O Rally de Lisboa estreia-se esta sexta-feira no calendário do Campeonato de Portugal de Ralis de 2026, abrindo a fase de asfalto da temporada com a melhor lista de inscritos do ano: 60 equipas, entre as quais 17 viaturas Rally2.
A prova, organizada pelo CPKA, decorre entre sexta-feira e sábado e promete levar o espetáculo dos ralis a alguns dos cenários mais emblemáticos da região da Grande Lisboa.
Com partida simbólica marcada para o Padrão dos Descobrimentos, em Belém, o rali terá duas etapas, 11 especiais em asfalto e um total de 108,32 quilómetros cronometrados, num percurso global de 510,86 quilómetros. O programa passa por Mafra, Sobral de Monte Agraço, Vila Franca de Xira, Alenquer, Sintra e Cascais, cruzando competição, proximidade com o público e pontos de forte impacto visual.
O arranque competitivo acontece na manhã desta sexta-feira, com o shakedown na área de Mafra, entre as 7h30 e as 10h30. À tarde, depois da cerimónia simbólica em Belém, os concorrentes cumprem a primeira passagem por Tapada de Mafra, Sobral Monte Agraço, Vila Franca de Xira e Alenquer. A noite termina com um dos momentos mais aguardados do primeiro dia: a Super Especial de Mafra, junto ao Palácio Nacional, marcada para as 21h40.
No sábado, o pelotão regressa aos mesmos troços da primeira etapa antes de enfrentar uma das grandes novidades da edição: a classificativa Sintra | Almargem do Bispo, escolhida como Power Stage. Com 10,18 quilómetros, o troço surge como alternativa à zona da Serra de Sintra, condicionada por interdições associadas aos efeitos da tempestade ‘Kristin’, e promete ser um dos pontos decisivos do rali.
A especial de Sintra | Almargem do Bispo fica a cerca de dez quilómetros de Lisboa e inclui uma zona-espetáculo junto ao Santuário de Nossa Senhora da Serra, com um salto perto do final da classificativa. A organização destaca o perfil variado do troço, com zonas largas, secções estreitas e diferentes tipos de condução, num formato pensado para combinar competitividade e espetáculo.
A prova termina na Marina de Cascais, onde será disputada a City Stage final, com 1,37 quilómetros, antes da cerimónia de pódio. Com o oceano e a marina como pano de fundo, a última especial deverá funcionar como momento de consagração para vencedores e participantes, reforçando a componente mediática de uma prova que quer afirmar-se no calendário nacional.
Uma prova, várias competições
Além de contar para o Campeonato de Portugal de Ralis, o Rally de Lisboa integra também o International Iberian Rally Trophy e é pontuável para os campeonatos 2 Rodas Motrizes, Júnior, Master e Promo, bem como para o FPAK Júnior Team, a Peugeot Rally Cup Portugal e o Challenge Clio Rally5.
Entre os nomes em destaque está Armindo Araújo, que regressa a uma prova onde já venceu em 2023, então a contar para a Taça de Portugal de Ralis. O piloto de Santo Tirso, aos comandos do Skoda Fabia RS, parte motivado para a terceira ronda do campeonato e focado em somar pontos importantes na luta pelo título.
“A única vez que estivemos neste rali conseguimos uma grande vitória e, por isso, é uma prova que nos deixa muito motivados à partida, ainda mais quando agora faz parte do CPR”, afirmou Armindo Araújo, sublinhando também a importância da região de Lisboa para a projeção dos ralis em Portugal.
O Team Hyundai Portugal chega igualmente com ambições reforçadas. Gonçalo Henriques, que ficou a 9,6 segundos da vitória entre os concorrentes do CPR no Rally de Portugal, volta a competir com Gonçalo Cunha no lugar de navegador e espera confirmar em asfalto o andamento demonstrado nas provas de terra.
“Vamos partir para o Rally de Lisboa determinados em lutar pelos lugares da frente e, se possível, discutir a vitória”, afirmou Gonçalo Henriques, depois de testes que deram à equipa confiança para impor um ritmo forte.
A segunda dupla do Team Hyundai Portugal, Hugo Lopes e Magda Oliveira, também chega motivada, depois de ter discutido a vitória no Rali Terras d’Aboboreira. Para o piloto de Viseu, o regresso ao asfalto é um dos grandes atrativos da prova, apesar do desconhecimento dos troços lisboetas.
“Estamos muito ansiosos por voltar ao asfalto e por competir, pela primeira vez, no Rally de Lisboa”, afirmou Hugo Lopes, garantindo que o objetivo é ser competitivo desde o primeiro quilómetro.
Nas duas rodas motrizes, Rafael Cardeira também entra no Rally de Lisboa com confiança reforçada. Depois da exigência dos pisos de terra no Rali Terras d’Aboboreira, o piloto da Marinha Grande regressa ao asfalto com Luís Boiça, num Peugeot 208 Rally4 assistido pela Wintech Competição, numa superfície onde tradicionalmente se sente mais confortável.
“É um rali na capital, em que voltamos aos pisos de asfalto, os pisos onde costumamos obter melhores resultados e onde nos sentimos mais confortáveis”, destacou Rafael Cardeira, que espera aproveitar a abertura da temporada de asfalto para procurar um resultado positivo.
Segunda ronda da Peugeot Rally Cup Portugal 2026 também entra em ação
Dentro do Rally de Lisboa corre-se também a segunda ronda da Peugeot Rally Cup Portugal 2026, com 12 duplas previstas, sobretudo nacionais, mas também com presença internacional: duas equipas espanholas e uma dupla neozelandesa/britânica. A competição monomarca acrescenta mais um foco de interesse a uma prova já marcada pela diversidade de campeonatos e troféus.
Assim como o Challenge Clio Rally5
O Challenge Clio Rally5 também entra na fase de asfalto da temporada em Lisboa. Depois da estreia no Rali Terras d’Aboboreira, a competição promete nova luta entre nomes como Luís Caetano, vencedor da primeira prova, Carlos Marreiros, que liderou grande parte da ronda inaugural antes de um furo, e Tiago Pereira, que procura repetir triunfos anteriores em pisos de asfalto.
A prova ficará ainda marcada pela estreia de David Brites no Challenge Clio Rally5 e pelo regresso da família Tintim aos ralis, com Vasco Tintim e a filha Filipa Tintim à partida, cada um ao volante de um Renault Clio Rally5.
Com 60 equipas, 17 carros Rally2, troços em vários concelhos da Grande Lisboa e duas especiais desenhadas para aproximar o rali do público em Mafra e Cascais, a estreia do Rally de Lisboa no CPR chega com estatuto de evento de Interesse Turístico Nacional e com ambição clara: transformar a capital e a sua região num palco de referência para os ralis portugueses.






