A maior fabricante automóvel do mundo, que reiniciou, na semana passada, a produção na sua sede em Wolfsburg, revelou que os fabricantes de componentes automóveis estão a operar longe da sua capacidade total, elevando os custos para as marcas de automóveis.

“Os fornecedores investiram em instalações para a fabricação de grandes volumes”, afirmou Stefan Sommer, membro do conselho de compras e componentes da Volkswagen, ao Financial Times. “Agora existem depreciações, enquanto os custos indiretos permanecem e não podem ser reduzidos da noite para o dia”.
Embora as matérias-primas mais baratas e os preços recorde de petróleo possam compensar grande parte do aumento no preço dos componentes, Sommer afirma que o custo de fornecimento de peças poderá “aumentar na cadeia de valor clássica”. No entanto, o responsável acrescenta que é muito cedo para saber se o custo total da produção de automóveis será permanentemente mais alto.
É improvável que as marcas repassem os custos extras para os consumidores numa recessão, o que fará com que as marcas absorvam esses custos, mesmo que percam dinheiro devido ao enceramento de fábricas e ao colapso das vendas.
O Reino Unido anunciou na terça-feira que as vendas em abril caíram 97%, com quedas semelhantes na Espanha e na Itália. Apenas 4.321 carros foram vendidos em abril no Reino Unido, o menor número mensal desde 1946, segundo dados da Society of Motor Manufacturers and Traders. Em abril de 2019, 161.064 veículos tinham sido vendidos.
Os fabricantes de automóveis como a Volkswagen confiam em milhares de fornecedores individuais, que costumam fabricar peças sob encomenda para serem entregues às linhas de produção num cronograma apertado. Nos últimos anos, os fabricantes aumentaram os lucros, em parte, obtendo descontos de empresas contratadas, mas Sommer revelou que os fornecedores estão agora a dizer à Volkswagen que “não poderão mais oferecer reduções de preço”.
“Todos terão que arcar com os mesmos custos, não apenas os nossos fornecedores, mas também a própria Volkswagen”, explicou o responsável. “Se continuarmos com volumes mais baixos, as peças ficarão mais caras”.

As fábricas alemãs da VW contam com 6.500 fornecedores individuais somente da Europa, e a empresa manifestou preocupação com as lacunas na cadeia de fornecimento, se empreiteiros menores não conseguirem sobreviver à crise.
Na semana passada, o rival alemão da Volkswagen, a Daimler, também alertou que, embora a sua cadeia de fornecimento se tenha mostrado “notavelmente robusta” durante o surto de Covid-19, tal poderá significar a “calma antes da tempestade”.
“Muitas dessas empresas têm modelos de negócios robustos, mas simplesmente não têm liquidez para lidar com uma paralisação mais longa”, afirmou Ola Kallenius.
Este alerta surgiu ao mesmo tempo que a maior fornecedora mundial de peças para automóveis, a Bosch, afirmou que o setor estava a enfrentar uma enorme recessão, capaz de eclipsar a crise que enfrentou após a crise financeira de 2008.
Apesar dos desafios atuais da Volkswagen, Sommer, ex-executivo das alemãs Continental e ZF, negou sugestões de que o grupo alemão seja forçado a renovar sua cadeia de fornecimento após a pandemia de coronavírus.
Embora a Volkswagen tenha ampliado as suas equipas de compras, a construção de uma cadeia de fornecimento alternativa seria “muito complexa” nesta fase já que ninguém pode prever “como ou onde a próxima pandemia irá ocorrer”.





