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Uma peça alvo de recall pode ser vendida como usada? B-Parts cria sistema para travar o risco

Automonitor

Plataforma portuguesa de comercialização de peças automóveis usadas anunciou um novo sistema que cruza o seu catálogo com o Safety Gate, o mecanismo de alerta rápido da Comissão Europeia para produtos perigosos

Quando um fabricante anuncia um recall, o objetivo é retirar de circulação uma peça que pode representar um risco. Mas há outra questão: o que acontece a componentes equivalentes quando um automóvel é desmontado e as suas peças entram no mercado de usados?

A B-Parts quer fechar essa porta.

A plataforma portuguesa de comercialização de peças automóveis usadas anunciou um novo sistema que cruza o seu catálogo com o Safety Gate, o mecanismo de alerta rápido da Comissão Europeia para produtos perigosos.

Segundo a empresa, sempre que uma peça esteja abrangida por um alerta oficial, é identificada pelo sistema, bloqueada e retirada da oferta.

Tudo começou com os airbags Takata

O projeto nasceu precisamente de um problema que atravessou várias marcas e milhões de automóveis em todo o mundo: os airbags Takata.

As campanhas de recolha associadas a estes componentes levaram fabricantes como Citroën, BMW e Opel a convocarem veículos para intervenção.

Ao analisar os alertas relacionados com os airbags, a equipa de Catálogo da B-Parts percebeu que o mesmo princípio poderia ser aplicado às restantes peças disponíveis na plataforma.

O que começou como resposta a um problema específico transformou-se, segundo a empresa, num dos maiores projetos desenvolvidos pela equipa durante 2026.

Como é que uma peça é bloqueada?

O princípio passa por cruzar a informação associada aos componentes que entram no catálogo com os alertas oficiais publicados no Safety Gate.

Se existir uma correspondência, a peça não deverá chegar à montra digital.

“Preferimos agir de forma preventiva e retirar a peça da nossa oferta, de forma a protegermos os clientes e reforçar a confiança na plataforma”, explica Luís Pereira, Head of Catalogue da B-Parts.

Segundo o responsável, mesmo que um fornecedor tente introduzir uma peça ou um modelo abrangido por um alerta da Comissão Europeia, o sistema deverá detetar a situação e impedir a sua disponibilização.

Não basta saber a marca e o modelo

O desafio está na precisão.

Um recall nem sempre abrange todos os exemplares de determinado automóvel. Pode estar limitado a uma versão, período de produção, motorização ou componente específico.

Isso significa que bloquear simplesmente todas as peças de determinado modelo poderia retirar do mercado componentes perfeitamente seguros.

“No setor automóvel, as notificações de segurança podem ser muito específicas e incidir sobre componentes associados a determinadas marcas, modelos ou versões”, salienta Luís Pereira.

Por esse motivo, explica, é necessário acompanhar permanentemente os alertas e identificar exatamente quais os produtos abrangidos.

Automóveis têm um peso significativo nos alertas europeus

Os números do Safety Gate ajudam a perceber a dimensão do problema.

Segundo o relatório relativo a 2025 citado pela B-Parts, os veículos automóveis representaram 57% das 5.794 ações de seguimento validadas nesse ano.

Isso não significa que 57% dos alertas tenham sido provocados por automóveis. O valor refere-se às medidas tomadas posteriormente em resposta aos alertas.

Em termos de notificações de risco grave, os veículos estiveram entre as quatro categorias mais notificadas, com cerca de 10% do total.

Para a B-Parts, cruzar automaticamente esses alertas com o catálogo acrescenta uma nova barreira destinada a impedir que componentes oficialmente identificados como problemáticos encontrem uma segunda vida precisamente onde não deveriam: noutro automóvel.