considera as quantidades insuficientes para as necessidades diárias.
A crise está a afetar particularmente a Ásia, região fortemente dependente das importações energéticas. Países como a Tailândia estão a incentivar mudanças de comportamento, como a utilização de vestuário mais leve para reduzir o uso de ar condicionado, enquanto em Myanmar a circulação automóvel foi limitada a dias alternados. Já o Bangladesh antecipou férias académicas e implementou apagões programados para poupar energia. Em paralelo, o teletrabalho tem sido promovido em vários países da região como forma de reduzir deslocações e consumo de combustível.
Ainda na Ásia, as respostas variam entre medidas de contenção e reforço da produção energética. A China suspendeu exportações de combustíveis refinados para proteger o mercado interno, enquanto a Índia limitou o acesso ao gás e reforçou a produção de GPL. A Coreia do Sul aposta no aumento da produção a carvão e energia nuclear, podendo atingir até 80% da capacidade, e pondera apoios diretos às famílias.
Já a Austrália começou a libertar reservas estratégicas de combustível, ao passo que o Japão pediu reforço no fornecimento de gás natural liquefeito. Na Europa, a Comissão Europeia recomenda maior flexibilidade nas regras de importação de gás para evitar falhas no abastecimento.
Em Portugal, a resposta tem passado pela via fiscal, com sucessivas reduções no imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) para atenuar o impacto nos consumidores. Ainda assim, desde o início do conflito, a 27 de fevereiro, os preços dispararam: o gasóleo aumentou quase 20% e a gasolina cerca de 10% em apenas duas semanas. Este cenário evidencia a dimensão global da crise energética e a dificuldade dos governos em equilibrar o controlo de preços com a garantia de abastecimento num contexto de forte instabilidade internacional.






