Os efeitos da guerra na Ucrânia estão a espalhar-se rapidamente pela indústria automóvel. A Seat já parou de fabricar três modelos – Tarraco, Alhambra e o elétrico Cupra Born (este último o mais preocupante para a empresa pois está em fase de lançamento). O motivo é a paralisação de duas fábricas da Volkswagen na Alemanha (Zwickau e Wolfsburgo), ao mesmo tempo que a de Palmela.
A fábrica de Zwickau, especializada no fabrico exclusivo de veículos elétricos, está parada desde o dia 1 de março, uma semana depois da invasão russa da Ucrânia – projetado para funcionar ‘just in time’, recebe componentes fabricados na Ucrânia na hora, logo não tem stock. O conflito atual obrigou a repensar a estratégia de vendas do Cupra Born, o primeiro veículo puramente elétrico do grupo Seat, enquanto para o grupo Volkswagen também representa um grave revés para os seus emblemáticos ID 3, ID 4 e ID 5, modelos chaves da transformação do grupo.
Depois de Zwickau, parou a grande fábrica de Wolfsburgo, onde é fabricado o Seat Tarraco. Não é um dos modelos de maior volume da marca (foram vendidas cerca de 19 mil unidades em 2020), mas a sua quebra agrava uma situação de extrema incerteza. O mesmo que o Alhambra (14.672 unidades em 2020), que é fabricado em Palmela, fábrica que foi obrigada a parar várias linhas.
89,8% das empresas automotivas espanholas já estão a sofrer as consequências da guerra na Ucrânia, de acordo com uma pesquisa realizada pelos clusters da indústria automóvel espanhola divulgada pelo jornal ‘La Vanguardia’ – mais de 30% das 137 empresas antecipam que haverá consequências devido às sanções impostas à Rússia, 17% acreditam que haverá dificuldades nas viagens e algumas empresas manifestaram preocupação com o facto de haver trabalhadores de vários países do leste que se juntaram às fileiras ucranianas na guerra e abandonaram os seus empregos.





