A unidade, que esteve em exposição no certame nipónico, tinha o chassis n.º 10130 e o motor n.º 10181, estava pintado de dourado e foi oferecido à modelo, atriz e cantora Lesley Hornby Lawson, mais conhecida como Twiggy. Foi o pagamento para a sua ajuda a desvendar o carro em Tóquio.
Como ela tinha, na época, apenas 18 anos e não tinha carta de condução, a condução do 2000 GT esteve a cargo do seu namorado e gestor de carreira, um rapaz chamado Justin de Villeneuve. Pouco tempo depois, o carro foi vendido e acabou por aparecer numa série de televisão americana chamada “The Ugliest Girl in Town” (A rapariga mais feia da cidade).
Infelizmente, o carro foi mexido e adicionadas cores psicadélicas com grafismos estranhos. Como a série foi um desastre comercial, com péssima audiência, o carro não apareceu muitas vezes. Mas ficaram as alterações que só desapareceram quando o carro foi pintado de vermelho e enviado para os Estados Unidos da América, onde acabou por ser comprado pela Toyota USA em 1981. Nessa altura foi parar a um especialista em restauro de clássicos, situado na Califórnia, para um restauro total.
Curiosamente, a cor dourada original há algumas décadas quando um incêndio no motor obrigou a novo restauro, desta feita realizado por Shin Yoshikawa, proprietário da “Studio Time Capsul” especialista neste tipo de restauros. Depois de muito investigar e descascar o 2000 GT, Yoshikawa descobriu que o carro tinha sido pintado com um ultrajante vermelho Ferrari por cima do dourado que estava visível de forma muito ténue por cima de um dos fechos das portas.
Assim que foram feitas mais pesquisas e se cruzaram números de chassis e de motor, decobriu-se qual era a cor e, sobretudo, quem tinha sido o primeiro proprietário. E o facto de ser um dos dois únicos exemplares ainda existentes, levou-o ao estatuto de ícone. Descobriu-se, também, que este tinha sido o carro que esteve exposto no Salão de Tóquio de 1967 e que tinha estado na posse da Twiggy.
Naturalmente que para ficar na condição perfeita que hoje ostenta, este Toyota 2000 GT foi totalmente restaurado e, desta feita, com a cor certa, aplicada por sete vezes e encimada por três demãos de verniz.
Recordamos que o Toyota 2000 GT era um automóvel desportivo de produção limitada (apenas se fizeram 351 e desses há apenas dois em todo o mundo) com motor central dianteiro, tração traseira e feito em colaboração com a Yamaha. O carro foi produzido entre 1967 e 1970, a maioria eram brancos ou vermelhos e eram vendidos através de concessionários específicos chamados Toyita Store.
Desenhado por Satoru Nozaki, o 2000 GT acabou na Toyota porque a Nissan recusou o conceito apresentado por Albrecht Goertz. Este foi trabalhar para a Yamaha e convenceu a marca dos três diapasões a contactar a Toyota. Esta aceitou a ideia e Nozaki bebeu inspiração no Jaguar E-Type para esculpir o 2000 GT. Muito baixo (apenas 116 cm de altura) e esguio, é um carro que ainda hoje impressiona pela beleza de linhas. O motor era um seis cilindros em linha com 2.0 litros, com dupla árvore de cames á cabeça e três carburadores duplos Solex 40 PHH. Debitava 150 CV, mas para apimentar mais as coisas, a Toyota instalou blocos com 2.3 litros com perto de 200 CV em nove unidades. A caixa era manual com cinco velocidades e o diferencial traseiro exibia um autoblocante, sendo os travões de disco com assistência.
Contas feitas, a Yamaha produziu para a Toyota 321 unidades, 233 do modelo MF10 (coupe), 109 do modelo MF10L (roadster) e nove MF12L, os tais com motor de 2.3 litros.






