Os preços dos combustíveis aumentaram mais de 23% num ano na Bulgária, Lituânia e Roménia, colocando estes três países no topo das subidas registadas na União Europeia. Em sentido contrário, Hungria, Polónia e Espanha conseguiram limitar o impacto da crise energética, recorrendo a tetos de preços, cortes fiscais e, no caso espanhol, a uma extensa rede de refinarias.
O retrato traçado pela ‘Euronews’ revela uma Europa a duas velocidades, numa altura em que a nova escalada no estreito de Ormuz ameaça voltar a pressionar os preços pagos pelos automobilistas.
Na comparação entre junho de 2025 e junho de 2026, Bulgária, Lituânia e Roménia registaram aumentos superiores a 23% nos combustíveis. Fora da União Europeia, as subidas foram ainda mais acentuadas: quase 32% na Turquia e perto de 30% na Geórgia.
E Portugal? Os preços dos combustíveis aumentaram 16,5% entre junho de 2025 e junho de 2026, colocando o país a meio da tabela europeia. A subida foi inferior à registada na Bulgária (26%), Lituânia (23,5%) e Roménia (23,1%), os três países mais afetados, mas bastante superior à de Espanha (7,9%), Polónia (5,8%) e Hungria (2,3%), que conseguiram limitar o impacto através de medidas de apoio aos consumidores e de uma menor pressão sobre os preços.
No extremo oposto, e excluindo Malta, os menores aumentos dentro da União Europeia foram registados na Hungria, com 2,3%, na Polónia, com 5,8%, e em Espanha, com 7,9%.
A diferença explica-se, em parte, pelas medidas adotadas pelos governos. A Hungria avançou com um teto para os preços dos combustíveis, enquanto Espanha e Polónia recorreram a cortes no IVA aplicado à gasolina e ao gasóleo.
Essas decisões provocaram resistência em Bruxelas, uma vez que a União Europeia defendia uma redução dos impostos especiais sobre o consumo, em vez de cortes no IVA. Ainda assim, as medidas ajudaram aqueles países a conter o impacto da subida das matérias-primas.
Espanha beneficia também de uma vantagem estrutural. Apesar de depender fortemente das importações de petróleo bruto, o país dispõe de uma vasta rede de refinarias, terminais portuários, oleodutos e instalações de armazenamento.
Segundo a Agência Internacional da Energia, citada pela Euronews, Espanha possui 11 terminais portuários de petróleo, uma ampla cobertura de oleodutos e capacidade de armazenamento ligada às refinarias. Esta infraestrutura reduz a dependência da importação de combustíveis já refinados e ajuda a limitar os custos de abastecimento.
A comparação mensal mostra, contudo, que antes da nova escalada no Médio Oriente os preços tinham começado a aliviar. Entre maio e junho, o gasóleo ficou 6,4% mais barato na Europa, enquanto a gasolina recuou 4,2%, de acordo com dados do Eurostat.
As maiores descidas no gasóleo ocorreram na Bulgária, com 11,3%, na Polónia, com 9,7%, e na Chéquia, com 9,4%. Hungria, Itália e Eslovénia registaram as reduções mais pequenas.
Na gasolina, Chipre e Itália foram os únicos países da União Europeia onde os preços continuaram a subir entre maio e junho, com aumentos de 0,7% e 0,5%, respetivamente. Suécia, Bélgica e Polónia apresentaram as maiores descidas.
Esse alívio poderá agora estar em risco. Depois de uma breve trégua proporcionada pelo cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, novos ataques contra petroleiros e grandes navios mercantes voltaram a aumentar a tensão no estreito de Ormuz.
A navegação naquela rota marítima entre o Irão e Omã continua a ser considerada de elevado risco. Os ataques têm sido atribuídos tanto a Teerão como aos rebeldes Houthi do Iémen, apoiados pelo regime iraniano.
Washington garante que a passagem permanece aberta, mas ameaça atacar pontes e centrais elétricas iranianas caso as ofensivas prossigam. Entretanto, o crude já ultrapassou os 100 dólares por barril, o valor mais elevado desde o início de junho.
Com a tensão novamente a aumentar e sem um acordo duradouro à vista, os países europeus que já enfrentavam as maiores subidas poderão sofrer nova pressão. Para Portugal, embora a Euronews não apresente um valor isolado, a evolução internacional do petróleo e dos custos de transporte torna provável que o impacto volte a chegar aos preços praticados nos postos de abastecimento.






