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‘Dieselgate’: 77% dos carros a diesel na Europa têm dispositivos ilegais de redução de emissões, denuncia estudo

Francisco Laranjeira

Descobertos no escândalo de 2015, os ‘dispositivos manipuladores’ permitem que os carros liguem momentaneamente os seus controlos de poluição durante os testes

Cerca de 77% dos veículos a diesel na Europa têm níveis de emissões que indicam a presença de um dispositivo de fraude de emissões, denunciou esta quinta-feira o Conselho Internacional de Transporte Limpo.

De acordo com o estudo realizado, através de dados de 1.400 testes oficiais sob configurações controladas, há 77% dos carros a diesel Euro 6 – o nome das atuais regras de emissões da UE – e 85% dos veículos Euro 5 mais antigos têm resultados de teste “suspeitos”.

As quantidades de óxido de nitrogénio emitidas por esses carros durante o teste, denunciou o relatório, indicam “o uso provável de um dispositivo manipulador proibido” – ou seja, um software que permite que os carros liguem momentaneamente os seus controlos de poluição durante o teste.

Em pelo menos 40% dos testes foram detetados níveis de emissão “extremos”, o que revelou que a presença do dispositivo era “quase certa” nestes casos – o relatório estimou que 19 milhões de veículos com níveis de emissão “suspeitos” – e 13 milhões com níveis “extremos” – estão atualmente nas estradas da União Europeia e no Reino Unido.

“Estes resultados apresentam um corpo sólido de evidências para as autoridades investigarem e potencialmente tomarem medidas corretivas para lidar com os riscos à saúde representados pelos carros a diesel europeus”, revelou Peter Mock, diretor-geral da ICCT na Europa.

Os chamados ‘dispositivos manipuladores’ foram revelados na sequência do escândalo ‘Dieselgate’ em 2015, quando a marca alemã Volkswagen admitiu ter influenciado os testes de emissões em centenas de milhares de carros nos Estados Unidos. Marcas como a Daimler, Renault e Fiat enfrentaram acusações semelhantes .

Os ‘dispositivos manipuladores’ foram declarados ilegais pelo Tribunal de Justiça da União Europeia em dezembro de 2020.