Chama-se China Evergrande New Energy Vehicle, tem presença no mercado de veículos elétricos, mas também em muitos outros setores como o do imobiliário, o futebol ou o de complexos habitacionais para idosos e, embora esteja com um valor de zero carros vendidos, só em capitalização bolsista a firma já chegou aos 87 mil milhões de euros, muito acima, por exemplo, de colossos como a Ford ou a General Motors, segundo dados revelados pela agência Bloomberg.
A agência revela como é aparatosa a exposição de nove veículos da empresa no Salão Automóvel a decorrer em Xangai, mas não se trata apenas desses sinais exteriores de luxo absoluto – é que, em apenas um ano, as ações da firma, com cotação na bolsa de Hong Kong, valorizaram-se acima dos 1.000%.
No entanto, a Bloomberg explica que a empresa não tem revelado capacidade para a produção de veículos elétricos em série, num evidente contraste, por exemplo, com a Tesla: primeira fábrica construída fora dos Estados Unidos situa-se em solo chinês e, no passado mês de março, procedeu a entregas de 35.500 unidades.
E o que fez Hui Ka Yan, presidente da firma e um dos homens mais ricos da China depois de prometer, em março de 2019, que iria bater-se em igualdade com Elon Musk, transformando-se no maior produtor de automóveis elétricos num prazo de três a cinco anos? Explica a Bloomberg que, enquanto Musk estreava o crossover do Model T e a Nio, o reflexo chinês da Tesla, podia orgulhar-se de ter chegado a 100 mil veículos produzidos, Hui Ka Yan adiava sucessivamente a produção em série nas suas fábricas.
E os atrasos continuam, assim como os prejuízos (subida de 67%, revelada no passado mês de março), de acordo com a agência norte-americana: produção para testes estava agendada para setembro, mas Hui Ka Yan já aponta para o fim do ano; março de 2022 era apontado como o momento para uma capacidade de produção entre meio milhão e um milhão de veículos elétricos – já só será possível em 2025.
A Bloomberg dá ainda conta de outro aspeto irrealista face ao que aconteceu até aqui: meta de cinco milhões de veículos para 2035. Para se perceber a dimensão da megalomania, a agência recorda que a Volkswagen, com uma estrutura incomparável face à da Evergrande, fez entrega de 3,85 milhões de carros na China em 2020.






