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Apresentação mundial do Continental SportContact7: Entre engenheiros e químicos, a magia acontece!

Automonitor

Trabalho de desenvolvimento do S7 demorou 5 anos e meio

Por Jorge Farromba

Declaração de interesses: Assistir a um evento destes quando se está a lecionar uma cadeira de Lançamento de Novos Produtos é, no mínimo, entusiasmante, mas também exigente, porquanto, além do ensaio ao pneu, todos os detalhes do evento são analisados, percecionados e revisitados. Ou seja, as expetativas eram altas!!

Esqueçam o artigo standard – somente sobre o pneu. Diria que não basta, dada a importância de que se reveste um ensaio desta natureza… lá vamos ter um longo artigo!

Quando uma marca com os pergaminhos da Continental resolve lançar um novo modelo de pneu, fá-lo por entre vários motivos:
• A concorrência
• As novas tendências de mercado
• A I&D do sector automóvel e dos pneus
• O posicionamento (o modo como o consumidor perceciona a Continental)
• O novo consumidor
• As “queixas” e sugestões do consumidor
• Os testes dos jornalistas
• … e podíamos elencar mais aspetos.

Ciente disto, a marca opta pelo lançamento de um novo produto, o Continental SportContact 7, doravante S7 neste artigo. E esta é uma tarefa demorada, complexa e onerosa.

E porquê?

Porque a marca tem de analisar o mercado. Tem de efetuar um business case. E para isso tem:

• Conhecer o (novo) público-alvo

• Efetuar estudos de mercado:
o Para saber como adaptar o pneu à legislação de todos os Países (que é muito heterogénea);
o Sobre o novo consumidor que hoje utiliza mais SUV (e menos automóveis “tradicionais”) – com jantes maiores e maior peso;
o Maior presença de viaturas elétricas e híbridas (maior peso e maior torsão lateral)
o Questões climáticas e ambientais (desde maior temperatura de asfalto, a questões de proteção do ambiente e poluição).

• Custo de novos materiais…

E é com este business case que permite à marca basear-se em factos, numa análise custo-benefício que lhe vai permitir delinear os próximos passos.

A construção de um pneu que, não tendo acesso a esses dados, será certamente muito oneroso, na casa de muitos M€. E, esse trabalho de desenvolvimento do S7 demorou 5,5 anos, demonstrativo do imenso trabalho que exige esta tarefa. Conjugar novas tecnologias, novas borrachas, novos automóveis, todas as exigências legais, dados da concorrência, testes, certificações…

E, no objetivo que a marca prosseguiu o intuito era claro e óbvio. Apresentar um pneu com um novo composto de borracha – Blackchili – bastante melhor que o S6:

• quilometragem aumentada em 17%,
• desempenho de condução em pista superior em 10%,
• distâncias de travagem em estrada molhada reduzidas em 8%
• 6% mais eficaz nas travagens a seco
• Manobras em estrada molhada e seca, bem como a aderência, beneficiadas com os novos desenvolvimentos (testes na dimensão de pneu 245/30 R 20).

Ok, e depois disto basta vender o pneu!

Mas não! Qualquer marca quer que o seu pneu faça parte do set de pneus que uma marca de automóveis recomenda e a Continental não é exceção.

Daí que, se nem todas as marcas o exigem, várias do segmento premium, só aceitam essa recomendação com testes reais nos seus automóveis. Aqui o S7 tem de demonstrar estar à altura.

Após este trabalho de engenharia no desenho do pneu e dos químicos na mistura das borrachas para a criação do pneu, a marca quis-nos demonstrar em exigentes experiências as importantes melhorias e que as pudéssemos comprovar no autódromo do Algarve com vários testes.

• BMW M3, em pista

• Porsche, em pista

• Hyundai I30 N
o Comparativo em pista entre pneu S6 e S7

• Golf GTI
o Comparativo em piso molhado entre pneu S6 e S7

Mas o que tem este pneu de diferente?

Possui um design de piso adaptativo que se adapta estradas secas e molhadas, uma composição da mistura de borracha BlackChili; design de piso específico para cada dimensão (chamam-lhe Tailor Made), rigorosamente compatível com a aderência do piso assimétrico, com um desempenho significativamente melhor em estrada seca e molhada ou, em pistas de corrida, com uma quilometragem mais elevada, e também eficiência de combustível otimizada – a sustentabilidade.

Mas senti diferenças?

No Porsche e no BMW, por não haver fator comparativo não deu para perceber as diferenças entre o S6 e S7. Contudo, deu para perceber a suavidade do mesmo, a aderência, os limites do mesmo e a confiabilidade no limite.

Mesmo em modo de utilização intensiva, com tantos kms em cima de cada pneu e a serem testados ininterruptamente percebeu-se a qualidade do mesmo, resistência à abrasão, mesmo patente na aderência em curva à entrada e saída da mesma.

Já nos Hyundai deu claramente para compreender as diferenças. Em condução normal estou convencido não sentirmos quase nenhuma diferença, mas acima de um dado patamar as diferenças são óbvias:
• Na capacidade de travagem
• Na estabilidade do pneu, principalmente nas mudanças de direção em linha reta (com guinadas na direção), na travagem, na direcionalidade do pneu, na robustez e vigor na travagem e depois na aderência em curva, nas vibrações
• Na tração à saída da curva

Sendo este um circuito bastante exigente, o S7 bate o S6. E tal deve-se em muito às novas características do pneu (borracha, desenho).

Em piso molhado, as diferenças são as mesmas. O S7 trava melhor, o ABS é menos interventivo e, tanto em piso seco como molhado, ser melhor 1metro ou 50cm é a diferença entre ter um acidente ou não, ou, salvar-se um vida na passadeira.

Em resumo, a Continental tem em sua posse um pneu que o destaca face ao antecessor… e por muito. Só não conseguimos testar a longevidade e os consumos, mas em tudo o resto superou as expectativas. Parabéns.

E, porque esta apresentação mundial trouxe ao nosso país milhares de jornalistas, opinion-makers, grossistas, retalhistas de todo o mundo não seria justo finalizar o artigo sem a referência à minha análise do evento do ponto de vista do Lançamento de novos produtos. Diria que numa classificação de 0 a 5 teriam 5.

Motivos?
• Gerir centenas de convidados diariamente e durante 1 mês é uma tarefa com alta probabilidade de erro, mas nada falhou (que fosse visível)

• Horários rigorosos (18:35h eram 18:35h e não 18:36h – este era o nível de detalhe nos horários)

• A logística toda preparada para esta dimensão

• Atenção aos detalhes
o nos autocarros de transfer,
 no tipo de autocarro ou nos horários
o briefings em cada estação de testes
o no protetor solar
o águas personalizadas da Continental
o limpeza contínua dos automóveis
o máscaras, testes à Covid-19 e de álcool
o Criação de uma bebida no último dia em alusão ao composto de borracha Blackchili

• Simpatia (staff português e alemão, poliglota)

• Profissionalismo

• Simplicidade (fundamental num evento complexo. Conseguiram num evento de enorme complexidade, criar um modelo de atuação simples, eficaz e robusto)
• Dress code do Staff rigoroso

Acredito que o evento deu de Portugal uma imagem fantástica, não somente no clima, na gastronomia mas também nas condições que possuímos para estes eventos de grandes dimensões.
Termino com a seguinte frase que resume o evento e o grande pneu testado!

“Simplicity is the ultimate sophistication.” – Leonardo da Vinci