Há uma forma diferente de olhar para as emissões de um automóvel elétrico: em vez de contar apenas aquilo que acontece enquanto circula, começar na extração e produção dos materiais, passar pela fábrica, contabilizar a eletricidade consumida durante anos de utilização e chegar ao final da vida do veículo.
Foi esse exercício que a Volvo Cars realizou para o novo EX60. E o resultado coloca-o num novo patamar dentro da marca: é o automóvel 100% elétrico com a menor pegada de carbono alguma vez registada pela fabricante sueca.
De acordo com o Carbon Footprint Report divulgado pela Volvo, considerando uma utilização de 200.000 quilómetros e o mix de eletricidade europeu, o EX60 apresenta uma pegada total de 23 toneladas de CO₂ equivalente, correspondentes a 117 g CO₂e/km.
A avaliação do ciclo de vida foi desenvolvida de acordo com a norma internacional ISO 14067 e, segundo a Volvo, submetida a revisão independente pelo IVL Swedish Environmental Research Institute.
O segredo também está debaixo da carroçaria
Chegar às 23 toneladas obrigou a mexer em várias etapas da produção. A Volvo estima que as alterações introduzidas permitiram reduzir as emissões associadas ao novo modelo em cerca de 26%.
Uma delas é a utilização de mega casting na estrutura traseira, técnica que permite substituir várias peças individuais por um componente de grandes dimensões. Outra passa pela arquitetura cell-to-body, na qual a bateria é integrada diretamente na estrutura do automóvel.
A marca aponta ainda para uma utilização crescente de energia renovável nas unidades de produção, maior incorporação de materiais reciclados e esforços de descarbonização junto dos fornecedores.
“Na Volvo Cars, a sustentabilidade mede-se com dados concretos e é uma aposta contínua. Publicar este relatório significa assumir um compromisso de transparência e demonstrar que é possível reduzir o impacto ambiental de um automóvel em todas as fases do seu ciclo de vida”, afirma Nuno Silva, diretor comercial da Volvo Car Portugal.
O responsável considera que o EX60 representa “mais um passo importante nesse caminho”, conjugando inovação tecnológica e segurança com uma abordagem mais sustentável ao desenvolvimento automóvel.
O maior problema já não está necessariamente na estrada
É, no entanto, uma das conclusões menos óbvias do relatório que ajuda a perceber como está a mudar a discussão em torno dos automóveis elétricos.
Segundo a avaliação divulgada pela Volvo, a maior parte da pegada de carbono de um veículo elétrico já não está associada à sua utilização, mas à produção dos materiais e dos componentes necessários para o fabricar.
Aço, alumínio e polímeros surgem entre as matérias-primas com maior impacto climático. Na prática, reduzir as emissões de um elétrico passa cada vez mais por olhar para trás, para as fábricas e fornecedores, e não apenas para aquilo que acontece depois de o automóvel começar a circular.
A tomada também faz diferença
Há outra variável que altera significativamente as contas: a eletricidade usada para carregar a bateria.
Segundo a Volvo, se o EX60 for carregado exclusivamente com eletricidade proveniente de energia eólica, a pegada de carbono ao longo do ciclo de vida pode baixar cerca de 21%.
O dado mostra como dois automóveis exatamente iguais podem acabar por ter impactos climáticos diferentes consoante a origem da energia utilizada durante os anos em que permanecem na estrada.
A divulgação deste relatório insere-se na estratégia da Volvo Cars de publicar avaliações do ciclo de vida dos novos modelos totalmente elétricos. A fabricante pretende utilizar estes dados para acompanhar a evolução da pegada dos seus automóveis e identificar novas possibilidades de redução das emissões na produção e na cadeia de fornecimento.
A Volvo Cars mantém como objetivo alcançar emissões líquidas nulas de gases com efeito de estufa até 2040.
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