A Fórmula 1 vai trocar, por momentos, os monolugares mais rápidos do mundo por carros feitos de Lego. Antes do Grande Prémio do Reino Unido, em Silverstone, este fim de semana, os 22 pilotos do campeonato vão participar na parada de pilotos ao volante de mini-carros construídos com mais de 28 mil peças cada um.
A iniciativa foi avançada pela ‘Top Gear’ e confirmada pela ‘Reuters’, que dá conta de uma nova ação conjunta entre a Fórmula 1 e a Lego, depois de experiências semelhantes noutras provas. Desta vez, porém, o projeto sobe de escala: em vez de carros partilhados, cada piloto terá o seu próprio veículo, decorado com as cores da respetiva equipa e com o número usado no campeonato.
Os carros não são apenas modelos estáticos para fotografia. Cada mini-carro pesa cerca de 280 quilos, dos quais aproximadamente 64 a 65 quilos correspondem a peças Lego, e usa componentes que lhe permitem circular em pista, incluindo pneus de kart. A velocidade máxima ronda os 25 km/h, o suficiente para cumprir a volta de apresentação em Silverstone.
A construção exigiu um trabalho pouco habitual mesmo para os padrões da Lego. Segundo a ‘Reuters’, uma equipa de 20 designers, engenheiros e construtores trabalhou nas instalações da marca em Kladno, na República Checa, acumulando mais de 6.400 horas de montagem para dar forma aos 22 carros.
A ação dá continuidade à aproximação entre a Fórmula 1 e a Lego, duas marcas que têm procurado explorar o lado mais familiar e visual do campeonato. Em 2025, a Lego já tinha levado carros funcionais ao Grande Prémio de Miami e produzido troféus especiais para o Grande Prémio do Reino Unido, numa parceria que tem procurado aproximar a modalidade de públicos mais jovens.
Em Silverstone, o resultado deverá ser uma das imagens mais inesperadas deste fim de semana: pilotos habituados a conduzir carros de centenas de quilómetros por hora a desfilar em versões de Lego que parecem brinquedos, mas que foram suficientemente trabalhadas para circular numa das pistas mais emblemáticas do calendário.
A iniciativa surge num momento em que a Fórmula 1 aposta cada vez mais na dimensão de espetáculo para lá da corrida propriamente dita. A parada de pilotos, normalmente feita em camiões ou carros clássicos, transforma-se assim numa montra de engenharia lúdica, com cada equipa representada por um modelo próprio.
O contraste é evidente. No mesmo fim de semana em que os pilotos procuram décimos de segundo em máquinas de alta tecnologia, a volta mais fotografada poderá ser feita a 25 km/h, em carros construídos peça a peça. Para a Lego, é uma demonstração de escala e criatividade; para a Fórmula 1, uma forma de tornar o paddock mais acessível e partilhável.
A corrida continuará a ser decidida nos monolugares reais. Mas, antes da largada, Silverstone terá uma grelha paralela muito menos rápida e muito mais improvável: 22 carros Lego, cada um com 28 mil peças, prontos para transformar a parada de pilotos numa das imagens mais insólitas da temporada.






